sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Aos olhos que ficam

Para sempre, minha pequena,
Os olhos dele se fecharam...
Mas e os teus?
Peço-te que não conserves em teus olhos
As lágrimas que embaçam o pairar pleno da alegria
Não conserves também, a poeira das lembranças ultrapassadas
Que agora te ultrapassam como um comboio atroz
Não conserves neles a clareza com que
A razão cega-te aos sonhos
Nem a escuridão que empareda os teus caminhos
Proteja-os sempre da frieza com que o inverno
Abraça a vida e da dureza com que nos fita a morte.
Conserva neles, minha pequena, somente o brilho
Esse brilho que têm dois olhos
Ao apagar de outros dois olhos.

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