quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da imprecisão dos relógios

Nada é tão impreciso quanto os relógios. Relógios não sabem nada do tempo. Não sabem quando iremos rever um velho amigo. Não sabem quando vamos morrer de rir ou morrer de verdade. Não sabem quanto durará meu próximo beijo ou meu próximo abraço. Não sabem cronometrar saudade. Não levam em consideração o trânsito. Não sabem dar um tempo quando estamos em paz. Julgam-se sempre certos e seguem sempre em frente. Gostam de apontar para as horas, minutos, segundos, mas mal sabem apontar para o céu (os poucos que ousaram a isso e a guiarem-se pelo sol já estão quase extintos, perderam-se no tempo, ou em outras palavras, provaram do próprio veneno). Relógios odeiam surpresas e acho que sequer foram inventados no mundo dos sonhos.
Relógios pensam que sabe do tempo, mas não sabem. Eu mesmo tinha um que até bem pouco tempo atrás acreditava que eu acordava às 7:00...

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