quarta-feira, 6 de abril de 2011

O encontro de Abraão com Zeus (Parte 2 de 2)

Conforme o prometido, ponho à mesa a segunda parte desse inusitado encontro.
Grande abraço!

(...)
- Há controvérsias. Nossos mitos dizem outra coisa. Aliás, esse é outro ponto. Nossos mitos já estão bem feitos, bem estruturados. Já temos descrita e explicada toda a história da humanidade, a história de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Caiu outro raio ao lado da casa).
- Por acaso é o senhor que está jogando esses raios aí fora? É o senhor que está fazendo isso? Porque se for, poderia fazer a gentileza de parar? Está me assustando e atrapalhando a pensar.
- Desculpe, mas é inevitável quando empolgo.
- Tudo bem. Continuando... Está certo que ainda não estruturei bem as coisas, está faltando esquematizar tudo. Mas já estou pensando nisso. Inclusive já preparei uns slides mostrando a genealogia desde Adão até os dias atuais. E no mais, isso vai sendo feito aos poucos, Deus ajudará a divulgar a Sua própria palavra.
- Sei...
- Mas afinal, o que o senhor quer mesmo?
- Quero... digo, queremos que você pare de pregar sobre um só Deus!
- Não posso, iria contra minha fé, contra a vontade de Deus.
- Então, pelo menos, fale de nós, deuses gregos. Fale de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Outro raio).
- Mas que mania de raio!
- Desculpe. Mas enfim, deixe o povo escolher seu próprio deus, seja democrático.
- Esse negócio de democracia é com seus filósofos lá! Aqui não tem muito disso não, estamos mais para plutocracia ou uma teocracia mesmo.
- Você terá direito a ninfas, a cavalgar com Apolo e a passear no Olimpo.
- Isso já é suborno. É pecado.
- Você não está me dando outra alternativa além da punição.
- É isso que o senhor quer que eu pregue? Um deus punitivo, ameaçador... Meu Deus é amor, é perdão...
- Tudo bem, Abraão. Vou deixar que pregue sobre o deus que quiser. Mas não me responsabilizo pelas conseqüências... eu avise...
Zeus desapareceu... (em seguida, outro raio: Cabuuum!).
Na manhã seguinte, Abraão acordou animado para sua pregação:
- Hoje falarei de Deus. Um único Deus! Meu Deus!
E assim o fez!
Um só Deus foi pregado. O problema é que os homens fizeram desse Deus várias crenças, dessas crenças várias religiões, dessas religiões várias guerras...
Abraão, ao ver isso, sentiu-se triste. Lembrou daquela noite, das palavras de Zeus e pensou consigo: “E se eu tivesse pregado apenas sobre monólogos russos?”

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