terça-feira, 22 de novembro de 2011

Como acreditava Descartes


Dizem que algumas pessoas estão à frente do seu tempo. São visionárias. Só o futuro as entenderá. Elas conseguem enxergar além do agora. Eu, com certeza, não sou uma delas.
Acho que estou atrás do meu tempo. Muito atrás. Talvez uns cinquenta anos ou mais. Sinto saudade das coisas que passaram e eu não vivi. Meus olhos não enxergam muito além de ontem.
Meu coração ainda está se deliciando, de maneira inédita, com as confusões de Mazzaropi (foto). Meus ouvidos ainda têm o timbre das eletrolas e parecem cantar por si só as canções de Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Mário Reis, Vicente Celestino, Gordurinha... Meus olhos ainda necessitam serem regados por luz de lampião, para navegarem a Rússia de Dostoievski, a Bahia de Gregório e quem sabe até apoitar na Lisboa de Fernando?! Minha boca, antes de cada beijo, quer fazer serenata. E no meu carnaval, ela ainda quer cantar marchinhas.
Não desprezo o novo. Mas acho, caros amigos, que tenho mesmo a alma velha, amarrotada e empoeirada, esquecida na glândula pineal...

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