Parábola
da Revolução
Sob o zênite dos varais
Confabulavam crianças e
pardais...
I
Eram precisos novos planos, novas
estratégias:
“Uma ideia:
Tramar a teia da aranha
Com os pés da centopeia!”
Mas o reino era bem cercado por
chinelos e giz:
“O céu é um caminho por onde não
passa chão.”
O caminho traçado, a jornada era
longa:
“Cruzar muros, janelas, árvores e
rios
Até que os olhos encontrem
Uma garça para descansarem!”
Que as cigarras e campainhas
anunciem a Revolução!
II
“... há de se fazer um ninho para
os rios
Em cada galho do sol,
E pendurar no horizonte mais
firme
Um balanço
Onde caibam ao mesmo tempo
As quatro estações,
As canções e o silêncio,
Os dedos dos pés e das mãos,
Uma bacia de jabuticabas
E as palavras em desuso.
E que, no mínimo, duas ou três
Estrelas fiquem ali jogadas
Junto às raízes dos sonhos,
Ao alcance das mãos.”
[Trecho extraído do
Pergaminho dos cupins e
mariposas]
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