Não me conta da lua, do fundo, do inverno
e nem das cantigas das ondas,
do mar em seu choro eterno,
não me conta!
Não me conta nada sobre o infinito
nem me pergunta das horas.
Beija-me agora, eu suplico!
Sim! Agora!
Deixa em segredo minha solidão.
Que os vergéis só conheçam flores!
O céu, só estrelas! Meu coração,
só amores!
terça-feira, 1 de maio de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Livros
Pessoal, compartilho aqui com vocês mais uma vez os links para download dos meus livros. Os livros estão hospedados no 4shared. Há algum tempo o site começou a pedir que se faça um login para download, mas quem não tem conta no 4shared pode fazer o login com a conta do gmail ou facebook mesmo. Grande abraço e boa leitura!
Pá Virada
Monólogo de uma vida: a trágica rapsódia de uma platéia sem assento.
O poeta e o pano
Aproveito também para divulgar mais uma vez a campanha perca um livro. Para quem não conhece, acesse o site e dê uma olhada, vale muito a pena participar e levar essa idéia adiante.
Site:www.livr.us/
Pá Virada
Monólogo de uma vida: a trágica rapsódia de uma platéia sem assento.
O poeta e o pano
Aproveito também para divulgar mais uma vez a campanha perca um livro. Para quem não conhece, acesse o site e dê uma olhada, vale muito a pena participar e levar essa idéia adiante.
Site:www.livr.us/
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Outras cozinhas (Alphonsus, Laurindo e Cecília)
Ismália (Alphonsus de Guimaraens)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Conta e tempo (Laurindo Rabelo)
Deus pede estrita a conta de meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas como dar, em tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis sobrando tempo, fazer conta;
Quero hoje fazer conta e falta tempo.
Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis êsse tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Mas oh! Se os que contam com seu tempo
Fizessem dêsse tempo alguma conta,
Não choravam como eu, o não ter tempo.
Murmúrio (Cecílcia Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Conta e tempo (Laurindo Rabelo)
Deus pede estrita a conta de meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas como dar, em tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis sobrando tempo, fazer conta;
Quero hoje fazer conta e falta tempo.
Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis êsse tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Mas oh! Se os que contam com seu tempo
Fizessem dêsse tempo alguma conta,
Não choravam como eu, o não ter tempo.
Murmúrio (Cecílcia Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
terça-feira, 10 de abril de 2012
Tosse e poesia
Estive limpando e lendo alguns livros antigos de poesia que encontrei na casa de meu avô. Mas foi preciso parar, pois em pouco tempo eu já estava tossindo incessantemente. O cheiro, a poeira que vinha dos livros era quase insuportável e poderia me causar uma doença respiratória mais grave.
E nessa mistura de tosse e poesia, acabei lembrando-me de nossos inúmeros poetas que foram mortos pela tuberculose. Muitos deles, antes mesmo de completarem trinta anos. A lista é imensa: Álvarez de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871), Cruz e Souza (1864-1898), Augusto dos Anjos (1884-1914), e tantos outros.
Havia, em épocas passadas, quem acreditasse que a poesia era uma das causas da tuberculose, ou pelo menos, um de seus sintomas. Mas hoje os tempos são outros. Tuberculose e poesia tomaram caminhos diferentes. A tuberculose já tem tratamento e não mata mais em níveis tão alarmantes. Os nossos poetas estão vivendo mais. Quanto à poesia, ainda não tem tratamento, continua incurável e contagiosa. Eis aqui uma belíssima forma de contágio:
Ilusões da vida (Francisco Otaviano)
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.
E nessa mistura de tosse e poesia, acabei lembrando-me de nossos inúmeros poetas que foram mortos pela tuberculose. Muitos deles, antes mesmo de completarem trinta anos. A lista é imensa: Álvarez de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871), Cruz e Souza (1864-1898), Augusto dos Anjos (1884-1914), e tantos outros.
Havia, em épocas passadas, quem acreditasse que a poesia era uma das causas da tuberculose, ou pelo menos, um de seus sintomas. Mas hoje os tempos são outros. Tuberculose e poesia tomaram caminhos diferentes. A tuberculose já tem tratamento e não mata mais em níveis tão alarmantes. Os nossos poetas estão vivendo mais. Quanto à poesia, ainda não tem tratamento, continua incurável e contagiosa. Eis aqui uma belíssima forma de contágio:
Ilusões da vida (Francisco Otaviano)
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Quem ama sopra
Meu estômago está queimando. Não costumo sentir azias ou coisas do tipo, mas acho que essa queimação é consequência de uma pequena aventura pela culinária baiana.
O estômago é o órgão incendiário. Deixando de lado alguns pratos “arretados”, quem nunca sentiu o estômago queimar, arder por uma paixão? O fogo da paixão também arde no estômago. Por uma questão talvez poética, preferiu-se considerar o coração o órgão da paixão, símbolo dos apaixonados. Porém, quem realmente se inflama com uma boa paixão é o estômago. Mas vá lá, que considerem mesmo como símbolo o coração! Afinal, seria bastante estranho um casal apaixonado cravar numa árvore um estômago com seus nomes no meio.
Fato é que, tanto para acarajés ou para paixões, o estômago pede sopro. Cabe a nós distinguirmos a sutil diferença entre os sopros pedidos: o estômago que queima por azia pede um sopro que apague de vez o fogo. O estômago apaixonado pede um sopro mais brando, que deixe a brasa sempre acesa. Pede o sopro de quem ama. E eu afirmo aos estômagos apaixonados: o amor sabe soprar como um bom churrasqueiro...
O estômago é o órgão incendiário. Deixando de lado alguns pratos “arretados”, quem nunca sentiu o estômago queimar, arder por uma paixão? O fogo da paixão também arde no estômago. Por uma questão talvez poética, preferiu-se considerar o coração o órgão da paixão, símbolo dos apaixonados. Porém, quem realmente se inflama com uma boa paixão é o estômago. Mas vá lá, que considerem mesmo como símbolo o coração! Afinal, seria bastante estranho um casal apaixonado cravar numa árvore um estômago com seus nomes no meio.
Fato é que, tanto para acarajés ou para paixões, o estômago pede sopro. Cabe a nós distinguirmos a sutil diferença entre os sopros pedidos: o estômago que queima por azia pede um sopro que apague de vez o fogo. O estômago apaixonado pede um sopro mais brando, que deixe a brasa sempre acesa. Pede o sopro de quem ama. E eu afirmo aos estômagos apaixonados: o amor sabe soprar como um bom churrasqueiro...
sexta-feira, 2 de março de 2012
Outras cozinhas (sobre o mar)
O Homem e o Mar (Baudelaire - Tradução: Ivo Barroso)
Homem livre, hás de sempre estremecer o mar!
O mar é teu espelho, e assim tu’alma sondas
Nesse desenrolar das infinitas ondas,
Pois também és um golfo amargo e singular.
Apraz-te mergulhar ao fundo de tua imagem!
Nos braços e no olhar a tens; teu coração
Às vezes se distrai da interna agitação
Ouvindo a sua queixa indômita e selvagem.
Sempre fostes os dois reservados e tredos:
Homem – ninguém sondou as tuas profundezas;
Mar – ninguém te conhece as íntimas riquezas;
Tão zelosos que sois de guardar tais segredos.
Já séculos se vão, contudo, inumeráveis
Em que lutais sem dó um combate de fortes;
E como vós amais os massacres e as mortes,
Ó eternos rivais, ó irmãos implacáveis!
Mar português (Fernando Pessoa)
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Cantigas Praianas: I- Ouves acaso quando entardece (Vicente de Carvalho)
Ouves acaso quando entardece
Vago murmúrio que vem do mar,
Vago murmúrio que mais parece
Voz de uma prece
Morrendo no ar?
Beijando a areia, batendo as fráguas,
Choram as ondas; choram em vão:
O inútil choro das tristes águas
Enche de mágoas
A solidão...
Duvidas que haja clamor no mundo
Mais vão, mais triste que esse clamor?
Ouve que vozes de moribundo
Sobem do fundo
Do meu amor.
Homem livre, hás de sempre estremecer o mar!
O mar é teu espelho, e assim tu’alma sondas
Nesse desenrolar das infinitas ondas,
Pois também és um golfo amargo e singular.
Apraz-te mergulhar ao fundo de tua imagem!
Nos braços e no olhar a tens; teu coração
Às vezes se distrai da interna agitação
Ouvindo a sua queixa indômita e selvagem.
Sempre fostes os dois reservados e tredos:
Homem – ninguém sondou as tuas profundezas;
Mar – ninguém te conhece as íntimas riquezas;
Tão zelosos que sois de guardar tais segredos.
Já séculos se vão, contudo, inumeráveis
Em que lutais sem dó um combate de fortes;
E como vós amais os massacres e as mortes,
Ó eternos rivais, ó irmãos implacáveis!
Mar português (Fernando Pessoa)
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Cantigas Praianas: I- Ouves acaso quando entardece (Vicente de Carvalho)
Ouves acaso quando entardece
Vago murmúrio que vem do mar,
Vago murmúrio que mais parece
Voz de uma prece
Morrendo no ar?
Beijando a areia, batendo as fráguas,
Choram as ondas; choram em vão:
O inútil choro das tristes águas
Enche de mágoas
A solidão...
Duvidas que haja clamor no mundo
Mais vão, mais triste que esse clamor?
Ouve que vozes de moribundo
Sobem do fundo
Do meu amor.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O cinema dos anjos
No céu, os anjos são fascinados pela sétima arte. Adoram cinema e tudo que o envolve. Além dos já conhecidos anjos da guarda, há também os anjos roteiristas, os editores, os diretores, os câmeras e até alguns que se arriscam a dar uma de ator. É essa turma de anjos adoradores de cinema a responsável por criar e passar aquele filmezinho de nossa vida, que é rodado rapidinho diante de nossos olhos, quando estamos à beira da morte. Eles sabem muito bem quais cenas pôr no filme. Mas mesmo confiando muito no gosto dos anjos, gostaria de dar algumas sugestões para quando forem passar o meu filme:
Queria que meu filme fosse rodado ao estilo cinema antigo, nesses rolos que arrebentam toda hora. Nada de efeitos especiais. Podem passar a minha vida em preto e branco, com muitos chuviscos na tela. Sem falas, cinema mudo. Até porque acho que minha vida sempre será mais silêncios do que falas e, pelo menos para mim, as cenas não precisam de traduções ou legendas, acho que darei conta de entender as imagens por si só. Ah, uma coisa importante é a trilha sonora. Apesar do filme ser mudo, podem pôr uma música mais para o fim do filme, algo do tipo moda de viola. E já que estamos falando do fim do filme, façam como escrevi em versos há um tempo, deixem as últimas cenas mostrando apenas o céu. Após as clássicas cenas em família, terminem com cenas do céu cheio de nuvens e com os versos em letras garrafais:
“Sua vida não valeu a pena,
sua vida valeu a pena e o papel.”
Imagino mais ou menos assim o meu filme. Mas é só uma sugestão e, que fique bem claro, não estou ansioso para a estréia.
Queria aproveitar a oportunidade para compartilhar com vocês uma nova cozinha. Nesse carnaval tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com o escritor Wellington Coelho. Wellington escreve contos e poemas extremamente interessantes e que valem muito a pena conferir. Para tal, compartilho com vocês o site desse grande escritor: www.wellingtoncoelho.com
Bom apetite!
Queria que meu filme fosse rodado ao estilo cinema antigo, nesses rolos que arrebentam toda hora. Nada de efeitos especiais. Podem passar a minha vida em preto e branco, com muitos chuviscos na tela. Sem falas, cinema mudo. Até porque acho que minha vida sempre será mais silêncios do que falas e, pelo menos para mim, as cenas não precisam de traduções ou legendas, acho que darei conta de entender as imagens por si só. Ah, uma coisa importante é a trilha sonora. Apesar do filme ser mudo, podem pôr uma música mais para o fim do filme, algo do tipo moda de viola. E já que estamos falando do fim do filme, façam como escrevi em versos há um tempo, deixem as últimas cenas mostrando apenas o céu. Após as clássicas cenas em família, terminem com cenas do céu cheio de nuvens e com os versos em letras garrafais:
“Sua vida não valeu a pena,
sua vida valeu a pena e o papel.”
Imagino mais ou menos assim o meu filme. Mas é só uma sugestão e, que fique bem claro, não estou ansioso para a estréia.
Queria aproveitar a oportunidade para compartilhar com vocês uma nova cozinha. Nesse carnaval tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com o escritor Wellington Coelho. Wellington escreve contos e poemas extremamente interessantes e que valem muito a pena conferir. Para tal, compartilho com vocês o site desse grande escritor: www.wellingtoncoelho.com
Bom apetite!
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