Gostaria de aproveitar o tema “mar”, servido no último prato, para falar aqui de um dos grandes nomes da poesia brasileira, Vicente de Carvalho, o Poeta do Mar.
Nascido em Santos, no dia 5 de abril de 1866, o poeta fez parte do movimento parnasianista no Brasil. Como o grande tema em suas obras era o “mar”, Vicente também ficou conhecido como o Poeta do Mar.
Ao longo de sua vida, esse ilustre poeta parnasianista publicou vários livros, dentre eles o chamado “Rosa, rosa de amor” (1902), do qual extraí o belíssimo poema “A fonte e a flor” para servir aqui em nossa mesa.
Vicente faleceu em sua cidade natal, no dia 22 de abril de 1924, mas sua cozinha continua sempre aberta àqueles que quiserem degustar de sua obra. Bom apetite!
A fonte e a flor
"Deixa-me, fonte!", dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!"
Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte.
Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!"
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!"
.........
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor.
Sempre admirável!
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