terça-feira, 10 de abril de 2012

Tosse e poesia

Estive limpando e lendo alguns livros antigos de poesia que encontrei na casa de meu avô. Mas foi preciso parar, pois em pouco tempo eu já estava tossindo incessantemente. O cheiro, a poeira que vinha dos livros era quase insuportável e poderia me causar uma doença respiratória mais grave.
E nessa mistura de tosse e poesia, acabei lembrando-me de nossos inúmeros poetas que foram mortos pela tuberculose. Muitos deles, antes mesmo de completarem trinta anos. A lista é imensa: Álvarez de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871), Cruz e Souza (1864-1898), Augusto dos Anjos (1884-1914), e tantos outros.
Havia, em épocas passadas, quem acreditasse que a poesia era uma das causas da tuberculose, ou pelo menos, um de seus sintomas. Mas hoje os tempos são outros. Tuberculose e poesia tomaram caminhos diferentes. A tuberculose já tem tratamento e não mata mais em níveis tão alarmantes. Os nossos poetas estão vivendo mais. Quanto à poesia, ainda não tem tratamento, continua incurável e contagiosa. Eis aqui uma belíssima forma de contágio:

Ilusões da vida (Francisco Otaviano)

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.

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