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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Parábola do Inverno



Parábola do Inverno

Fazia-se uma fogueira
Para ouvir estalinhos.
E o fogo nascia
Madurinho.
E pegava no girassol
E no canarinho.
...
O inverno
Fazia um calor de abraço.
...
Na roça
Tinha bicho-que-queima,
Bicho-que-acende-e-apaga,
Bicho-que-brilha,
Bicho-que-sai-à-noite
E faíscas vira-latas.
...
As velas gostavam de iluminar gente,
De brincar com dedos,
De derreter o escuro bem devagarinho.
...
O frio deixava o fogo
Cada vez mais madurinho.
E pegava no girassol
E no canarinho.

                   (Do livro Parábolas de Quintal - Denis Mattos)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Parábola da Revolução

Sirvo aqui mais um poema do livro "Parábolas de Quintal"...


Parábola da Revolução

Sob o zênite dos varais
Confabulavam crianças e
pardais...

I

Eram precisos novos planos, novas estratégias:
“Uma ideia:
Tramar a teia da aranha
Com os pés da centopeia!”

Mas o reino era bem cercado por chinelos e giz:
“O céu é um caminho por onde não passa chão.”

O caminho traçado, a jornada era longa:
“Cruzar muros, janelas, árvores e rios
Até que os olhos encontrem
Uma garça para descansarem!”

Que as cigarras e campainhas anunciem a Revolução!

II

“... há de se fazer um ninho para os rios
Em cada galho do sol,
E pendurar no horizonte mais firme
Um balanço
Onde caibam ao mesmo tempo
As quatro estações,
As canções e o silêncio,
Os dedos dos pés e das mãos,
Uma bacia de jabuticabas
E as palavras em desuso.
E que, no mínimo, duas ou três
Estrelas fiquem ali jogadas
Junto às raízes dos sonhos,
Ao alcance das mãos.”

[Trecho extraído do
Pergaminho dos cupins e mariposas]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Novo livro! Párabolas de Quintal...

Pessoal, nossa cozinha ficou parada por um longo tempo, mas foi por uma boa causa. Hoje, no dia da reabertura do blog, anuncio aqui meu novo livro: Parábolas de Quintal! Um pequeno livro de poemas dedicado infância, à essa estação da vida em que não desconfiamos da poesia, somos parte dela!


Trecho do livro:



Parábola da Liberdade

Os cães na praça não tinham dono.
O resto do mundo pertencia ao Outono...

[Sugere-se aqui ouvir o som de folhas secas remexidas]

O menino acordou cedo
(seu dia já nascia com penas).
Era franzino,
Tinha um corpo de pulos e revoadas.
...
Entre as árvores
Tinha um caminho para correr verde.
Quem passava por lá
Virava lagarta
(E o menino passeou por lá).
...
O menino refletia:
O céu não gasta nenhum voo
Com as borboletas.
Borboleta é sopro colorido!
O céu poderia gastar voo com gente!
...
E a borboleta refletia:
Queria que todo homem fosse livre!
Que não houvesse gaiolas!
Que pássaros e homens tivessem os mesmos direitos!
Que qualquer azul jamais fosse fronteira!
Que o orvalho tecesse uma rede
E emaranhasse tudo
Cristalinamente
Sob um único desejo
Metamorfoseado
Em flor.
(E a borboleta pousou na boca do menino).
...
O menino começou a falar asas
Para todo mundo,
Sussurrar cores, cantar vento.
Pena (dessas de dar dó)
Que aquela gente já estava
Gastada de chão.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Trechos do novo livro

Aulas de música

Aos poucos estou aprendendo a distinguir os pássaros através dos seus cantos. É uma questão de observação e escuta. Imagino que o primeiro ser humano que cantou também observou e aprendeu com os pássaros.
Está aí uma boa sugestão para as escolas de música, as primeiras aulas deveriam ser de observação e escuta dos pássaros. Haveria tantas melodias, tantos ritmos! E quem sabe, nas aulas seguintes, o voo fosse a lição?!


Ainda sobre música

Tudo no mundo parece ter sua própria voz, seu próprio som. Acontece que às vezes as vozes se atropelam e a música perde o ritmo. Nessas horas, penso que é preciso uma forte tempestade, dessas que emudecem a alma. E assim, depois que a tempestade passa, o mundo começa a recuperar o fôlego, a voz. Cada coisa retoma seu devido lugar na sinfonia. É como se a água varresse os ruídos, deixando a melodia clara e limpa. A tempestade é a deixa para os que cantam...


Versinho leve

É preciso sentir-se leve,
diluir a vida no ar.
Que a alma só carregue
o que o vento puder carregar!