terça-feira, 19 de abril de 2011

Mais pra lá do que pra cá

Há pouco tempo, uma amiga minha pediu para que eu escrevesse algo sobre a educação brasileira. Não é preciso conhecer muito para saber que a nossa educação vai mal das pernas. Acatei o pedido dela, mas de antemão já deixei avisado que a minha posição, de certa forma, seria em defesa da atual educação. Creio que minha querida amiga ficou um pouco desapontada.
Mas o que eu queria dizer a ela é que a educação brasileira é bem sucedida, objetiva, pelo menos ao que se propõe.
Há uma personagem de Vitor Hugo, do livro “Os trabalhadores do mar”, chamada Deruchette. Ela foi criada por Mess Lethierry, seu tio. Esse, por sua vez, educou a sobrinha dando-lhe ocupações elegantes como música, livros e um pouco de costura. Lethierry queria preservar suas mãos delicadas, sua ternura, sua áurea de menina, sem nunca privá-la da cultura, é claro. Como escreveu o próprio Vitor Hugo, o tio “educou-a mais para ser flor do que para ser mulher”. Ao ler o livro, pode-se dizer que Lethierry foi bem sucedido.
Na educação do Brasil, acontece algo semelhante. Como já disse, ela é até bem feita, eficiente. A diferença é que o povo brasileiro é educado mais para pedra do que para homem...

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