Três poemas do livro "O poeta e o pano"...
DE ASTROS
(Para Luja)
Saí do teu quarto atônito, mudado.
Como se eu ou o velho mundo fosse outro.
Com a vida condensada num estado
entre sonhos e relâmpagos de ouro.
Senti-me envolto a uma áurea de gigante,
alheio a tudo que não fosse ente celeste.
Já não lembrava como a vida era antes,
se o silêncio foste tu que compuseste.
E se me perguntas para onde eu fui,
por quais caminhos rabisquei meu rastro
de felicidade e passos azuis,
eu mal me lembro dos nomes das ruas.
Só sei que saí de lá falando de astros
e com um leve sotaque da lua.
MODA PASSAGEIRA
Meus planos são sempre absurdos...
Não para mim, mas para os outros.
Já quis voar em bando com anjos misantropos.
Já quis barganhar meus olhos
por um saquinho de jabuticabas.
Já quis viver no escuro e andar
tranquilamente com meu coração pelado.
E quem diria?! Já quis até ser
eu mesmo num dia de chuva!
Moda passageira... Todos os planos passaram...
Restam-me algumas maquetes velhas do céu.
Mas hoje sou apenas
mais um ser ocioso e sem planos.
E para passar o tempo,
ando por aí me embebedando
com os beija-flores.
SINTOMAS
Meus poemas cheiram a café.
Meus versos têm disritmia .
Queria um coração
só para fazer poesia!
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