Pessoal, devido às comemorações de fim de ano, estou com uma certa dificuldade para atualizar o blog. Gostaria de informar que o blog estará em recesso até a segunda quinzena de Janeiro. Também gostaria de aproveitar a oportunidade para desejar a todos um FELIZ ANO NOVO! Repintemos cuidadosamente o céu de azul no dia primeiro, e comecemos 2011 com muita paz e poesia!
Para finalizar gostaria de divulgar aqui o blog de minha querida amiga Priscila Campos: Amuleto da Colombina.
Um grande abraço a todos!
domingo, 26 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
The new book is on the table!!!
Pessoal, é com imenso prazer que coloco à mesa meu segundo livro: "Monólogo de uma vida - A trágica rapsódia de uma platéia sem assento". Fartem-se à vontade! Baixem, leiam, divulguem! E o mais importante, divirtam-se!
Aproveito essa oportunidade para já desejar a todos boas festas! Feliz Natal para todos e um Ano Novo cheio de amor, paz e poesia! Grande abraço!!!
Para baixar, clique aqui!
Aproveito essa oportunidade para já desejar a todos boas festas! Feliz Natal para todos e um Ano Novo cheio de amor, paz e poesia! Grande abraço!!!
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Ervália
Gostaria de recomendar a todos o blog de Ivo Barroso: Gaveta do Ivo. Ivo do Nascimento Barroso é um poeta já consagrado no mundo literário, que além de suas várias obras publicadas, publicou também mais de 30 traduções de grandes autores.
Dias atrás, tive a honra de descobrir que Ivo é natural de Ervália - MG. Minha querida Ervália! Em razão disso, gostaria de homenagear aqui essa pequena grande cidade de Minas com um poema daquele que tenho como o maior poeta de todos, meu avô Vicente Caetano de Mattos.
Ervália terra querida,
Meu viveiro de esperança,
És meu ninho de saudade,
Dos meus tempos de criança.
Vale florido na Serra
De Rodolfo o Monsenhor,
Que dos lares fez canteiros
E das almas fez a flor
Quanto te ama e venera
Este pobre filho teu,
Beijando contudo o exílio,
Nunca porém te esqueceu.
Ervália lendário berço,
Terra que me viu nascer,
Qual será minha ventura
Se em ti puder morrer.
(Vicente Caetano de Mattos)
E para finalizar, uma pequena errata do Pá Virada:
- No sexto verso do poema Sono, onde se lê "E eu não pude dormir", leia-se "E eu não pude mais dormir".
- E para aqueles que possuem o Pá Virada na sua versão original, impressa, no penúltimo verso de "Soneto", onde se lê "Quando essa cabeça de milho de falha", leia-se "Quando essa cabeça de milho me falha".
Grande abraço!!!
Dias atrás, tive a honra de descobrir que Ivo é natural de Ervália - MG. Minha querida Ervália! Em razão disso, gostaria de homenagear aqui essa pequena grande cidade de Minas com um poema daquele que tenho como o maior poeta de todos, meu avô Vicente Caetano de Mattos.
Ervália terra querida,
Meu viveiro de esperança,
És meu ninho de saudade,
Dos meus tempos de criança.
Vale florido na Serra
De Rodolfo o Monsenhor,
Que dos lares fez canteiros
E das almas fez a flor
Quanto te ama e venera
Este pobre filho teu,
Beijando contudo o exílio,
Nunca porém te esqueceu.
Ervália lendário berço,
Terra que me viu nascer,
Qual será minha ventura
Se em ti puder morrer.
(Vicente Caetano de Mattos)
E para finalizar, uma pequena errata do Pá Virada:
- No sexto verso do poema Sono, onde se lê "E eu não pude dormir", leia-se "E eu não pude mais dormir".
- E para aqueles que possuem o Pá Virada na sua versão original, impressa, no penúltimo verso de "Soneto", onde se lê "Quando essa cabeça de milho de falha", leia-se "Quando essa cabeça de milho me falha".
Grande abraço!!!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sobre a Paixão
Pessoal, hoje, em nosso papo de mesa, gostaria de falar um pouco dessa inesgotável fonte de poesia, desse tema infindável para os poetas: A Paixão.
Antes porém, e com o intuito de já criar uma atmosfera romântica, peço licença para por à mesa um trecho do livro que tenho como o meu favorito, uma obra literária perfeita que dispensa qualquer comentário: DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes. Transcrevo aqui, a carta que o engenhoso fidalgo, Dom Quixote, escreve à sua amada Dulcineia, incubindo seu fiel escudeiro, Sancho, de entregá-la:
CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINEIA DEL TOBOSO
"Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Tolboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e se não, faze o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida tereis satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte
O Cavaleiro da Triste Figura."
Considero essa carta um dos mais belos trechos da literatura mundial. Quanto amor, quanta paixão, quanto sofrimento não estão contidos ali?! E, acima de tudo, quanta beleza!
Mas falando especificamente do tema paixão, quanto de nós já não fomos acometidos desse belo mal, desse amado inimigo? Para fins conceituais, há de sempre distinguir o Amor e a Paixão. Esta última é, antes de tudo, definida (pelos apaixonados da razão) como uma patologia, um mal cego que nos leva a enxergar somente o colorido que brota de Dulcineia e a cometer atos descabidos a qualquer ser que se julgue racional. Um estado, geralmente, passageiro, precedente ao amor verdadeiro, ao amor pleno e banhado em razão pura.
De fato, sou impelido a concordar com essa difinição. Entretanto, posso afirmar que existe uma paixão saudável. Não esta paixão febril e cega que precede ao amor verdadeiro, mas uma paixão procedente deste amor e que segue como ele de mãos dadas como um belo casal. Uma paixão construída juntamente com o amor, banhada nas mesmas águas. Moinho e Gigante no mesmo ser!
Talvez essa paixão precendente, à primeira vista, seja essencial para quebrar nossa instintiva morbidez e iniciar um verdadeiro encontro de duas metades. Mas afirmo-lhes que não há nada, caros amigos, nada como se apaixonar à trencentésima nonagésima sexta vista!
Gostaria de informar também que um novo blog foi adicionado à lista de parceiros, o Carta a Muriel, da minha querida amiga Nina. Textos muitos bem escritos, ricos em poesia! Sou suspeito para falar, então, confira!
Grande abraço!!!!
Antes porém, e com o intuito de já criar uma atmosfera romântica, peço licença para por à mesa um trecho do livro que tenho como o meu favorito, uma obra literária perfeita que dispensa qualquer comentário: DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes. Transcrevo aqui, a carta que o engenhoso fidalgo, Dom Quixote, escreve à sua amada Dulcineia, incubindo seu fiel escudeiro, Sancho, de entregá-la:
CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINEIA DEL TOBOSO
"Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Tolboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e se não, faze o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida tereis satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte
O Cavaleiro da Triste Figura."
Considero essa carta um dos mais belos trechos da literatura mundial. Quanto amor, quanta paixão, quanto sofrimento não estão contidos ali?! E, acima de tudo, quanta beleza!
Mas falando especificamente do tema paixão, quanto de nós já não fomos acometidos desse belo mal, desse amado inimigo? Para fins conceituais, há de sempre distinguir o Amor e a Paixão. Esta última é, antes de tudo, definida (pelos apaixonados da razão) como uma patologia, um mal cego que nos leva a enxergar somente o colorido que brota de Dulcineia e a cometer atos descabidos a qualquer ser que se julgue racional. Um estado, geralmente, passageiro, precedente ao amor verdadeiro, ao amor pleno e banhado em razão pura.
De fato, sou impelido a concordar com essa difinição. Entretanto, posso afirmar que existe uma paixão saudável. Não esta paixão febril e cega que precede ao amor verdadeiro, mas uma paixão procedente deste amor e que segue como ele de mãos dadas como um belo casal. Uma paixão construída juntamente com o amor, banhada nas mesmas águas. Moinho e Gigante no mesmo ser!
Talvez essa paixão precendente, à primeira vista, seja essencial para quebrar nossa instintiva morbidez e iniciar um verdadeiro encontro de duas metades. Mas afirmo-lhes que não há nada, caros amigos, nada como se apaixonar à trencentésima nonagésima sexta vista!
Gostaria de informar também que um novo blog foi adicionado à lista de parceiros, o Carta a Muriel, da minha querida amiga Nina. Textos muitos bem escritos, ricos em poesia! Sou suspeito para falar, então, confira!
Grande abraço!!!!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Instruções
Ontem simplesmente não encontrei palavras, não me deparei com poemas: faltou-me inspiração!
Mas creio que isso não acontece exclusivamente comigo, pois às vezes é preciso uma técnica apurada e armadilhas eficazes para se capturar boas palavras. Muitos dos grandes escritores revelaram-se também excelentes apanhadores de palavras e tiveram a preocupação de descrever minuciosamente suas metodologias. Com intuito de não repetir a catastrófica e tediosa situação de ontem, preocupei-me também em descrever e testar exaustivamente meu método: Eis aqui, os passos:
1. Tenha em mãos um caixote de papelão, um rolo de barbante, um pequeno galho de 30 a 40 cm em forma de "Y" e várias folhas em branco.
2. Coloque as folhas no chão enfileiradas, de modo a formar uma trilha que leve até embaixo do caixote. Esse último deve estar suspenso em um dos lados pelo galho. Amarre o barbante no galho e se esconda, tendo sempre em mãos a outra extremidade do barbante. É aconselhável que o volume de papel sob o caixote seja grande.
3. Espere com paciência até que a primeira palavra atraída pela trilha apareça. Quando a palavra estiver totalmente sob o caixote, puxe o barbante rapidamente. Pronto! Está capturada! Lembre-se sempre que o silêncio no interior do caixote é um bom sinal de que a captura foi bem sucedida.
Obs: É fundamental, após a captura da palavra, escrevê-la o mais rápido possível em algum caderno, pois palavras aprisionadas tornam-se frágeis e vale lembrar que as melhores palavras são aquelas escritas ainda vivas.
Mas creio que isso não acontece exclusivamente comigo, pois às vezes é preciso uma técnica apurada e armadilhas eficazes para se capturar boas palavras. Muitos dos grandes escritores revelaram-se também excelentes apanhadores de palavras e tiveram a preocupação de descrever minuciosamente suas metodologias. Com intuito de não repetir a catastrófica e tediosa situação de ontem, preocupei-me também em descrever e testar exaustivamente meu método: Eis aqui, os passos:
1. Tenha em mãos um caixote de papelão, um rolo de barbante, um pequeno galho de 30 a 40 cm em forma de "Y" e várias folhas em branco.
2. Coloque as folhas no chão enfileiradas, de modo a formar uma trilha que leve até embaixo do caixote. Esse último deve estar suspenso em um dos lados pelo galho. Amarre o barbante no galho e se esconda, tendo sempre em mãos a outra extremidade do barbante. É aconselhável que o volume de papel sob o caixote seja grande.
3. Espere com paciência até que a primeira palavra atraída pela trilha apareça. Quando a palavra estiver totalmente sob o caixote, puxe o barbante rapidamente. Pronto! Está capturada! Lembre-se sempre que o silêncio no interior do caixote é um bom sinal de que a captura foi bem sucedida.
Obs: É fundamental, após a captura da palavra, escrevê-la o mais rápido possível em algum caderno, pois palavras aprisionadas tornam-se frágeis e vale lembrar que as melhores palavras são aquelas escritas ainda vivas.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Questão de Gramática
O verbo Haver, quando utilizado no sentido de Existir, é considerado impessoal, permanecendo invariável na 3ª pessoa do singular. Mas a questão é: haveria ou não "haveriam" fantasmas?
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Festa Brasileira (Parte II)
Mas deu-se um dia qualquer
Que Cabral acordou arretado
E erguendo sua colher
Gritou p’rum sujeito pelado
“Vai chamar logo o povo
Vamos acabar com a preguiça
Se Colombo brinca com ovo
Nós rezamos uma missa!”
O padre veio apressado
Com sua cruz e sua viola
“Deixemos a missa de lado
Um boa moda consola!”
A idéia de fato servira
Todos ao redor da fogueira
Cantando e dançando catira
Como um Fado à brasileira
Outra vez se mordeu a maçã
Como Adão fez no início
Aos poucos esqueceram Tupã
“Três vivas para Dionísio!”
Mas o belo luar de prata
Foi se tornando de ouro
E a moda que consolava
Passou a arrancar o couro
Tupã se escondeu na floresta
Vendo sua família aos pedaços
Esperando pelo fim da festa
Com alguns de seus filhos no braço
(Continua...)
Que Cabral acordou arretado
E erguendo sua colher
Gritou p’rum sujeito pelado
“Vai chamar logo o povo
Vamos acabar com a preguiça
Se Colombo brinca com ovo
Nós rezamos uma missa!”
O padre veio apressado
Com sua cruz e sua viola
“Deixemos a missa de lado
Um boa moda consola!”
A idéia de fato servira
Todos ao redor da fogueira
Cantando e dançando catira
Como um Fado à brasileira
Outra vez se mordeu a maçã
Como Adão fez no início
Aos poucos esqueceram Tupã
“Três vivas para Dionísio!”
Mas o belo luar de prata
Foi se tornando de ouro
E a moda que consolava
Passou a arrancar o couro
Tupã se escondeu na floresta
Vendo sua família aos pedaços
Esperando pelo fim da festa
Com alguns de seus filhos no braço
(Continua...)
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Festa Brasileira (Parte I)
Chegou por aqui Cabral
Por volta de mil e quinhentos
Em três caravelas de pau
Pau-Brasil era outros quinhentos
Trazia consigo a coroa
Do primeiro João da Bahia
Os daqui estavam na boa
Eram só Josés e Marias
Ainda não tinham Jesus
E sabe lá se tiveram
Só conheceram a cruz
E os pecados dos que vieram
O encontro foi cordial
Abraço pra lá, laço pra cá
“Bem-vindo seu Portugal
Faça o favor, queira entrar!”
Após muito ter navegado
Cabral aceitou o convite
“Meus marujos estão bem cansados
E já que o senhor insiste!”
Foi todo mundo pra rede
Dormir e comer mamão
Mas os homens também tinham sede
Tinham fome, sede e tesão
E assim ficaram por dias
Aos cuidados do anfitrião
Como eram belas as Índias
Pobre Vasco sem direção!
(Continua...)
Por volta de mil e quinhentos
Em três caravelas de pau
Pau-Brasil era outros quinhentos
Trazia consigo a coroa
Do primeiro João da Bahia
Os daqui estavam na boa
Eram só Josés e Marias
Ainda não tinham Jesus
E sabe lá se tiveram
Só conheceram a cruz
E os pecados dos que vieram
O encontro foi cordial
Abraço pra lá, laço pra cá
“Bem-vindo seu Portugal
Faça o favor, queira entrar!”
Após muito ter navegado
Cabral aceitou o convite
“Meus marujos estão bem cansados
E já que o senhor insiste!”
Foi todo mundo pra rede
Dormir e comer mamão
Mas os homens também tinham sede
Tinham fome, sede e tesão
E assim ficaram por dias
Aos cuidados do anfitrião
Como eram belas as Índias
Pobre Vasco sem direção!
(Continua...)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Oscar Wilde
Peço licença para por à mesa o que considero um dos trechos mais belos já escritos. Esse trecho é retirado do livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Devido às diversas edições e traduções, é possível encontrar essa mesma passagem com pequenas modificações, algumas palavras diferentes, mas sem fugir do contexto. Esta, por sua vez, foi transcrita de uma edição de 1959, tradução de Januário Leite.
Grande abraço!!!
“... Poucos há de nós que não tenham algumas vezes acordado antes do amanhecer, já após uma dessas noites sem sonhos que quase enamoram da morte, já após uma dessas noites de horror ou de informe alegoria, em que pelas câmaras do cérebro perpassam fantasmas mais terríveis do que a própria realidade, animada dessa vida intensa que se acoita em todos os grotescos, e que dá à arte gótica a sua persistente vitalidade, pois que esta arte é especialmente a arte daquelas cujas almas foram perturbadas pela força da rêverie... A pouco e pouco, insinuam-se uns dedos brancos por entre as cortinas, que parecem tremer. Sombras mudas, de recortes negros e fantásticos, adejam pelo quarto e aninham-se nos cantos... De fora chega até nós o chilrear dos pássaros nas árvores, o ruído dos homens que se dirigem para o trabalho, o suspirar e o soluçar do vento, que desceu dos montes e vagueia em torno da casa silenciosa, como receando acordar os seus habitantes... Vão-se erguendo, uns após outros, os véus da tênue gaze, e, gradualmente, as coisas vão recuperando formas e cores, e nós vemos a alvorada refazer o mundo no seu molde antigo. Os lívidos espelhos recomeçam a sua vida mímica. As velas apagadas estão onde as deixáramos, e ao lado está o livro meio cortado que estivéramos estudando, a flor que usáramos no baile, a carta que receáramos ler ou que havíamos já lido demasiado... Nada nos parece haver mudado. Das sombras irreais da noite ressurge a vida real já de nós conhecida. Temos de a reatar onde a havíamos deixado, e então empolga-nos uma terrível sensação da necessidade de continuarmos a despender a energia no mesmo enfadonho âmbito de hábitos estereotipados, ou, quiçá, um intenso e ansioso anelo de que as nossas pálpebras, ao descerrarem-se uma manhã, deparassem com um mundo novo, construído durante as trevas para nosso deleite, um mundo em que o passado pouco ou nenhum lugar ocupasse, ou não sobrevivesse em forma alguma consciente de obrigação ou pesar, pois até a lembrança da alegria tem o seu travo e as recordações do prazer a sua dor...”
Grande abraço!!!
“... Poucos há de nós que não tenham algumas vezes acordado antes do amanhecer, já após uma dessas noites sem sonhos que quase enamoram da morte, já após uma dessas noites de horror ou de informe alegoria, em que pelas câmaras do cérebro perpassam fantasmas mais terríveis do que a própria realidade, animada dessa vida intensa que se acoita em todos os grotescos, e que dá à arte gótica a sua persistente vitalidade, pois que esta arte é especialmente a arte daquelas cujas almas foram perturbadas pela força da rêverie... A pouco e pouco, insinuam-se uns dedos brancos por entre as cortinas, que parecem tremer. Sombras mudas, de recortes negros e fantásticos, adejam pelo quarto e aninham-se nos cantos... De fora chega até nós o chilrear dos pássaros nas árvores, o ruído dos homens que se dirigem para o trabalho, o suspirar e o soluçar do vento, que desceu dos montes e vagueia em torno da casa silenciosa, como receando acordar os seus habitantes... Vão-se erguendo, uns após outros, os véus da tênue gaze, e, gradualmente, as coisas vão recuperando formas e cores, e nós vemos a alvorada refazer o mundo no seu molde antigo. Os lívidos espelhos recomeçam a sua vida mímica. As velas apagadas estão onde as deixáramos, e ao lado está o livro meio cortado que estivéramos estudando, a flor que usáramos no baile, a carta que receáramos ler ou que havíamos já lido demasiado... Nada nos parece haver mudado. Das sombras irreais da noite ressurge a vida real já de nós conhecida. Temos de a reatar onde a havíamos deixado, e então empolga-nos uma terrível sensação da necessidade de continuarmos a despender a energia no mesmo enfadonho âmbito de hábitos estereotipados, ou, quiçá, um intenso e ansioso anelo de que as nossas pálpebras, ao descerrarem-se uma manhã, deparassem com um mundo novo, construído durante as trevas para nosso deleite, um mundo em que o passado pouco ou nenhum lugar ocupasse, ou não sobrevivesse em forma alguma consciente de obrigação ou pesar, pois até a lembrança da alegria tem o seu travo e as recordações do prazer a sua dor...”
domingo, 26 de setembro de 2010
Novo Descobrimento
É preciso redescobrir o Brasil. Sei que não é culpa dos portugueses e suas caravelas se o país está como está, mas é preciso um novo descobrimento. E talvez consigam preservar por mais tempo aqueles seres encantados, descritos em carta por Pero Vaz de Caminha. Quem sabe, os novos descobridores não queiram preservar um pouco mais nossas faunas e floras e até se dediquem realmente a aprender Guarani? Talvez um novo descobrimento mude o rumo da história, fazendo do Brasil uma colônia mais rica, ou pelo menos, mais justa e honesta. Mas quem seriam esses novos e românticos colonizadores? A verdade é que não faço idéia. Portugueses? Espanhóis? Ingleses? Não sei... talvez os italianos. Talvez se eles chegassem por aqui navegando suas gôndolas de Veneza...
domingo, 19 de setembro de 2010
Baixe o Pá Virada!
Pessoal, é com enorme prazer que coloco à mesa o livro Pá Virada completo para download. Baixem, leiam, divulguem... enfim, bom apetite!
Clique aqui para baixar!
Peço a todos que baixarem o livro, para deixarem um comentário (sugestão, crítica, elogio).
Um grande abraço!!!
Clique aqui para baixar!
Peço a todos que baixarem o livro, para deixarem um comentário (sugestão, crítica, elogio).
Um grande abraço!!!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Animismo
Ao contrário dos inúmeros episódios atuais, em que pessoas se descontrolam e esbravejam palavrões contra seres inanimados, como uma mesa maquiavélica ou uma cruel gaveta que insiste em prender dedos alheios, Orígenes Lessa era um exemplo de paciência com essas incompreendidas criaturas. Era tão paciente que chegou a escrever uma biografia, em três volumes, de um cabo de vassoura. Quem mais, hoje em dia, teria esta santa paciência de ouvir e transcrever com precisão as memórias fascinantes de um cabo de vassoura?!
De qualquer forma, isso tudo prova que o animismo moderno está mais vivo do que nunca. E não só na imaginação fértil das crianças novinhas, mas também das crianças de até cem anos de idade. E confesso que acho interessante essa história de objetos como vassouras, mesas, gavetas terem almas, o que me preocupa mesmo são esses muitos livros e discos desalmados que andam por aí.
De qualquer forma, isso tudo prova que o animismo moderno está mais vivo do que nunca. E não só na imaginação fértil das crianças novinhas, mas também das crianças de até cem anos de idade. E confesso que acho interessante essa história de objetos como vassouras, mesas, gavetas terem almas, o que me preocupa mesmo são esses muitos livros e discos desalmados que andam por aí.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Mais uma livraria!
Mais um ponto de venda do livro Pá Virada!
Livraria Ouvidor Savassi
Rua Fernandes Tourinho, 253
Funcionários
Belo Horizonte, Minas Gerais 30112-000
Tel: 31 3221-7473
Grande abraço!
Livraria Ouvidor Savassi
Rua Fernandes Tourinho, 253
Funcionários
Belo Horizonte, Minas Gerais 30112-000
Tel: 31 3221-7473
Grande abraço!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Entrevista concedida a uma alma penada
AP: Boa noite,Denis! Nervoso com a entrevista?
DM: Boa noite! Nervoso não. Talvez um pouco ansioso. É a minha primeira entrevista.
AP: Bem... o que você acha que te espera após a morte?
DM: Nada. Ninguém. Acho que os habitantes do outro mundo, dessa outra vida, não esperam nada daqui. Eles levam suas pós-vidas normalmente, muito ocupados para ficar esperando alguém deste mundo. Acredito que a gente morre e chega lá sem nenhum alarde, sem nenhuma festa de recepção. Simplesmente, entramos na rotina de lá.
AP: E na sua pós-vida, você pretende continuar fazendo o que faz aqui? Vai ser poeta lá também?
DM: Algumas coisas pretendo continuar fazendo, outras não. Continuar fazendo exatamente o mesmo é burrice, alguma coisa a gente tem que aprender nesta vida e mudar certos hábitos... para melhor. Mas poeta, com certeza! Quero continuar escrevendo poesias, mantendo a alma em forma. Acredito que, uma vez abraçado com a poesia, o homem segue assim para sempre. Um casamento eterno. Talvez, mude só os temas abordados.
AP: E quais seriam seus novos temas?
DM: Provavelmente passaria a falar dos mortos daqui e dos vivos de lá. Do céu de lá, das estrelas de lá, das cidadezinhas de lá... mas creio também que alguns temas são eternos, nunca mudam, como o amor, por exemplo.
AP: Você acha que as pessoas de lá amam tanto quanto as pessoas daqui?
DM: Certamente. Tanto quanto! Com exceção que não morrem de amor, como os daqui.(Risadas de ambos)
AP: Estendendo um pouco o assunto, você acha que o amor que você contruir aqui, esse amor pela mulher que te conquistar nesta vida, vai continuar após a morte?
DM: Claro! É uma besteira essa coisa que se diz em casamentos: "até que a morte os separem". A morte não separa ninguém. Pessoas que se amam de verdade continuam unidas o quanto quiserem, seja nesta ou noutra vida.
AP: Bom, Denis. O dia está amanhecendo e está na hora de eu ir. Queria muito te agradecer pela entrevista e, para finalizar, gostaria de fazer uma última pergunta: Esta entrevista será publicada nos principais jornais do outro mundo (Sem Tempo, Hoje e Sempre, O Estadão de Espírito...), mas você acha que se fosse publicada em algum jornal deste mundo, alguém acreditaria?
DM: Acho que não...provavelmente não. As pessoas daqui, atualmente, não acreditam muito na existência de poetas.
AP: Mais uma vez, obrigado, Denis. Bom dia para você!
DM: Eu que agradeço. Bom dia! E até a próxima!
DM: Boa noite! Nervoso não. Talvez um pouco ansioso. É a minha primeira entrevista.
AP: Bem... o que você acha que te espera após a morte?
DM: Nada. Ninguém. Acho que os habitantes do outro mundo, dessa outra vida, não esperam nada daqui. Eles levam suas pós-vidas normalmente, muito ocupados para ficar esperando alguém deste mundo. Acredito que a gente morre e chega lá sem nenhum alarde, sem nenhuma festa de recepção. Simplesmente, entramos na rotina de lá.
AP: E na sua pós-vida, você pretende continuar fazendo o que faz aqui? Vai ser poeta lá também?
DM: Algumas coisas pretendo continuar fazendo, outras não. Continuar fazendo exatamente o mesmo é burrice, alguma coisa a gente tem que aprender nesta vida e mudar certos hábitos... para melhor. Mas poeta, com certeza! Quero continuar escrevendo poesias, mantendo a alma em forma. Acredito que, uma vez abraçado com a poesia, o homem segue assim para sempre. Um casamento eterno. Talvez, mude só os temas abordados.
AP: E quais seriam seus novos temas?
DM: Provavelmente passaria a falar dos mortos daqui e dos vivos de lá. Do céu de lá, das estrelas de lá, das cidadezinhas de lá... mas creio também que alguns temas são eternos, nunca mudam, como o amor, por exemplo.
AP: Você acha que as pessoas de lá amam tanto quanto as pessoas daqui?
DM: Certamente. Tanto quanto! Com exceção que não morrem de amor, como os daqui.(Risadas de ambos)
AP: Estendendo um pouco o assunto, você acha que o amor que você contruir aqui, esse amor pela mulher que te conquistar nesta vida, vai continuar após a morte?
DM: Claro! É uma besteira essa coisa que se diz em casamentos: "até que a morte os separem". A morte não separa ninguém. Pessoas que se amam de verdade continuam unidas o quanto quiserem, seja nesta ou noutra vida.
AP: Bom, Denis. O dia está amanhecendo e está na hora de eu ir. Queria muito te agradecer pela entrevista e, para finalizar, gostaria de fazer uma última pergunta: Esta entrevista será publicada nos principais jornais do outro mundo (Sem Tempo, Hoje e Sempre, O Estadão de Espírito...), mas você acha que se fosse publicada em algum jornal deste mundo, alguém acreditaria?
DM: Acho que não...provavelmente não. As pessoas daqui, atualmente, não acreditam muito na existência de poetas.
AP: Mais uma vez, obrigado, Denis. Bom dia para você!
DM: Eu que agradeço. Bom dia! E até a próxima!
Con intelletto d'amore
Ponho à mesa, o terceiro poema do livro Pá Virada. Sirvam-se à vontade!
Ao olhares para flor sei que enxergas
seu ovário, sua antera e seu estame.
As pétalas, tu decepas sobre a mesa
por mais que teu peito ainda ame.
Quando estudares o que sustenta tal beleza,
não te contentes com um frágil receptáculo
e sabe que as cores que ali habitam
também fazem parte de teu cálculo.
E em tuas mãos leva sempre outra flor
e ela acompanhar-te-á aonde fores.
Em tua razão florescerão outras razões
e aprenderás con intelletto d’amore.
Ao olhares para flor sei que enxergas
seu ovário, sua antera e seu estame.
As pétalas, tu decepas sobre a mesa
por mais que teu peito ainda ame.
Quando estudares o que sustenta tal beleza,
não te contentes com um frágil receptáculo
e sabe que as cores que ali habitam
também fazem parte de teu cálculo.
E em tuas mãos leva sempre outra flor
e ela acompanhar-te-á aonde fores.
Em tua razão florescerão outras razões
e aprenderás con intelletto d’amore.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Sinestesia (André Mendonça)
Pessoal, é com enorme prazer que ponho à mesa um belíssimo poema de um grande amigo meu, um irmão de estrada, André Mendonça. Poucos poetas conseguem por tanta precisão e sutileza em seus poemas, de forma que em cada verso, em cada estrofe, não sentimos hora nenhuma o peso das palavras, mas sim uma carga de imagens e sentimentos. Tão leve e tão pesado quanto a alma. Eis o poema:
Cheiro de café com Jazz
Acordes dissonantes
Combinam entre si de forma harmônica
Cheiro de mato com orvalho
Sol nascendo e uma criança correndo
Café pronto e uma broa de fubá com manteiga
Cheiro da mulher amada
Toque suave do seu cabelo
Sussurros ao pé do ouvido
Ouvindo Chico
O Sabor do vinho com o violão
O encontro com um amigo, meu irmão
Lembranças poéticas e devaneios embriagados
Vida consumida aos poucos
Cheiro de café com Jazz
Acordes dissonantes
Combinam entre si de forma harmônica
Cheiro de mato com orvalho
Sol nascendo e uma criança correndo
Café pronto e uma broa de fubá com manteiga
Cheiro da mulher amada
Toque suave do seu cabelo
Sussurros ao pé do ouvido
Ouvindo Chico
O Sabor do vinho com o violão
O encontro com um amigo, meu irmão
Lembranças poéticas e devaneios embriagados
Vida consumida aos poucos
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Pá Virada nas Livrarias
Pessoal, estou atualizando aqui os pontos de venda do livro Pá Virada, em BH. São eles:
Leitura Pátio Savassi
End: Av. do Contorno 6061 Lj 235/236
Bairro: São Pedro - Belo Horizonte - MG
Cep: 30110-110 Tel: (31)3288-3800
Fax: (31)3288-3800
Livraria Del Rey
Loja São Lucas
Av. do Contorno, 4355
Belo Horizonte - MG
(31) 3284-3284
Livraria Mineiriana
R. Paraíba, 1419,
Funcionários - Belo Horizonte - MG
(31) 3223 8092 | 3262 0961
Muito em breve, espero poder compatilhar com vocês novos pontos de venda. Ah, e lógico, o livro também pode ser comprado diretamente comigo. E-mail de contato: denismattosmg@gmail.com
Grande abraço!!!
Leitura Pátio Savassi
End: Av. do Contorno 6061 Lj 235/236
Bairro: São Pedro - Belo Horizonte - MG
Cep: 30110-110 Tel: (31)3288-3800
Fax: (31)3288-3800
Livraria Del Rey
Loja São Lucas
Av. do Contorno, 4355
Belo Horizonte - MG
(31) 3284-3284
Livraria Mineiriana
R. Paraíba, 1419,
Funcionários - Belo Horizonte - MG
(31) 3223 8092 | 3262 0961
Muito em breve, espero poder compatilhar com vocês novos pontos de venda. Ah, e lógico, o livro também pode ser comprado diretamente comigo. E-mail de contato: denismattosmg@gmail.com
Grande abraço!!!
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Aos olhos que ficam
Para sempre, minha pequena,
Os olhos dele se fecharam...
Mas e os teus?
Peço-te que não conserves em teus olhos
As lágrimas que embaçam o pairar pleno da alegria
Não conserves também, a poeira das lembranças ultrapassadas
Que agora te ultrapassam como um comboio atroz
Não conserves neles a clareza com que
A razão cega-te aos sonhos
Nem a escuridão que empareda os teus caminhos
Proteja-os sempre da frieza com que o inverno
Abraça a vida e da dureza com que nos fita a morte.
Conserva neles, minha pequena, somente o brilho
Esse brilho que têm dois olhos
Ao apagar de outros dois olhos.
Os olhos dele se fecharam...
Mas e os teus?
Peço-te que não conserves em teus olhos
As lágrimas que embaçam o pairar pleno da alegria
Não conserves também, a poeira das lembranças ultrapassadas
Que agora te ultrapassam como um comboio atroz
Não conserves neles a clareza com que
A razão cega-te aos sonhos
Nem a escuridão que empareda os teus caminhos
Proteja-os sempre da frieza com que o inverno
Abraça a vida e da dureza com que nos fita a morte.
Conserva neles, minha pequena, somente o brilho
Esse brilho que têm dois olhos
Ao apagar de outros dois olhos.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O Farol
O farol
O mar
O navio
A areia
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
A onda
As rochas
As conchas
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
Os coqueiros
O veleiro
O navio
O escuro
O escuro
As estrelas...
O mar
O navio
A areia
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
A onda
As rochas
As conchas
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
Os coqueiros
O veleiro
O navio
O escuro
O escuro
As estrelas...
sábado, 24 de julho de 2010
O Sentido Das Palavras
Esta noite, sonhei que estava lá pela sétima série e havia esquecido de fazer as tarefas de matemática. Acordei assustado. Minha professora de matemática da referida série era um tanto quanto, digamos, rígida. Mas esta matéria nunca foi mesmo meu forte, acho que não gostava (não gosto) da precisão dos números, da exatidão das coisas. Sempre gostei mais de português, literatura, história...
Recordo-me de uma aula de português, no princípio de meus tempos escolares, em que a professora explicava-nos a diferença entre sentido denotativo e conotativo. “O sentido DEnotativo é o sentido das palavras no DIcionário”. Eu preferia guardar de outra forma: O sentido COnotativo era o sentido que as palavras tinham no CAStelo do rei Luis XV ou XVI (... tanto faz).
Recordo-me de uma aula de português, no princípio de meus tempos escolares, em que a professora explicava-nos a diferença entre sentido denotativo e conotativo. “O sentido DEnotativo é o sentido das palavras no DIcionário”. Eu preferia guardar de outra forma: O sentido COnotativo era o sentido que as palavras tinham no CAStelo do rei Luis XV ou XVI (... tanto faz).
segunda-feira, 19 de julho de 2010
G. A. Burger
Nunca houve qualquer exagero nos escritos de G. A. Burger. Narrações meramente descritivas.
Tive a honra de conhecer tal figura fabulosa, não a pessoa propriamente dita, mas a propriamente escrita, na casa do meu avô. E o que mais necessitaria para assegurar-me a veracidade dos fatos narrados, se não conhecê-los ali, na casa de meu avô?
Como testemunha, colocaria minhas mãos no fogo que brota do centro da Terra se me dissessem que o Barão de Munchausen foi um fazendeiro da região.
Tive a honra de conhecer tal figura fabulosa, não a pessoa propriamente dita, mas a propriamente escrita, na casa do meu avô. E o que mais necessitaria para assegurar-me a veracidade dos fatos narrados, se não conhecê-los ali, na casa de meu avô?
Como testemunha, colocaria minhas mãos no fogo que brota do centro da Terra se me dissessem que o Barão de Munchausen foi um fazendeiro da região.
terça-feira, 13 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Biografia de um poeta
Quando eu morrer não quero biografias
Minha vida não é história interessante
Como qualquer outra, tristezas e alegrias
Ainda sim, nada muito importante
Deixo aqui, uma pequena sugestão
Para aqueles que quiserem falar de mim
É coisa simples, sem muita explicação
Mas verídica, do princípio ao fim
Pegue algumas fotografias
Faça um curta, com cinco ou seis cenas
Com quatro mostrando apenas o céu
E na sexta, alguém diria:
"Sua vida não valeu a pena
Sua vida valeu a pena e o papel".
Minha vida não é história interessante
Como qualquer outra, tristezas e alegrias
Ainda sim, nada muito importante
Deixo aqui, uma pequena sugestão
Para aqueles que quiserem falar de mim
É coisa simples, sem muita explicação
Mas verídica, do princípio ao fim
Pegue algumas fotografias
Faça um curta, com cinco ou seis cenas
Com quatro mostrando apenas o céu
E na sexta, alguém diria:
"Sua vida não valeu a pena
Sua vida valeu a pena e o papel".
sábado, 26 de junho de 2010
Prosa Caipira
Coroné, sabe acaso onde anda esse tal de Josia?
Não sei, mas espero que lá praquelas banda...
Lá onde urubu faz ciranda!
Que isso Coroné?!
O sinhô é homi de fé,
temente a Deus, não diga uma bestêra dessa!
Além do mais, Josia é cabra valente,
um herói pra essa gente...
Peão que amansa touro bravo!
É um bom rapaz!
Não conheço, mas quero ver amansar o satanás!!
Vixe nossa senhora! Mas que foi que o mardito te fez?
Antes me roubasse mil rês,
do que roubar minha fia.
E pra um pai, não tem maior agonia,
do que ver sua própria cria
ir embora cum abestado!
Ô patrão, deixa isso de lado,
é amor que os dois sentia!
Amor pra jovem não tem serventia,
Deus só dá amor na velhice!
Isso foi é semvergonhice!
Imagina o que essa gente faladeira vai dizê!!
Eu nem quero sabê,
mas duvido que alguém nesse lugá
tem coragem pra falar mal do cê!
Falar de mim ou da minha fia é tudo iguá...
Quem abri a boca eu vô matá!
Meu santo Cristinho! O patrão ta cum raiva mesmo!
To cum raiva! To cum pena de minha fia! Uma hora dessa
deve de tá deitada no mato, passando frio, fome!
Ela que sempre foi muié de nome,
muié luxosa!
Coroné, desculpa eu estendê a prosa...
mas se me permite perguntá, o que é felicidade?
Ora homi, por que a curiosidade? Mas se quer mesmo sabê,
vô explicá pro cê! Felicidade tá em vê milhões de boi na fazenda,
tá no dinheiro das venda, no diploma de dotô.
Tá no meus gado, nos meus campo de café,
tá nos beijos das muié, no meu casarão...
Hum...entendi...então tá bão...
Num se avexe homi, se trabalhar bastante, um dia ocê chega lá!
Ih, nem dá pra imaginá...Mas se me permite...
Se felicidade é o que o patrão diz,
posso dizê que já sou bem feliz...
Eu que cuido desse gadaiada pro coroné,
sou eu também que sempre colhe o café,
sinto o cheiro da flor,
e de vez em quando até o sabor de uma semente!
Nisso ce tá certo, mas sou eu que tenho o casarão.
Com certeza bom patrão! E que assim Deus queira!
Mas continuando essa prosera, disso não faço questão!
Qualquer lugar pra mim tá bão, seja a rede ou seja o chão,
só exigo ver as estrelas...o luar..
e além do mais, quando o sinhô viaja,
quem é que vai pra sua casa vigiá?
É... ocê é um cabra esperto...mas me diga, quem tem quase 50 muié?
Ô, por certo que é meu coroné!!
Homi entendido do assunto!
Onde vai o coroné, vai rabo de saia junto.
Mas pra terminá meu sinhô,também sei o que é amor.
Não é de 50, é só uma...a mais jeitosa das morena!
Aquela que faz qualquer vida valer a pena!
Uma muié mais formosa que as rosa,
mais doce que o mel!
Daquela que o coração lambe os beiço
e nem pensa em ir pro céu...
Quer ficar pra sempre junto dela,
abraçado, espiando da janela o dia amanhacê!
Eita cabra safado!! Mas isso tudo num há de ser!
Prenda assim nessas banda, só existe minha fia!
O patrão deve de tá certo! Afinal é doutor sabido, homi esperto!
Entretanto, em mais de 10 anos que trabaio pro sinhô,
vancê nunca soube meu nome..
Só me chama de cabra, peão, homi!
Ah, isso num me interessa agora cabra, eu quero é achar minha fia!
Como quiser coroné, eu já vou indo embora,
vou encontrar minha sinhora!
Inté outra hora!... Mas cabra, diga então qual é o nome de vossa senhoria?
(o coronel riu com ironia)
Muito prazer Coroné, meu nome é Josia!
Não sei, mas espero que lá praquelas banda...
Lá onde urubu faz ciranda!
Que isso Coroné?!
O sinhô é homi de fé,
temente a Deus, não diga uma bestêra dessa!
Além do mais, Josia é cabra valente,
um herói pra essa gente...
Peão que amansa touro bravo!
É um bom rapaz!
Não conheço, mas quero ver amansar o satanás!!
Vixe nossa senhora! Mas que foi que o mardito te fez?
Antes me roubasse mil rês,
do que roubar minha fia.
E pra um pai, não tem maior agonia,
do que ver sua própria cria
ir embora cum abestado!
Ô patrão, deixa isso de lado,
é amor que os dois sentia!
Amor pra jovem não tem serventia,
Deus só dá amor na velhice!
Isso foi é semvergonhice!
Imagina o que essa gente faladeira vai dizê!!
Eu nem quero sabê,
mas duvido que alguém nesse lugá
tem coragem pra falar mal do cê!
Falar de mim ou da minha fia é tudo iguá...
Quem abri a boca eu vô matá!
Meu santo Cristinho! O patrão ta cum raiva mesmo!
To cum raiva! To cum pena de minha fia! Uma hora dessa
deve de tá deitada no mato, passando frio, fome!
Ela que sempre foi muié de nome,
muié luxosa!
Coroné, desculpa eu estendê a prosa...
mas se me permite perguntá, o que é felicidade?
Ora homi, por que a curiosidade? Mas se quer mesmo sabê,
vô explicá pro cê! Felicidade tá em vê milhões de boi na fazenda,
tá no dinheiro das venda, no diploma de dotô.
Tá no meus gado, nos meus campo de café,
tá nos beijos das muié, no meu casarão...
Hum...entendi...então tá bão...
Num se avexe homi, se trabalhar bastante, um dia ocê chega lá!
Ih, nem dá pra imaginá...Mas se me permite...
Se felicidade é o que o patrão diz,
posso dizê que já sou bem feliz...
Eu que cuido desse gadaiada pro coroné,
sou eu também que sempre colhe o café,
sinto o cheiro da flor,
e de vez em quando até o sabor de uma semente!
Nisso ce tá certo, mas sou eu que tenho o casarão.
Com certeza bom patrão! E que assim Deus queira!
Mas continuando essa prosera, disso não faço questão!
Qualquer lugar pra mim tá bão, seja a rede ou seja o chão,
só exigo ver as estrelas...o luar..
e além do mais, quando o sinhô viaja,
quem é que vai pra sua casa vigiá?
É... ocê é um cabra esperto...mas me diga, quem tem quase 50 muié?
Ô, por certo que é meu coroné!!
Homi entendido do assunto!
Onde vai o coroné, vai rabo de saia junto.
Mas pra terminá meu sinhô,também sei o que é amor.
Não é de 50, é só uma...a mais jeitosa das morena!
Aquela que faz qualquer vida valer a pena!
Uma muié mais formosa que as rosa,
mais doce que o mel!
Daquela que o coração lambe os beiço
e nem pensa em ir pro céu...
Quer ficar pra sempre junto dela,
abraçado, espiando da janela o dia amanhacê!
Eita cabra safado!! Mas isso tudo num há de ser!
Prenda assim nessas banda, só existe minha fia!
O patrão deve de tá certo! Afinal é doutor sabido, homi esperto!
Entretanto, em mais de 10 anos que trabaio pro sinhô,
vancê nunca soube meu nome..
Só me chama de cabra, peão, homi!
Ah, isso num me interessa agora cabra, eu quero é achar minha fia!
Como quiser coroné, eu já vou indo embora,
vou encontrar minha sinhora!
Inté outra hora!... Mas cabra, diga então qual é o nome de vossa senhoria?
(o coronel riu com ironia)
Muito prazer Coroné, meu nome é Josia!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Triste de Amor

Conforme enquete feita na semana passada, ponho à mesa o poema escolhido. Esse é mais um poema do meu Livro Pá Virada. Só pra lembrar, o livro pode ser comprado na Livraria Leitura do Shopping Savassi, na Mapel Papelaria na rua Tomé de Souza (pertinho também do Shopping Savassi)ou diretamente comigo. Em Juiz de Fora, com a Andressa Biachi ou em Itabira com a Josiane Boucherville.
Grande abraço!
A tristeza me consumiu.
Levou meus amigos, meus passeios, minhas risadas.
Deixou-me poucas letras
que juntas, não coçam a vista.
E eu, nesse tom depressivo,
nesses versos niilistas,
exalto a burrice milenar do homem,
que não sabe fazer negócio.
Pois no princípio, quando Deus
era quase um sócio,
houve a tal barganha da costela.
E dele, se fez ela: Eva!
Mas o homem sempre foi burro,
nunca lê o contrato.
Estava lá, no rodapé, em letras miúdas
para que lesse o tal Adão:
“Para Eva, tu darás de entrada uma costela
e, no futuro, tu darás também teu coração”.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Cientificamente Poético: Ação e Reação
E seguindo a dieta do Cientificamente Poético...
A ciência sabe que toda ação
Gera uma reação.
Um pequena exceção:
Nós estávamos a estudar física
Quando ela me disse: Eu te amo...
A ciência sabe que toda ação
Gera uma reação.
Um pequena exceção:
Nós estávamos a estudar física
Quando ela me disse: Eu te amo...
Campanha contra a fome: Perca Um Livro!
Pessoal, é com imenso prazer que convido a todos para participar da Campanha Perca Um Livro. Essa é uma campanha feita em alguns lugares do mundo e, como constatei, já acontece também há algum tempo em Belo Horizonte. Ela consiste, basicamente, em perder um livro para que outra pessoa encontre. Porém, é necessário cadastrar o livro no site da Campanha Perca Um Livro, assim vocês podem acompanhar onde está o livro, indicar onde foi "perdido" e, através da etiqueta que o site fornece, fazer com que a pessoa que achar o livro saiba da campanha e possa fazer o mesmo.
Vamos fazer desse mundo uma imensa biblioteca, ou melhor, uma imensa cozinha contra a fome!
Grande abraço!
Vamos fazer desse mundo uma imensa biblioteca, ou melhor, uma imensa cozinha contra a fome!
Grande abraço!
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Favo
Durante toda a minha vida,
Não cultivei amores, cultivei abelhas.
Sim, muitas abelhas
Que se aglomeram em meu coração.
Talvez buscassem flores que não havia ali.
Todas elas, abelhas rainhas,
Abelhas princesas, donzelas.
Fizeram morada, esburacou-se tudo.
Depois... simplesmente voaram.
Meu coração então já não sangrava,
Escorria mel...
Não cultivei amores, cultivei abelhas.
Sim, muitas abelhas
Que se aglomeram em meu coração.
Talvez buscassem flores que não havia ali.
Todas elas, abelhas rainhas,
Abelhas princesas, donzelas.
Fizeram morada, esburacou-se tudo.
Depois... simplesmente voaram.
Meu coração então já não sangrava,
Escorria mel...
domingo, 13 de junho de 2010
Cientificamente Poético: Sobre Deus
Tudo que esses cientistas sabem de Deus
É que Ele é bem velhinho...
É que Ele é bem velhinho...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
É tempo de comer!
Pessoal, fiquei muito feliz com o retorno que algumas pessoas me deram em relação ao nome do blog. Por isso, resolvi comentar um pouco sobre o assunto.
Vasculhando a cozinha do grande escritor, psicanalista, educador, mais acima de tudo, cozinheiro Rubem Alves, encontrei o seguinte prato: "O norueguês Thor Heyerdahl, que em 1947 empreendeu a famosa viagem Kon-Tiki, através do oceano Pacífico, morreu enquanto dormia, aos 87 nos. Parou de comer e beber ao ser informado de que sofria de um tumor cerebral. E se os médicos, em nome da ética, o entubassem e o obrigassem a ingerir alimentos? Uma paciente antiga relatou-me que o pai velho, doente e religioso, havia parado de comer. Mas era seu hábito orar diariamente o “Pai Nosso”. Aí ela notou que o seu “Pai Nosso” estava diferente. A cláusula “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” havia sido eliminada."
Algumas pessoas levam isso de comer palavras muito a sério, não é? Mas não é para ser levado? Há quanto tempo que o homem não vem comendo bem mais que o próprio alimento, mas também palavras, poesias, sonhos...?
Voltemos ao passado, até então, chamado primitivo. Tribos guerreavam, lutavam, matavam e comiam... comiam a carne de seus inimigos. Arrisco aqui afirmar que não era o sabor da carne humana que lhes abria o apetite. Quando comiam aquela carne, estavam a comer forças, coragens, habilidades. Comiam sonhos, crenças...
Ainda sim parece um tanto quanto estranho, não é? Vejamos então hábitos mais atuais. Quantas pessoas hoje vão à igreja e comungam? Prática bastante comum hoje em dia. Mas arrisco-me aqui também afirmar que os fiéis não estão ali a comer hóstia. Farinha e água não é assim tão sagrado. As pessoas estão ali a comer o corpo de Cristo. Sim, o corpo. E este corpo é feito de memória viva, de poesia, de fé: Eucaristia.
Mas há quem diga, "eu não sou cristão, não acredito nisso, e também não sou de nenhuma tribo primitiva." Pois bem, vejamos outro ponto, um ponto mais "racional", mais "científico". Existiu um velhinho que, até hoje, é considerado por muitos, um dos maiores pensadores da humanidade. Freud, o nutricionista, digo, o psicanalista. Mas por que não dizer mesmo nutricionista, o nutricionista da alma? Sim! Freud foi um grande estudioso desse hábito estranho que o homem tem de comer palavras. A partir daí, começou a descobrir quais palavras eram boas para serem comidas e quais eram indigestas para determinadas pessoas.
Falei muita besteira? Difícil digerir minhas palavras? Peço apenas que não se vingue desse simples cozinheiro. Lembre-se: a vingança é um prato que se come frio... ou seria o amor? Fernando Pessoa, em seu guloso heterônimo de Álvaro Campos, em "Dobrada à Moda do Porto", teve que comer o amor frio. Mas o amor é prato que se come quente, fervilhando, com muito tempero... E o pobre Drummond, que não pôde comer em paz sua sopa de letrinhas repleta de sonhos...
Por isso pessoal, jamais se espante em ver alguém se empanturrando de palavras, de poesias. Não há regras de etiqueta para esse banquete.
Manuel Bandeira se espanta que o bicho que estava a comer entre os detritos, "...não era um cão, não era um gato, não era um rato...", era um homem. Confesso que não me espanta homem algum de barriga vazia comendo, me espanta os que têm a alma aberta e faminta e não comem.
Sempre é tempo de comer!
Grande abraço!
Vasculhando a cozinha do grande escritor, psicanalista, educador, mais acima de tudo, cozinheiro Rubem Alves, encontrei o seguinte prato: "O norueguês Thor Heyerdahl, que em 1947 empreendeu a famosa viagem Kon-Tiki, através do oceano Pacífico, morreu enquanto dormia, aos 87 nos. Parou de comer e beber ao ser informado de que sofria de um tumor cerebral. E se os médicos, em nome da ética, o entubassem e o obrigassem a ingerir alimentos? Uma paciente antiga relatou-me que o pai velho, doente e religioso, havia parado de comer. Mas era seu hábito orar diariamente o “Pai Nosso”. Aí ela notou que o seu “Pai Nosso” estava diferente. A cláusula “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” havia sido eliminada."
Algumas pessoas levam isso de comer palavras muito a sério, não é? Mas não é para ser levado? Há quanto tempo que o homem não vem comendo bem mais que o próprio alimento, mas também palavras, poesias, sonhos...?
Voltemos ao passado, até então, chamado primitivo. Tribos guerreavam, lutavam, matavam e comiam... comiam a carne de seus inimigos. Arrisco aqui afirmar que não era o sabor da carne humana que lhes abria o apetite. Quando comiam aquela carne, estavam a comer forças, coragens, habilidades. Comiam sonhos, crenças...
Ainda sim parece um tanto quanto estranho, não é? Vejamos então hábitos mais atuais. Quantas pessoas hoje vão à igreja e comungam? Prática bastante comum hoje em dia. Mas arrisco-me aqui também afirmar que os fiéis não estão ali a comer hóstia. Farinha e água não é assim tão sagrado. As pessoas estão ali a comer o corpo de Cristo. Sim, o corpo. E este corpo é feito de memória viva, de poesia, de fé: Eucaristia.
Mas há quem diga, "eu não sou cristão, não acredito nisso, e também não sou de nenhuma tribo primitiva." Pois bem, vejamos outro ponto, um ponto mais "racional", mais "científico". Existiu um velhinho que, até hoje, é considerado por muitos, um dos maiores pensadores da humanidade. Freud, o nutricionista, digo, o psicanalista. Mas por que não dizer mesmo nutricionista, o nutricionista da alma? Sim! Freud foi um grande estudioso desse hábito estranho que o homem tem de comer palavras. A partir daí, começou a descobrir quais palavras eram boas para serem comidas e quais eram indigestas para determinadas pessoas.
Falei muita besteira? Difícil digerir minhas palavras? Peço apenas que não se vingue desse simples cozinheiro. Lembre-se: a vingança é um prato que se come frio... ou seria o amor? Fernando Pessoa, em seu guloso heterônimo de Álvaro Campos, em "Dobrada à Moda do Porto", teve que comer o amor frio. Mas o amor é prato que se come quente, fervilhando, com muito tempero... E o pobre Drummond, que não pôde comer em paz sua sopa de letrinhas repleta de sonhos...
Por isso pessoal, jamais se espante em ver alguém se empanturrando de palavras, de poesias. Não há regras de etiqueta para esse banquete.
Manuel Bandeira se espanta que o bicho que estava a comer entre os detritos, "...não era um cão, não era um gato, não era um rato...", era um homem. Confesso que não me espanta homem algum de barriga vazia comendo, me espanta os que têm a alma aberta e faminta e não comem.
Sempre é tempo de comer!
Grande abraço!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Cientificamente Poético: A lei da Gravidade
E aí, Sobra ou Sobremesa? Comam e decidam... Grande abraço!
O vento bateu leve,
Sacudindo a macieira.
A maça caiu certeira
Na cabeça do pensador.
Não era a original, a primeira,
Mas o fez pensar se não estava
Atraído pelo inferno mais do que devia...
O vento bateu leve,
Sacudindo a macieira.
A maça caiu certeira
Na cabeça do pensador.
Não era a original, a primeira,
Mas o fez pensar se não estava
Atraído pelo inferno mais do que devia...
Belô Poético
Apresento-lhes um verdadeiro banquete:
"Nos dias 15,16,17 e 18 de julho, próximo, acontece o “6º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia” de Belo Horizonte – realizado pelos poetas Rogério Salgado e Virgilene Araújo, com o apoio de diversos poetas e não poetas colaboradores, entre eles, todos que fazem parte da programação do Belô 2010 - destaque para aqueles que também atuam nos bastidores: Bilá Bernardes, Heleide O. Santos, Lívio Santos, Graça Faisão, Lea Lu, Inêz Alves, Danilo Freitas, Tiago Parreiras, Rodrigo Starling, Márcia Araújo, Marta Reis, Cláudio Márcio Barbosa, Ana Paula Alves Generoso, Virgínia Araújo, Irineu Baroni, Luiz Leite entre outros de Belo Horizonte, cidades mineiras e de diversas capitais brasileiras.
Os realizadores contarão, também, mais uma vez, com a contribuição do Poeta português Fernando Aguiar.
A marca deste evento é a solidariedade, afetividade e ações que priorizam: colaborações e relacionamentos.
Um dos pontos positivos é a troca de experiências entre a classe poética e cidadãos de diversas classes sociais, entre eles, professores de Literatura, professores e alunos universitários ou não, donas de casa, jornalistas, simpatizantes da poesia, aspirantes à poeta, poetas, escritores e outros; que ao se inscreverem no Encontro terão acesso direto àqueles que fazem parte da programação, os quais tem muito a trocar e com despojamento, como nos anos anteriores, acompanham as atividades do Belô, do primeiro ao último dia, inclusive durante os momentos de descontração.
O tema deste ano será: Poetas unidos em prol do equilíbrio ecológico.”
Para mais informações, acesse o site do Belô Poético.
Grande abraço!
"Nos dias 15,16,17 e 18 de julho, próximo, acontece o “6º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia” de Belo Horizonte – realizado pelos poetas Rogério Salgado e Virgilene Araújo, com o apoio de diversos poetas e não poetas colaboradores, entre eles, todos que fazem parte da programação do Belô 2010 - destaque para aqueles que também atuam nos bastidores: Bilá Bernardes, Heleide O. Santos, Lívio Santos, Graça Faisão, Lea Lu, Inêz Alves, Danilo Freitas, Tiago Parreiras, Rodrigo Starling, Márcia Araújo, Marta Reis, Cláudio Márcio Barbosa, Ana Paula Alves Generoso, Virgínia Araújo, Irineu Baroni, Luiz Leite entre outros de Belo Horizonte, cidades mineiras e de diversas capitais brasileiras.
Os realizadores contarão, também, mais uma vez, com a contribuição do Poeta português Fernando Aguiar.
A marca deste evento é a solidariedade, afetividade e ações que priorizam: colaborações e relacionamentos.
Um dos pontos positivos é a troca de experiências entre a classe poética e cidadãos de diversas classes sociais, entre eles, professores de Literatura, professores e alunos universitários ou não, donas de casa, jornalistas, simpatizantes da poesia, aspirantes à poeta, poetas, escritores e outros; que ao se inscreverem no Encontro terão acesso direto àqueles que fazem parte da programação, os quais tem muito a trocar e com despojamento, como nos anos anteriores, acompanham as atividades do Belô, do primeiro ao último dia, inclusive durante os momentos de descontração.
O tema deste ano será: Poetas unidos em prol do equilíbrio ecológico.”
Para mais informações, acesse o site do Belô Poético.
Grande abraço!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
...
E, conforme sugerido, ponho à mesa um poeminha do livro Pá Virada. Para quem ainda não tem o livro, fica aí o gostinho. Para quem já tem, que se farte novamente, pois um poema é alimento que não perde o gosto, sem prazo de validade. Bom feriado para todos!
Grande abraço!
O que mais admiro na vida,
No poema, são as reticências
Esses três pontinhos ordenados
E descompromissados com
As conseqüências.
O continuar sem rumo e sem final
Um eterno ir em frente
O verdadeiro ponto de partida
Da mente
A trilha de pão que nos leva de volta
Aonde ainda não chegamos,
Ao nosso lar, a eternidade!
Sim, as reticências contêm a eternidade,
Contêm a liberdade inata aos sonhos.
Proponho que de hoje em diante,
Jamais se termine um texto,
Um poema, uma conversa
Com ponto final.
Que tudo termine (...) com reticências.
Interrogue, exclame, faça pausas,
Mas no fim, reticências!
Como são mágicos esses três pontinhos
Que nos permitem ser feliz para sempre!...
Grande abraço!
O que mais admiro na vida,
No poema, são as reticências
Esses três pontinhos ordenados
E descompromissados com
As conseqüências.
O continuar sem rumo e sem final
Um eterno ir em frente
O verdadeiro ponto de partida
Da mente
A trilha de pão que nos leva de volta
Aonde ainda não chegamos,
Ao nosso lar, a eternidade!
Sim, as reticências contêm a eternidade,
Contêm a liberdade inata aos sonhos.
Proponho que de hoje em diante,
Jamais se termine um texto,
Um poema, uma conversa
Com ponto final.
Que tudo termine (...) com reticências.
Interrogue, exclame, faça pausas,
Mas no fim, reticências!
Como são mágicos esses três pontinhos
Que nos permitem ser feliz para sempre!...
Bicho Ator
Pessoal, gostaria de avisar que, agora no princípio, pretendo servir as refeições pelo menos duas vezes por semana. Nossa mesa ainda está bem no começo, mas aos poucos os pratos serão postos.
Ponho à mesa então, um poema cozinhado em homenagem a minha prima Thais, uma grande atora de Brasília. E vocês decidem, Sobra ou Sobremesa? Grande abraço!
É bicho que perdeu o foco, perdeu a trilha
Que fez do coração,coragem
Da imaginação, a sua imagem
Fez do palco sua ilha
Ali habita!
Domado pelo infinito e cercado de liberdade
Numa era sem idade, é selvagem
Animal que vive à margem
Que come risos vivos e bebe mágoa pura
Pobre criatura... Obrigado a viver feliz
A criar raiz em alma alheia
Abrigado na coxia, espia o mar que tanto anseia
Quer se afogar, quer navegar entre as estrelas
Quer forjar porto na fantasia e ancorar feito uma pena
Rema, rema, rema... um dia atingirá o caos. Cais? Nunca mais!
E quando o sol se acende, que bicho será agora?
Em seu casulo às avessas, põe a alma para fora
Frente à barbárie de platéia, é ovelha!
Uma ovelha que cativa a alcatéia
Com grito, choro e silêncio...
Vai até o proscênio
Demarcar seu território
E num salto ilusório
Rompe o céu! É ave!
É um pombo de papel a romper
Os pensamentos, a voar em sentimentos
Até o pouso sobre o vão.
Já é bicho sem destino
A migrar de mão em mão.
E ao chegar, não mais procria
Cria! Inventa novos ovos
Novas criaturas de proveta
No princípio era o Verbo
E do Verbo fez careta!
É fera! É bela que se prolifera
Até se tornar um
Um único sonho, um único sorriso, um único Ser...
...um único som:
MERDA PRA VOCÊ!!!!
Ponho à mesa então, um poema cozinhado em homenagem a minha prima Thais, uma grande atora de Brasília. E vocês decidem, Sobra ou Sobremesa? Grande abraço!
É bicho que perdeu o foco, perdeu a trilha
Que fez do coração,coragem
Da imaginação, a sua imagem
Fez do palco sua ilha
Ali habita!
Domado pelo infinito e cercado de liberdade
Numa era sem idade, é selvagem
Animal que vive à margem
Que come risos vivos e bebe mágoa pura
Pobre criatura... Obrigado a viver feliz
A criar raiz em alma alheia
Abrigado na coxia, espia o mar que tanto anseia
Quer se afogar, quer navegar entre as estrelas
Quer forjar porto na fantasia e ancorar feito uma pena
Rema, rema, rema... um dia atingirá o caos. Cais? Nunca mais!
E quando o sol se acende, que bicho será agora?
Em seu casulo às avessas, põe a alma para fora
Frente à barbárie de platéia, é ovelha!
Uma ovelha que cativa a alcatéia
Com grito, choro e silêncio...
Vai até o proscênio
Demarcar seu território
E num salto ilusório
Rompe o céu! É ave!
É um pombo de papel a romper
Os pensamentos, a voar em sentimentos
Até o pouso sobre o vão.
Já é bicho sem destino
A migrar de mão em mão.
E ao chegar, não mais procria
Cria! Inventa novos ovos
Novas criaturas de proveta
No princípio era o Verbo
E do Verbo fez careta!
É fera! É bela que se prolifera
Até se tornar um
Um único sonho, um único sorriso, um único Ser...
...um único som:
MERDA PRA VOCÊ!!!!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Sr. Palhaço
Para inaugurar nossa refeição, ponho à mesa um poeminha que foi escrito em Juiz de Fora, quando ainda nos tempos de faculdade, alimentava o sonho de formar a banda Sr. Palhaço. Esse poema foi cozinhado para passar a idéia do que seria a banda. Na verdade, a banda nunca saiu do forno, mas o poema está aí, posto à mesa. Bom apetite!
Bem-vindas senhoras! Bem-vindos senhores!
Quero que nesse encontro haja riso e haja choro,
Haja cores e haja coro
E um coral de flores
Que abafe os rumores de tristeza.
Que só nos reste a certeza
De que a vida é poesia
E que no verso-em-verso de cada dia,
Nos dai hoje uma noite,
Esta noite!
Que só rime com alegria,
Com ternura e esperança!
Que se invertam os papéis,
Dai brinquedos aos coronéis
E poderes às crianças!
E que o Verbo seja solto,
Seja louco o bastante para rir
Do moinho que é gigante,
Do Quixote sem clichê,
Do Senhor que é Palhaço,
E do "eu" que é você!
Bem-vindas senhoras! Bem-vindos senhores!
Quero que nesse encontro haja riso e haja choro,
Haja cores e haja coro
E um coral de flores
Que abafe os rumores de tristeza.
Que só nos reste a certeza
De que a vida é poesia
E que no verso-em-verso de cada dia,
Nos dai hoje uma noite,
Esta noite!
Que só rime com alegria,
Com ternura e esperança!
Que se invertam os papéis,
Dai brinquedos aos coronéis
E poderes às crianças!
E que o Verbo seja solto,
Seja louco o bastante para rir
Do moinho que é gigante,
Do Quixote sem clichê,
Do Senhor que é Palhaço,
E do "eu" que é você!
Nossa mesa!
Pessoal, esse é um espaço criado para divulgar poemas que não entraram no meu livro Pá Virada, além de textos diversos que escrevi, mas não tenho a intenção de publicá-los em livros. Portanto, sirvam-se à vontade e decidam se os versos que estão a ler, as palavras que estão a comer, são "Sobra ou Sobremesa". Como diria Rubem Alves, "Nossa fome não é coisa do corpo; é coisa da alma... O corpo é uma cozinha, sem o fogo que queima dentro, o fogo da fome, do desejo, da imaginação, não pode haver esperança de ressureição. Somos o que comemos".
Um grande abraço!
Um grande abraço!
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