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sábado, 23 de abril de 2016

Reabrindo as portas

Hoje, dia 23 de abril, comemora-se o dia mundial do Livro. Aproveito a data para “reabrir” o Sobra ou Sobremesa que estava “fechado” desde 2015. Reabro o blog com algumas sugestões de leitura, obras que tive a oportunidade de ler nos últimos tempos e das quais gostei muito. Gostaria também de informar que, apesar do longo período sem novas postagens, tentarei trazer algumas novidades no decorrer das próximas semanas. Boa leitura a todos!


*Utilizo-me aqui das sinopses encontradas nos próprios livros.

A lebre com olhos de âmbar - Edmund Waal

"Nenhuma das miniaturas japonesas entalhadas em madeira e marfim era maior que uma caixa de fósforos. Edmund Waal ficou fascinado ao encontrar essa coleção em Tóquio, no apartamento de seu tio-avô, Ignace. Mais tarde, quando Edmund herdou os netsuquês, eles revelaram uma história muito mais ampla que ele imaginara...

Os Ephrussis, originários de Odessa, eram os maiores exportadores de trigo do mundo; em 1870, Charles Ephrussi fazia parte da nova geração de financistas estabelecida em Paris. Sua personalidade inspirou Marcel Proust, que foi durante um curto período secretário de Charles, a criar a Swann, personagem de Em busca do tempo perdido. Colecionar objetos de arte era a paixão de Charles, e os netsuquês – comprados quando os objetos japoneses estavam em alta nos salões parisienses – foram enviados como presente de casamento ao seu primo, um banqueiro em Viena.

Anos depois, três crianças, inclusive o jovem Ignace, brincavam com as miniaturas, enquanto a História reverberava ao redor deles. A anexação da Áustria e a Segunda Guerra Mundial levaram os Ephrussis e seu fausto ao esquecimento. (...)

Com essas memórias impressionantes, Edmund Waal viaja pelo mundo e coloca-se diante das magníficas construções que seus antepassados habitaram. Ele traça as relações de uma família memorável no cenário de um século tumultuado. Com uma prosa elegante e precisa, como os próprios netsuquês, o autor conta a história de uma coleção ímpar que, por um capricho do destino, encontrou o rumo de casa depois de passar pelo Japão."

A alma e a dança e outros diálogos - Paul Valéry

"Não te parece, Erixímaco, e a ti, caro Fedro, que essa criatura que vibra ali, e que se agita adoravelmente para nossos olhos, essa ardente Athiktê que se divide e se reúne, que se alteia e se abaixa, que se abre e se fecha tão depressa, e que parece pertencer a outras constelações que não são as nossas - não parecem viver, como se fosse em casa, num elemento comparável ao fogo - numa essência muito sutil de movimento e música, onde ela respira uma energia inesgotável, enquanto participa, com todo seu ser, da violência pura e imediata de uma extrema felicidade?"

Puro - Andrew Miller

"Paris, 1785.
Jean-Baptiste Baratte, um jovem engenheiro de origem modesta, recebe de um dos ministros do rei Luiz XVI uma missão desafiadora: livrar-se da igreja e do cemitério de Les Innocents. O cemitério vem acumulando corpos há séculos, chegando ao ponto da população vizinha sentir o gosto dos cadáveres na comida e na água. Respiram a morte, têm seu cheiro, seu hálito.

No começo, Baratte vê nessa empreitada uma chance de limpar o fardo da história, a tarefa perfeita para um homem moderno, do futuro, da razão. Mas logo ele percebe que a igreja e o cemitério são prenúncios de uma queda maior que está por vir. Os rumores de uma grande mudança que se aproxima ganham volume, e o povo se divide quanto ao trabalho de Baratte: ao mesmo tempo que a cidade já não suporta mais um cemitério que não para de receber corpos e não tem para onde crescer, é difícil aceitar a mudança e tirar de cena um dos marcos do passado monárquico.

O engenheiro imagina que a missão seja ingrata, das mais desagradáveis, mas não faz ideia dos dramas e das calamidades que se avizinham e se concretizam conforme os ossos começam a emergir de seus séculos de descanso. E, com a agitação contra a corte de Luiz XVI se tornando cada vez mais insuportável, Baratte percebe que o futuro que planejara para si pode não ser mais o que ele quer de fato."