Para nosso prato dominical, gostaria de servir um dos meus poemas favoritos, "As tres irmans do poeta", de Castro Alves. Para pô-lo à mesa, mantenho-me fiel à edição de 1989 de onde o retirei. De acompanhamento, vai a narração feita pelo grande músico e poeta Elomar. Bom apetite!
AS TRES IRMANS DO POETA (Traduzido de E. BERTHOUD)
É noite! as sombras correm nebulosas.
Vão tres pallidas virgens silenciosas
Atravez da procella irrequieta.
Vão tres pallidas virgens... vão sombrias
Rindo colar n’um beijo as bocas frias ...
Na fronte cismadora do — Poeta —
"Saude, irmão, eu sou a Indifferença.
Sou eu quem te sepulta a ideia immensa,
Quem no teu nome a escuridão projecta...
Fui eu que te vesti do meu sudario...
Que vais fazer tão triste e solitario?. . ."
— "Eu lutarei!" — responde-lhe o Poeta.
"Saude, meu irmão! Eu sou a Fome.
Sou eu quem o teu negro pão consome...
O teu misero pão, misero athleta!
Hoje, amanhan, depois... depois (qu'importa?)
Virei sempre sentar-me á tua porta. . ."
—“Eu soffrerei!” — responde-lhe o Poeta.
"Saude, meu irmão! Eu sou a Morte.
Suspende em meio o hymno augusto e forte.
Marquei-te a fronte, misero propheta!
Volve ao nada! Não sentes neste enleio
Teu cantico gelar-se no meu seio?!"
— "Eu cantarei no céu" — responde-lhe o Poeta!
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