Era para ser lua cheia, porém naquela noite a lua não nasceu. Mas poucos perceberam que não tinha lua e, em muitos lugares, o céu estava bastante nublado.
Os dias
foram passando e a lua continuava sem aparecer. Os primeiros a sentirem falta
da lua foram os amantes, os poetas, os mendigos, os cachorros vadios e as
marés. Mas logo todos já comentavam que a lua desaparecera. Há dias que o céu
ao anoitecer era somente estrelas e mais nada. Especulava-se que a lua afundara
no mar, ou que havia explodido silenciosamente ou ainda que, simplesmente,
mudara de rota.
A lua
desapareceu do céu por anos. E as pessoas aos poucos foram se acostumando com a
ideia. Era agora um mundo com menos poesia, com menos olhares para o céu, menos
sonhos de olhos abertos, menos uivos e com um mar desritmado. Mas era bom. Era
ensolarado!
Acontece
que, a partir daquela noite, aquele astro voltou a aparecer também nas noites
seguintes. Começaram a escrever poemas sobre ele, começaram a sonhar olhando
para ele, os cachorros vadios passaram a cantar estranhamente e o mar começou a
dançar uma bela pavana. O mundo estava mudado. As pessoas não sabiam mais viver
sem aquele astro. Era fascinante quando aparecia cheio, transbordante. Mas
faltava por fim nomeá-lo efetivamente. Foi então que os mais estudiosos sobre o
assunto o nomearam de “Sol da noite”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário