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terça-feira, 23 de abril de 2013

Caderno da vó Elce - II

Mais um belo soneto retirado do carderno de poesia da vó Elce...

Adeus!... (Guilherme de Almeida)

Adeus!... Eu vou partir! Agora é vindo
O momento da nossa despedida.
Suportemos a dor que nos trucida
Sem prantos, sem soluços, mas... sorrindo!

De que vale chorar, minha querida,
Pelo céu deste amor que agora é findo?
De que vale chorar se o olhar curtido
Não abranda o amargor desta partida?

Amanhã é saudade, mas que importa?
A saudade do amor é como um laço
Que de longe nos prende e nos conforta.

Numa ausência, querida, o amor não morre!
Se ele vive de um beijo e de um abraço,
Viverá de uma lágrima que corre.


Pessoal, gostaria de aproveitar que hoje, dia 23 de abril, é dia internacional do livro, para refazer o convite que já fiz outras vezes aqui no blog: Vamos transformar o mundo numa grande biblioteca! Para entender melhor, conheçam o projeto "perca um livro". Já acontece em vários países do mundo e aqui no Brasil muita gente também já participa. É uma forma interessante de ler e contribuir para que outras pessoas também tenham acesso à leitura. Para entender melhor e participar, acessem o site: http://www.livr.us/. Diariamente há pessoas “perdendo” e encontrando livros através desse divertido projeto. Quem participa pode comentar, acompanhar o livro que “perdeu”... Enfim, vale a pena conhecer! E quanto mais pessoas participarem e divulgarem, melhor! Vamos transformar o mundo em uma imensa biblioteca! Feliz dia do livro para todos! Grande abraço!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Outras cozinhas (dos amores perdidos)

Essa que hei de amar perdidamente um dia (Guilherme de Almeida)

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"


Hão de chorar por ela os cinamomos
(Alphonsus de Guimaraens)

Hão de chorar por ela os cinamomos,
murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
pois ela se morreu silente e fria..."
E pondo os olhos nela como pomos,
hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"


Perdoa-me, visão dos meus amores (Álvares de Azevedo)

Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!…
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!

De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores…

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora…

Sem que última esperança me conforte,
Eu – que outrora vivia! – eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!