Caros arqueólogos e simpatizantes,
parem com essa bobagem de procurar o “elo perdido”! Nunca perdemos o elo com os animais, com os primatas. Somos os mesmos homens de sempre (talvez mais eretos e menos emotivos). O que perdemos foi o elo com o outro mundo, com os sonhos, com as coisas que não existem. Estamos na “era do coração de pedra”.
Inventamos a roda, mas perdemos a direção. Inventamos a lâmpada, mas perdemos as estrelas. Inventamos o telefone, mas perdemos as palavras. Inventamos o avião, mas atropelamos os anjos... Aprendemos a contar, calcular, medir e criamos uma espécie de fita métrica para o céu, para nos certificarmos de que aquele pedaço de azul cabe em nosso poema em redondilha maior. Trocamos cinco palmos de poesia por dois dedos de prosa apressados. Sabemos exatamente quantos copos d’água nossa flor no vaso necessita, mas esquecemos qual a nossa dose diária de flores para sobreviver.
Experimentem um dia escavar livros! Não os seus próprios livros, mas esses livros rasos que algumas crianças guardam como tesouros. Nossa história não está numa ossada enterrada no barro, está manchada à tinta no papel. Nesses papéis de histórias inventadas. Nossos ancestrais são deuses, ninfas, Otelo, Pinóquio, Dorian Gray, Dom Quixote (esse último considero da família) etc. Talvez muitas pessoas duvidem, mas alguns de nossos ancestrais tinham asas. Porém, deu-se a evolução e as perdemos. Agora estamos a pouco de perder o siso.
Por isso, mais uma vez, peço encarecidamente que parem de procurar dinossauros, primatas, ossadas de qualquer espécie e vão todos procurar suas almas peludas!
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