quinta-feira, 27 de março de 2014

Parábola da Revolução

Sirvo aqui mais um poema do livro "Parábolas de Quintal"...


Parábola da Revolução

Sob o zênite dos varais
Confabulavam crianças e
pardais...

I

Eram precisos novos planos, novas estratégias:
“Uma ideia:
Tramar a teia da aranha
Com os pés da centopeia!”

Mas o reino era bem cercado por chinelos e giz:
“O céu é um caminho por onde não passa chão.”

O caminho traçado, a jornada era longa:
“Cruzar muros, janelas, árvores e rios
Até que os olhos encontrem
Uma garça para descansarem!”

Que as cigarras e campainhas anunciem a Revolução!

II

“... há de se fazer um ninho para os rios
Em cada galho do sol,
E pendurar no horizonte mais firme
Um balanço
Onde caibam ao mesmo tempo
As quatro estações,
As canções e o silêncio,
Os dedos dos pés e das mãos,
Uma bacia de jabuticabas
E as palavras em desuso.
E que, no mínimo, duas ou três
Estrelas fiquem ali jogadas
Junto às raízes dos sonhos,
Ao alcance das mãos.”

[Trecho extraído do
Pergaminho dos cupins e mariposas]

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