segunda-feira, 29 de abril de 2013

A noite em que a lua desapareceu


Era para ser lua cheia, porém naquela noite a lua não nasceu. Mas poucos perceberam que não tinha lua e, em muitos lugares, o céu estava bastante nublado.

Os dias foram passando e a lua continuava sem aparecer. Os primeiros a sentirem falta da lua foram os amantes, os poetas, os mendigos, os cachorros vadios e as marés. Mas, logo todos já comentavam que a lua desaparecera. Há dias que o céu ao anoitecer era somente estrelas e mais nada. Especulava-se que a lua afundara no mar, ou que havia explodido silenciosamente ou ainda que, simplesmente, mudara de rota.

“Bem”, diziam os mais estudiosos sobre o assunto, “o importante é que o sol continue a nascer! É dele que a vida realmente depende. É do sol que precisamos mesmo para viver. Acostumaremos a viver sem lua!” E assim se deu.

A lua desapareceu do céu por anos. E as pessoas aos poucos foram se acostumando com a idéia. Era agora um mundo com menos poesia, com menos olhares para o céu, menos sonhos de olhos abertos, menos uivos e com um mar desritmado. Mas era bom. Era ensolarado!

Entretanto, após muitos anos, eis que numa noite tranquila a lua reapareceu. Nasceu radiante, enorme e esplendorosa! Via-se um coelho gigante estampado em sua planície circular! Todos ficaram admirando aquela bola luminosa por horas. Pouca gente se lembrava da lua. Poucos a reconheciam e sabiam como nomear aquele astro. A maioria só tinha ouvido falar de algo parecido em textos de história ou contos folclóricos. Alguns a chamaram de “Olho de Deus”, “Bola gigante que brilha” ou “Prenúncio redondo do apocalipse”. Quase ninguém a chamou de lua.

Acontece que, a partir daquela noite, aquele astro voltou a aparecer também nas noites seguintes. Começaram a escrever poemas sobre ele, começaram a sonhar olhando para ele, os cachorros vadios passaram a cantar estranhamente e o mar começou a dançar uma bela pavana. O mundo estava mudado. As pessoas não sabiam mais viver sem aquele astro. Era fascinante quando aparecia cheio, transbordante. Mas faltava por fim nomeá-lo efetivamente. Foi então que os mais estudiosos sobre o assunto o nomearam de “Sol da noite”.

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