sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre a Paixão

Pessoal, hoje, em nosso papo de mesa, gostaria de falar um pouco dessa inesgotável fonte de poesia, desse tema infindável para os poetas: A Paixão.
Antes porém, e com o intuito de já criar uma atmosfera romântica, peço licença para por à mesa um trecho do livro que tenho como o meu favorito, uma obra literária perfeita que dispensa qualquer comentário: DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes. Transcrevo aqui, a carta que o engenhoso fidalgo, Dom Quixote, escreve à sua amada Dulcineia, incubindo seu fiel escudeiro, Sancho, de entregá-la:

CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINEIA DEL TOBOSO

"Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Tolboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e se não, faze o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida tereis satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte

O Cavaleiro da Triste Figura."

Considero essa carta um dos mais belos trechos da literatura mundial. Quanto amor, quanta paixão, quanto sofrimento não estão contidos ali?! E, acima de tudo, quanta beleza!
Mas falando especificamente do tema paixão, quanto de nós já não fomos acometidos desse belo mal, desse amado inimigo? Para fins conceituais, há de sempre distinguir o Amor e a Paixão. Esta última é, antes de tudo, definida (pelos apaixonados da razão) como uma patologia, um mal cego que nos leva a enxergar somente o colorido que brota de Dulcineia e a cometer atos descabidos a qualquer ser que se julgue racional. Um estado, geralmente, passageiro, precedente ao amor verdadeiro, ao amor pleno e banhado em razão pura.
De fato, sou impelido a concordar com essa difinição. Entretanto, posso afirmar que existe uma paixão saudável. Não esta paixão febril e cega que precede ao amor verdadeiro, mas uma paixão procedente deste amor e que segue como ele de mãos dadas como um belo casal. Uma paixão construída juntamente com o amor, banhada nas mesmas águas. Moinho e Gigante no mesmo ser!
Talvez essa paixão precendente, à primeira vista, seja essencial para quebrar nossa instintiva morbidez e iniciar um verdadeiro encontro de duas metades. Mas afirmo-lhes que não há nada, caros amigos, nada como se apaixonar à trencentésima nonagésima sexta vista!


Gostaria de informar também que um novo blog foi adicionado à lista de parceiros, o Carta a Muriel, da minha querida amiga Nina. Textos muitos bem escritos, ricos em poesia! Sou suspeito para falar, então, confira!

Grande abraço!!!!

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