Trecho do livro:
Parábola
da Liberdade
Os cães na praça não tinham dono.
O resto do mundo pertencia ao Outono...
[Sugere-se aqui ouvir o som de folhas secas
remexidas]
O menino acordou cedo
(seu dia já nascia com penas).
Era franzino,
Tinha um corpo de pulos e revoadas.
...
Entre as árvores
Tinha um caminho para correr verde.
Quem passava por lá
Virava lagarta
(E o menino passeou por lá).
...
O menino refletia:
O céu não gasta nenhum voo
Com as borboletas.
Borboleta é sopro colorido!
O céu poderia gastar voo com gente!
...
E a borboleta refletia:
Queria que todo homem fosse livre!
Que não houvesse gaiolas!
Que pássaros e homens tivessem os mesmos direitos!
Que qualquer azul jamais fosse fronteira!
Que o orvalho tecesse uma rede
E emaranhasse tudo
Cristalinamente
Sob um único desejo
Metamorfoseado
Em flor.
(E a borboleta pousou na boca do menino).
...
O menino começou a falar asas
Para todo mundo,
Sussurrar cores, cantar vento.
Pena (dessas de dar dó)
Que aquela gente já estava
Gastada de chão.

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