sábado, 6 de abril de 2013
Outras cozinhas (Cozinha portuguesa)
Hoje a nossa cozinha chegou a Portugal, para servir aqui em nossa mesa três pratos bastantes saborosos. O primeiro, de António Ribeiro dos Santos, é um dos meus sonetos favoritos. O segundo é um pequeno e divertido poema de Sidónio Muralha. E o último, e não menos saboroso, é um belíssimo soneto do célebre Camões. Bom apetite!
Soneto (António Ribeiro dos Santos)
Vênus buscando a Amor andava um dia,
E a todos seus por ele procurava;
A mim me perguntou onde ele estava,
E eu lhe disse que em Lília o acharia.
À Lília corre, e vê que Amor dormia
Em seu mole regaço; vozes dava,
Por que Amor acordasse; ele acordava,
Mas ria-se da mãe e adormecia.
Por fim lhe torna: Mãe, não mais te canses,
Qu`eu há daqui não saio, ainda quando
Rogues, ou mandes, ou grilhões me lances.
Fica-te em paz, diz Vênus já voltando,
Nem tu tens melhor colo em que descanses,
Nem Lília maior bem que ter-te brando.
Boa Noite (Sidónio Muralha)
A zebra quis
ir passear
mas a infeliz
foi para a cama
— teve que se deitar
porque estava de pijama.
Soneto XIX (Camões)
Alma minha gentil que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
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