segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Aperitivos - II

Sirvo aqui um pedacinho de cada um dos 3 livros já publicados no blog e deixo também o convite para quem quiser degustá-los por inteiro... Grande abraço!

PÁ VIRADA - Para baixá-lo clique aqui.

POEMA DE UM CAVALHEIRO

Ai amor meu, por que choras tanto?
Não era eu, toda a cura de teus males?
Agora sou razão de teu infindável pranto,
o desencanto que turvou teus olhos-mares?

Não chores, amor, não chores!
Olha bem para os fatos e entende.
Nunca fui rude e nem mesmo infiel.
Então, finda o choro e compreende!

Queria te dar todo o amor do mundo.
Sou cavalheiro, romântico, não cafajeste.
Mas seria, no mínimo, indelicado
devolver o que um dia tu me deste.


MONÓLOGO DE UMA VIDA - Para baixá-lo clique aqui.

(...)Entretanto, parte da platéia continua inquieta, com medo da peça. Ao perceber tanto temor, o ator resolve contar uma história, que ouvira ainda no Segundo Ato, para acalmálos de vez.

"Era uma vez um cego, surdo e mudo,
Que olhava para dentro.
Não sabia a diferença entre
Tapa e alento, mordida e beijo...
Teria que aprender a textura dos desejos.
Então, passou a apalpar as almas das pessoas.
Sentiu sonhos, paixões, medos,
Raiva e alegria escorriam entre os dedos.
Mas onde estava o amor?
Não o encontrava...
Chegou a rir por confundir com
Tantas outras texturas:
Paixão, piedade, ternura...
Até com a dor o confundira...
Com a dor, quem diria?!
Mas não, não achara o amor!
Então, num ato um tanto narcisista,
Resolveu apalpar a própria alma.
Mas não era isso, era curiosidade, teimosia,
Um ato de valentia:
Encontrar o amor, em sua forma pura e adocicada.
Apalpou, apalpou... e nada!
Entrou em pânico, em desespero,
Achava que iria morrer!
O pânico foi tanto, que como
Por milagre, por encanto,
Começou a ouvir, a falar, a ver!
Entretanto, não pôde acreditar
No que viu (emudeceu):
Todos eram cegos, surdos e mudos como ele!
Pela primeira vez na vida,
Amou...

Ninguém da platéia compreendeu nada da história, mas todos adormeceram como
crianças. João apaga a luz e sai sem fazer barulho.(...)


O POETA E O PANO
- Para baixá-lo clique aqui.

POEMA DE AÇUCAR

(Para a Luja)

Do céu,
tudo no chão parece formiga.

Do chão,
tudo no céu parece estrela.

Ao teu lado,
tudo – no chão, no céu,
tudo parece estrela.
Somente as estrelas parecem formigas
(formigas a roubar de ti pedacinhos de luz)...

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