Meu fiel carderno, que me acompanhou durante anos, onde eu escrevia poemas, pensamentos, lembretes e etc, chegou ao fim. A maioria dos meus poemas, das coisas que sirvo aqui em nossa mesa, foi escrita nele. Agora vou guardá-lo cuidadosamente, zelando pelas suas páginas já fragilizadas.
Há nele também muitos esboços de poemas, tentativas não tão bem sucedidas de expressar-me. Muitas palavras vão ficar só com ele. Porém, antes de aposentá-lo oficialmente, selecionei aqui algumas dessas palavras, desses versos que, como um gesto de homenagem, gostaria de compartilhar com vocês. Grande abraço!
Poema de Esquina
Estou propenso à esquiva,
ao abrigo reto da esquina.
Quero o encontro no vértice,
sem sinapse entre as quinas.
Calcularei a distância segura.
Se dou pé nas suas palavras,
Se aturo me ater nas alturas.
Dessa vez quero ter chão
ao alcance da alma.
Soletre cada silêncio,
quero o infinito com calma.
E não, não apresse o contato.
Deixe os corpos para os ouvidos.
Deixe os olhos usarem o tato.
Minas de fios
Aquele que vai ali
é homem desconfiado,
do papo fiado,
do chapéu desfiado.
Aquele que vai ali
é da graça afiada,
da viola afinada,
da fé e mais nada.
Aquele que vai ali
é das Minas de fio,
é fiote das Gerais...
Sadomasoquismo no sertão
Não que eu goste da dor
nem que queira ser santo,
mas não há uma só alegria
que quebre o prazer e o encanto
de ver a tarde morrendo
com uma viola em pranto...
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