terça-feira, 12 de novembro de 2013

Para Luja...

O que seria dos poetas sem à pessoa amada, sem a musa que inspira seus sonhos e sua vida?... Seus versos. Eis quatro poemas dedicados inteiramente àquela que amo:

Do livro "O poeta e o pano"

Poema de açucar

(Para a Luja)

Do céu,
tudo no chão parece formiga.

Do chão,
tudo no céu parece estrela.

Ao teu lado,
tudo – no chão, no céu,
tudo parece estrela.
Somente as estrelas parecem formigas
(formigas a roubar de ti pedacinhos de luz)...


De astros

(Para Luja)

Saí do teu quarto atônito, mudado.
Como se eu ou o velho mundo fosse outro.
Com a vida condensada num estado
entre sonhos e relâmpagos de ouro.

Senti-me envolto a uma áurea de gigante,
alheio a tudo que não fosse ente celeste.
Já não lembrava como a vida era antes,
se o silêncio foste tu que compuseste.

E se me perguntas para onde eu fui,
por quais caminhos rabisquei meu rastro
de felicidade e passos azuis,

eu mal me lembro dos nomes das ruas.
Só sei que saí de lá falando de astros
e com um leve sotaque da lua.


Legado

(Para Luja)

Deito ao teu lado, amor, e penso
nos deuses que agora estão
confusos a respeito do tempo,
indagando-se sobre a criação.

Tudo conforme o planejado
até que nos deitamos a dois.
O Infinito não era nosso legado,
era surpresa para depois.

Fundimos a Anímica dos deuses
com a pobre Física dos homens.
Talvez reformulem os meses,
talvez não mais os somem.

Os deuses já aceitam a Eternidade
existir em um tempo e espaço,
só não entendem, é bem verdade,
como ela coube em teu abraço.


Do livro Pá Virada:

Encontro

(Para Luja)

Guarda logo este sol!
Seca logo estes mares!
Esconde esta lua!
E o céu, de que me vale?

Desbota logo estas flores,
deixa tudo em preto e branco!
Recolhe todas as estrelas
e amontoa em qualquer canto!

As árvores, as pedras, os rios...
Enrola tudo e joga fora!
Agradeço tua intenção,
mas já estou indo embora.

Não meu Deus, não!
Pode jogar fora sem receio.
Que valor tem tudo isso
se o meu amor não veio?

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