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quarta-feira, 28 de maio de 2014

4 anos!

Pessoal, no próximo dia 1 de junho, o blog Sobra ou Sobremesa completará 4 anos de existência. Por isso, nos próximos dias estarei servindo em nossa mesa pratos que já foram servidos antes, estarei postando aqui poemas e prosas que de alguma forma contam um pouco da história desta cozinha. Os pratos serão escolhidos aleatoriamente, talvez por algum sabor especial, por comentários amigos... Enfim, agradeço a todos que visitaram esta cozinha e ajudaram a manter o fogo aceso! Como primeiro prato, sirvo novamente o poema ... (Reticências), o primeiro poema do primeiro livro (Pá Virada)! O poema que representa talvez o primeiro passo desse meu passeio em meio às palavras. Mais uma vez, obrigado a todos! E bom apetite!

...

O que mais admiro na vida,
No poema, são as reticências.
Esses três pontinhos ordenados
E descompromissados com
As conseqüências.
O continuar sem rumo e sem final,
Um eterno ir em frente.
O verdadeiro ponto de partida
Da mente.
A trilha de pão que nos leva de volta
Aonde ainda não chegamos,
Ao nosso lar, a eternidade!
Sim, as reticências contêm a eternidade,
Contêm a liberdade inata aos sonhos.
Proponho que de hoje em diante
Jamais se termine um texto,
Um poema, uma conversa
Com ponto final.
Que tudo termine (...) com reticências.
Interrogue, exclame, faça pausas,
Mas no fim, reticências!
Como são mágicos esses três pontinhos
Que nos permitem ser feliz para sempre!...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Para Luja...

O que seria dos poetas sem à pessoa amada, sem a musa que inspira seus sonhos e sua vida?... Seus versos. Eis quatro poemas dedicados inteiramente àquela que amo:

Do livro "O poeta e o pano"

Poema de açucar

(Para a Luja)

Do céu,
tudo no chão parece formiga.

Do chão,
tudo no céu parece estrela.

Ao teu lado,
tudo – no chão, no céu,
tudo parece estrela.
Somente as estrelas parecem formigas
(formigas a roubar de ti pedacinhos de luz)...


De astros

(Para Luja)

Saí do teu quarto atônito, mudado.
Como se eu ou o velho mundo fosse outro.
Com a vida condensada num estado
entre sonhos e relâmpagos de ouro.

Senti-me envolto a uma áurea de gigante,
alheio a tudo que não fosse ente celeste.
Já não lembrava como a vida era antes,
se o silêncio foste tu que compuseste.

E se me perguntas para onde eu fui,
por quais caminhos rabisquei meu rastro
de felicidade e passos azuis,

eu mal me lembro dos nomes das ruas.
Só sei que saí de lá falando de astros
e com um leve sotaque da lua.


Legado

(Para Luja)

Deito ao teu lado, amor, e penso
nos deuses que agora estão
confusos a respeito do tempo,
indagando-se sobre a criação.

Tudo conforme o planejado
até que nos deitamos a dois.
O Infinito não era nosso legado,
era surpresa para depois.

Fundimos a Anímica dos deuses
com a pobre Física dos homens.
Talvez reformulem os meses,
talvez não mais os somem.

Os deuses já aceitam a Eternidade
existir em um tempo e espaço,
só não entendem, é bem verdade,
como ela coube em teu abraço.


Do livro Pá Virada:

Encontro

(Para Luja)

Guarda logo este sol!
Seca logo estes mares!
Esconde esta lua!
E o céu, de que me vale?

Desbota logo estas flores,
deixa tudo em preto e branco!
Recolhe todas as estrelas
e amontoa em qualquer canto!

As árvores, as pedras, os rios...
Enrola tudo e joga fora!
Agradeço tua intenção,
mas já estou indo embora.

Não meu Deus, não!
Pode jogar fora sem receio.
Que valor tem tudo isso
se o meu amor não veio?

sábado, 12 de outubro de 2013

Quando eu for criança

Em homenagem ao dia das crianças, um poema do livro Pá Virada:

Quando eu for criança

Quando eu for criança,
vou reinventar brincadeiras,
vou dormir nos quintais,
e ter um quarto à minha maneira.
Quando eu for criança,
não vou querer dormir cedo,
vou ter medo da luz,
vou fazer mais cirandas,
e só rezar pro menino Jesus.
Vou acreditar nas histórias,
vou ler mais poesias,
passear e cantar na chuva,
deixar os problemas em banho-maria.
Quando eu for criança,
vou derrubar dominó,
dominar tigres e leões
com uma sonhada só.
Vou dar mais “boa noite”,
mais, muito mais abraços
e, sem ter medo de tombos,
vou desamarrar os cadarços.
Quando eu for criança,
vou querer mais aniversários,
mais natais, páscoas e festas.
Vou embaralhar o calendário.
Escovar dente com chocolate,
vou borrar maquiagens,
vou imaginar meu herói
e pintar sua imagem.
Vou usar mais chapéu,
vou mudar mais assuntos.
Quando eu for criança,
não vou querer ser adulto.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Livros

Pessoal, compartilho aqui com vocês mais uma vez os links para download dos meus livros. Os livros estão hospedados no 4shared. Há algum tempo o site começou a pedir que se faça um login para download, mas quem não tem conta no 4shared pode fazer o login com a conta do gmail ou facebook mesmo. Grande abraço e boa leitura!

Pá Virada

Monólogo de uma vida: a trágica rapsódia de uma platéia sem assento.

O poeta e o pano

Aproveito também para divulgar mais uma vez a campanha perca um livro. Para quem não conhece, acesse o site e dê uma olhada, vale muito a pena participar e levar essa idéia adiante.
Site:www.livr.us/

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Aperitivos - II

Sirvo aqui um pedacinho de cada um dos 3 livros já publicados no blog e deixo também o convite para quem quiser degustá-los por inteiro... Grande abraço!

PÁ VIRADA - Para baixá-lo clique aqui.

POEMA DE UM CAVALHEIRO

Ai amor meu, por que choras tanto?
Não era eu, toda a cura de teus males?
Agora sou razão de teu infindável pranto,
o desencanto que turvou teus olhos-mares?

Não chores, amor, não chores!
Olha bem para os fatos e entende.
Nunca fui rude e nem mesmo infiel.
Então, finda o choro e compreende!

Queria te dar todo o amor do mundo.
Sou cavalheiro, romântico, não cafajeste.
Mas seria, no mínimo, indelicado
devolver o que um dia tu me deste.


MONÓLOGO DE UMA VIDA - Para baixá-lo clique aqui.

(...)Entretanto, parte da platéia continua inquieta, com medo da peça. Ao perceber tanto temor, o ator resolve contar uma história, que ouvira ainda no Segundo Ato, para acalmálos de vez.

"Era uma vez um cego, surdo e mudo,
Que olhava para dentro.
Não sabia a diferença entre
Tapa e alento, mordida e beijo...
Teria que aprender a textura dos desejos.
Então, passou a apalpar as almas das pessoas.
Sentiu sonhos, paixões, medos,
Raiva e alegria escorriam entre os dedos.
Mas onde estava o amor?
Não o encontrava...
Chegou a rir por confundir com
Tantas outras texturas:
Paixão, piedade, ternura...
Até com a dor o confundira...
Com a dor, quem diria?!
Mas não, não achara o amor!
Então, num ato um tanto narcisista,
Resolveu apalpar a própria alma.
Mas não era isso, era curiosidade, teimosia,
Um ato de valentia:
Encontrar o amor, em sua forma pura e adocicada.
Apalpou, apalpou... e nada!
Entrou em pânico, em desespero,
Achava que iria morrer!
O pânico foi tanto, que como
Por milagre, por encanto,
Começou a ouvir, a falar, a ver!
Entretanto, não pôde acreditar
No que viu (emudeceu):
Todos eram cegos, surdos e mudos como ele!
Pela primeira vez na vida,
Amou...

Ninguém da platéia compreendeu nada da história, mas todos adormeceram como
crianças. João apaga a luz e sai sem fazer barulho.(...)


O POETA E O PANO
- Para baixá-lo clique aqui.

POEMA DE AÇUCAR

(Para a Luja)

Do céu,
tudo no chão parece formiga.

Do chão,
tudo no céu parece estrela.

Ao teu lado,
tudo – no chão, no céu,
tudo parece estrela.
Somente as estrelas parecem formigas
(formigas a roubar de ti pedacinhos de luz)...

domingo, 27 de março de 2011

Interior

Mantendo o hábito do prato dominical, ponho à mesa mais um poema do "Pá Virada". Vale lembrar que, para os que ainda não conhecem, o livro está disponível para download aqui no blog. Bom apetite! E grande abraço!!!

(Em homenagem a Ervália - MG)

É tarde, após o almoço.
O sol ocupou todos os lugares da praça.
De quando em quando alguém passa,
num passo mais pra prosa que pra pressa.
E assim, o dia arremessa seu anzol
nas ruas da cidadezinha.
Uns beliscam, outros nem vêem a isca.
Eita calma! Ah preguiça...
O dia também vai se deitar à sombra....

domingo, 20 de março de 2011

Conversa Fiada

Ponho à mesa, mais um poema do livro "Pá virada". Bom apetite!

O poema se sentia por cima,
Estava todo prosa:
Não preciso de rimas,
Bastam-me as rosas!

O texto não encontrava pretexto
Para por fim na conversa:
Chega de rimas e rosas,
Basta-me a reza!

A oração quis saber que horas eram
E fez logo um resumo:
Chega de rimas, rosas e rezas,
Cada um toma seu rumo!

E o conto no seu canto,
Ao ouvir aquele aviso,
Também tomou seu rumo
Em meio a rimas, rosas, rezas e risos...

domingo, 19 de setembro de 2010

Baixe o Pá Virada!

Pessoal, é com enorme prazer que coloco à mesa o livro Pá Virada completo para download. Baixem, leiam, divulguem... enfim, bom apetite!
Clique aqui para baixar!

Peço a todos que baixarem o livro, para deixarem um comentário (sugestão, crítica, elogio).

Um grande abraço!!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Con intelletto d'amore

Ponho à mesa, o terceiro poema do livro Pá Virada. Sirvam-se à vontade!

Ao olhares para flor sei que enxergas
seu ovário, sua antera e seu estame.
As pétalas, tu decepas sobre a mesa
por mais que teu peito ainda ame.

Quando estudares o que sustenta tal beleza,
não te contentes com um frágil receptáculo
e sabe que as cores que ali habitam
também fazem parte de teu cálculo.

E em tuas mãos leva sempre outra flor
e ela acompanhar-te-á aonde fores.
Em tua razão florescerão outras razões
e aprenderás con intelletto d’amore.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Triste de Amor


Conforme enquete feita na semana passada, ponho à mesa o poema escolhido. Esse é mais um poema do meu Livro Pá Virada. Só pra lembrar, o livro pode ser comprado na Livraria Leitura do Shopping Savassi, na Mapel Papelaria na rua Tomé de Souza (pertinho também do Shopping Savassi)ou diretamente comigo. Em Juiz de Fora, com a Andressa Biachi ou em Itabira com a Josiane Boucherville.
Grande abraço!

A tristeza me consumiu.
Levou meus amigos, meus passeios, minhas risadas.
Deixou-me poucas letras
que juntas, não coçam a vista.
E eu, nesse tom depressivo,
nesses versos niilistas,
exalto a burrice milenar do homem,
que não sabe fazer negócio.
Pois no princípio, quando Deus
era quase um sócio,
houve a tal barganha da costela.
E dele, se fez ela: Eva!
Mas o homem sempre foi burro,
nunca lê o contrato.
Estava lá, no rodapé, em letras miúdas
para que lesse o tal Adão:
“Para Eva, tu darás de entrada uma costela
e, no futuro, tu darás também teu coração”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...

E, conforme sugerido, ponho à mesa um poeminha do livro Pá Virada. Para quem ainda não tem o livro, fica aí o gostinho. Para quem já tem, que se farte novamente, pois um poema é alimento que não perde o gosto, sem prazo de validade. Bom feriado para todos!
Grande abraço!

O que mais admiro na vida,
No poema, são as reticências
Esses três pontinhos ordenados
E descompromissados com
As conseqüências.
O continuar sem rumo e sem final
Um eterno ir em frente
O verdadeiro ponto de partida
Da mente
A trilha de pão que nos leva de volta
Aonde ainda não chegamos,
Ao nosso lar, a eternidade!
Sim, as reticências contêm a eternidade,
Contêm a liberdade inata aos sonhos.
Proponho que de hoje em diante,
Jamais se termine um texto,
Um poema, uma conversa
Com ponto final.
Que tudo termine (...) com reticências.
Interrogue, exclame, faça pausas,
Mas no fim, reticências!
Como são mágicos esses três pontinhos
Que nos permitem ser feliz para sempre!...