domingo, 26 de maio de 2013

Novo livro!

Pessoal, no dia 1 de junho este blog completará 3 anos. Antecipando as comemorações, tenho a alegria de servir aqui em nossa mesa o meu novo livro: Argumentos para amar as nuvens. Sirvam-se à vontade. Para fazer o download do livro é só clicar aqui ou no próprio nome do livro, no canto direito superior do blog.



domingo, 12 de maio de 2013

Às mães

Para homenagear todas as mamães, sirvo aqui um belo poema de Ivo Barroso chamado "Mãe":

Mãe

Mãe – quer dizer: a que sabe; a que, vendo
O bem, se alegra e, vendo o mal, perdoa.
Mãe – é a que sente, a que sofre e, sofrendo,
Tem para tudo uma palavra boa.

Mãe – é a que chora em silêncio, temendo
Que alguém lhe veja o pranto e se condoa.
Mãe – é a que embarga o seu soluço e, erguendo
O rosto, diz: “Estou chorando à-toa…”

Mãe – é a que vê no coração da gente;
A que adivinha tudo em nós, e esquece
– Qual anjo que, fiel, nos acompanhe…

E eu que já fui em outros tempos crente
E que hoje me esqueci de toda prece,
Quando quero rezar, murmuro: MÃE!

sábado, 11 de maio de 2013

Outras cozinhas (Cozinha estadunidense)



A flecha e o canto (Longfellow)

Lancei ao ar uma flecha,
Não sei onde foi cair;
Partiu veloz, que a vista
Não pôde o vôo seguir.

Ao ar desferi um canto,
Não sei onde foi cair;
Que vista aguda há que possa
Do canto o vôo seguir?

Tempos depois, num carvalho
A flecha perfeita achei;
E guardado em peito amigo
Inteiro o canto encontrei.


O coração tem bordas estreitas (Emily Dickinson)

O coração tem bordas estreitas
E, feito o mar, se mensura
Por um poderoso baixo contínuo
E monotonia azul

Até que um furacão o seccione
E, enquanto descobre
Seu insuficiente espaço,
Aprende convulsões

Que a calmaria é tão só muralha
De intocada gaze:
A pressão de um instante a destrói,
Um questionamento a esgarça.


Fogo e gelo (Robert Frost)

Uns dizem que o mundo em fogo termina,
Outros, que em gelo se apaga.
E eu já provei de desejo, que é sina
Por isso repito que em fogo termina.
Mas se mais uma vez nosso mundo se estraga,
Só sei que na vida provei tanto ódio voraz
Que posso dizer que, se em gelo se apaga,
Tanto fez como tanto faz,
Posto que tudo se acaba.


Traduções: A flecha e o canto - Lucindo Filho; O coração tem bordas estreitas - Ivo Bender; Fogo e gelo - Dirlen Loyolla

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A noite em que a lua desapareceu


Era para ser lua cheia, porém naquela noite a lua não nasceu. Mas poucos perceberam que não tinha lua e, em muitos lugares, o céu estava bastante nublado.

Os dias foram passando e a lua continuava sem aparecer. Os primeiros a sentirem falta da lua foram os amantes, os poetas, os mendigos, os cachorros vadios e as marés. Mas, logo todos já comentavam que a lua desaparecera. Há dias que o céu ao anoitecer era somente estrelas e mais nada. Especulava-se que a lua afundara no mar, ou que havia explodido silenciosamente ou ainda que, simplesmente, mudara de rota.

“Bem”, diziam os mais estudiosos sobre o assunto, “o importante é que o sol continue a nascer! É dele que a vida realmente depende. É do sol que precisamos mesmo para viver. Acostumaremos a viver sem lua!” E assim se deu.

A lua desapareceu do céu por anos. E as pessoas aos poucos foram se acostumando com a idéia. Era agora um mundo com menos poesia, com menos olhares para o céu, menos sonhos de olhos abertos, menos uivos e com um mar desritmado. Mas era bom. Era ensolarado!

Entretanto, após muitos anos, eis que numa noite tranquila a lua reapareceu. Nasceu radiante, enorme e esplendorosa! Via-se um coelho gigante estampado em sua planície circular! Todos ficaram admirando aquela bola luminosa por horas. Pouca gente se lembrava da lua. Poucos a reconheciam e sabiam como nomear aquele astro. A maioria só tinha ouvido falar de algo parecido em textos de história ou contos folclóricos. Alguns a chamaram de “Olho de Deus”, “Bola gigante que brilha” ou “Prenúncio redondo do apocalipse”. Quase ninguém a chamou de lua.

Acontece que, a partir daquela noite, aquele astro voltou a aparecer também nas noites seguintes. Começaram a escrever poemas sobre ele, começaram a sonhar olhando para ele, os cachorros vadios passaram a cantar estranhamente e o mar começou a dançar uma bela pavana. O mundo estava mudado. As pessoas não sabiam mais viver sem aquele astro. Era fascinante quando aparecia cheio, transbordante. Mas faltava por fim nomeá-lo efetivamente. Foi então que os mais estudiosos sobre o assunto o nomearam de “Sol da noite”.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Caderno da vó Elce - II

Mais um belo soneto retirado do carderno de poesia da vó Elce...

Adeus!... (Guilherme de Almeida)

Adeus!... Eu vou partir! Agora é vindo
O momento da nossa despedida.
Suportemos a dor que nos trucida
Sem prantos, sem soluços, mas... sorrindo!

De que vale chorar, minha querida,
Pelo céu deste amor que agora é findo?
De que vale chorar se o olhar curtido
Não abranda o amargor desta partida?

Amanhã é saudade, mas que importa?
A saudade do amor é como um laço
Que de longe nos prende e nos conforta.

Numa ausência, querida, o amor não morre!
Se ele vive de um beijo e de um abraço,
Viverá de uma lágrima que corre.


Pessoal, gostaria de aproveitar que hoje, dia 23 de abril, é dia internacional do livro, para refazer o convite que já fiz outras vezes aqui no blog: Vamos transformar o mundo numa grande biblioteca! Para entender melhor, conheçam o projeto "perca um livro". Já acontece em vários países do mundo e aqui no Brasil muita gente também já participa. É uma forma interessante de ler e contribuir para que outras pessoas também tenham acesso à leitura. Para entender melhor e participar, acessem o site: http://www.livr.us/. Diariamente há pessoas “perdendo” e encontrando livros através desse divertido projeto. Quem participa pode comentar, acompanhar o livro que “perdeu”... Enfim, vale a pena conhecer! E quanto mais pessoas participarem e divulgarem, melhor! Vamos transformar o mundo em uma imensa biblioteca! Feliz dia do livro para todos! Grande abraço!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quero um dia escrever...

Quero um dia escrever como quem faz um boneco de neve ou um castelo de areia. Sem qualquer perturbação, tortuosidade ou a menor impressão de que o sol está muito forte. Que eu ria junto com as palavras e me suje todo, como uma criança reinando em seu próprio quintal, maculada apenas pela tinta da caneta e o brincar...

sábado, 6 de abril de 2013

Outras cozinhas (Cozinha portuguesa)



Hoje a nossa cozinha chegou a Portugal, para servir aqui em nossa mesa três pratos bastantes saborosos. O primeiro, de António Ribeiro dos Santos, é um dos meus sonetos favoritos. O segundo é um pequeno e divertido poema de Sidónio Muralha. E o último, e não menos saboroso, é um belíssimo soneto do célebre Camões. Bom apetite!

Soneto (António Ribeiro dos Santos)

Vênus buscando a Amor andava um dia,
E a todos seus por ele procurava;
A mim me perguntou onde ele estava,
E eu lhe disse que em Lília o acharia.

À Lília corre, e vê que Amor dormia
Em seu mole regaço; vozes dava,
Por que Amor acordasse; ele acordava,
Mas ria-se da mãe e adormecia.

Por fim lhe torna: Mãe, não mais te canses,
Qu`eu há daqui não saio, ainda quando
Rogues, ou mandes, ou grilhões me lances.

Fica-te em paz, diz Vênus já voltando,
Nem tu tens melhor colo em que descanses,
Nem Lília maior bem que ter-te brando.


Boa Noite (Sidónio Muralha)

A zebra quis
ir passear
mas a infeliz
foi para a cama

— teve que se deitar
porque estava de pijama.


Soneto XIX (Camões)

Alma minha gentil que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.