Peço licença para pôr à mesa um trecho de mais uma obra clássica da literatura mundial, "Os trabalhadores do mar" de Victor Hugo, retirada de uma edição de 1958 com tradução de Machado de Assis:
"A morte da mãe acrabunhou o filho. Era rústico, tornou-se feroz. Completou-se-lhe o deserto. Era isolamento, tornou-se vácuo. Quando há duas criaturas, a vida é possível. Havendo uma só, parece que nem se pode arrastá-la. Renuncia-se a ela.É a primeira forma de desespero. Mais tarde compreende-se que o dever é uma série de aceites. Contempla-se a morte, contempla-se a vida, consente-se na última. Mas, é um consentimento que sangra.
Gilliatt era moço, a ferida cicatrizou. Naquela idade as carnes do coração tornam a unir-se. A tristeza, dissipando-se-lhe a pouco e pouco, misturando-se à natureza em redor dele, tornou-se uma espécie de encanto, atraiu-o para perto das cousas e longe dos homens, e amalgamaou cada vez mais aquela alma e solidão."
Um prato belo e amargo...
Aproveito a oportunidade para convidar mais uma vez todos para participarem da campanha Perca um Livro. Vamos transformar o mundo numa imensa biblioteca!
Grande abraço!
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