Caminhava pela rua Saudade
E num verso, tropecei distraído.
Ah se fosse um versinho de amor...
Como, meu Deus, como teria doído!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Mais pra lá do que pra cá
Há pouco tempo, uma amiga minha pediu para que eu escrevesse algo sobre a educação brasileira. Não é preciso conhecer muito para saber que a nossa educação vai mal das pernas. Acatei o pedido dela, mas de antemão já deixei avisado que a minha posição, de certa forma, seria em defesa da atual educação. Creio que minha querida amiga ficou um pouco desapontada.
Mas o que eu queria dizer a ela é que a educação brasileira é bem sucedida, objetiva, pelo menos ao que se propõe.
Há uma personagem de Vitor Hugo, do livro “Os trabalhadores do mar”, chamada Deruchette. Ela foi criada por Mess Lethierry, seu tio. Esse, por sua vez, educou a sobrinha dando-lhe ocupações elegantes como música, livros e um pouco de costura. Lethierry queria preservar suas mãos delicadas, sua ternura, sua áurea de menina, sem nunca privá-la da cultura, é claro. Como escreveu o próprio Vitor Hugo, o tio “educou-a mais para ser flor do que para ser mulher”. Ao ler o livro, pode-se dizer que Lethierry foi bem sucedido.
Na educação do Brasil, acontece algo semelhante. Como já disse, ela é até bem feita, eficiente. A diferença é que o povo brasileiro é educado mais para pedra do que para homem...
Mas o que eu queria dizer a ela é que a educação brasileira é bem sucedida, objetiva, pelo menos ao que se propõe.
Há uma personagem de Vitor Hugo, do livro “Os trabalhadores do mar”, chamada Deruchette. Ela foi criada por Mess Lethierry, seu tio. Esse, por sua vez, educou a sobrinha dando-lhe ocupações elegantes como música, livros e um pouco de costura. Lethierry queria preservar suas mãos delicadas, sua ternura, sua áurea de menina, sem nunca privá-la da cultura, é claro. Como escreveu o próprio Vitor Hugo, o tio “educou-a mais para ser flor do que para ser mulher”. Ao ler o livro, pode-se dizer que Lethierry foi bem sucedido.
Na educação do Brasil, acontece algo semelhante. Como já disse, ela é até bem feita, eficiente. A diferença é que o povo brasileiro é educado mais para pedra do que para homem...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Quadrúpede Peculiar
Mais um pequeno poema para degustação...
O poeta tem trejeito estranho,
parece andar sempre distraído.
Mas basta encontrar outro estranho,
para perceber que seu passo é desmedido.
Se continua a caminhar em tal compasso,
chega em uma irresolúvel questão:
Se perdeu a medida dos seus passos
ou se trocou os pés pelas mãos.
É provável que siga sempre questionando,
Pois poeta é um quadrúpede peculiar:
Ora usa as mãos para ir andando,
ora usa os pés para voar.
Queria aproveitar a oportunidade para divulgar aqui um grande espetáculo que ocorrerá neste fim de semana em BH, dia 16 e 17 de abril. O espetáculo é "O Auto da Catingueira", de Elomar Figueira Mello, grande violeiro e poeta do sertão. O espetáculo será realizado no Palácio das Artes e "comemora os 40 anos de escrita do auto e terá ainda a gravação de um DVD. Junto de Elomar sobem ao palco Saulo Laranjeira, Xangai, Dercio Marques, Luciana Monteiro e os músicos João Omar, Marcelo Bernardes e Ocelo Mendonça, além da participação dos bonecos do Grupo Giramundo.
Escrito em cinco atos, O Auto da Catingueira é construído em linguagem dialetal, que é mescla da expressão regional nordestina com a preservação ibérica, no sertão baiano. Narra a saga de Dassanta, pastora de cabras, de seu mundo real e mítico, e das paixões que inspirou, com sua beleza que “matava mais qui cobra de lagêdo”." (Trecho transcrito do site do Palácio das Artes). Vale a pena conferir! Grande abraço!
O poeta tem trejeito estranho,
parece andar sempre distraído.
Mas basta encontrar outro estranho,
para perceber que seu passo é desmedido.
Se continua a caminhar em tal compasso,
chega em uma irresolúvel questão:
Se perdeu a medida dos seus passos
ou se trocou os pés pelas mãos.
É provável que siga sempre questionando,
Pois poeta é um quadrúpede peculiar:
Ora usa as mãos para ir andando,
ora usa os pés para voar.
Queria aproveitar a oportunidade para divulgar aqui um grande espetáculo que ocorrerá neste fim de semana em BH, dia 16 e 17 de abril. O espetáculo é "O Auto da Catingueira", de Elomar Figueira Mello, grande violeiro e poeta do sertão. O espetáculo será realizado no Palácio das Artes e "comemora os 40 anos de escrita do auto e terá ainda a gravação de um DVD. Junto de Elomar sobem ao palco Saulo Laranjeira, Xangai, Dercio Marques, Luciana Monteiro e os músicos João Omar, Marcelo Bernardes e Ocelo Mendonça, além da participação dos bonecos do Grupo Giramundo.
Escrito em cinco atos, O Auto da Catingueira é construído em linguagem dialetal, que é mescla da expressão regional nordestina com a preservação ibérica, no sertão baiano. Narra a saga de Dassanta, pastora de cabras, de seu mundo real e mítico, e das paixões que inspirou, com sua beleza que “matava mais qui cobra de lagêdo”." (Trecho transcrito do site do Palácio das Artes). Vale a pena conferir! Grande abraço!
domingo, 10 de abril de 2011
Festa Brasileira (Completa)
Para nosso prato dominical, ponho à mesa a versão integral de "Festa Brasileira", que já havia sido servida no blog, mas em 4 partes. Grande abraço!
Chegou por aqui Cabral,
Por volta de mil e quinhentos,
Em três caravelas de pau,
Pau-Brasil era outros quinhentos.
Trazia consigo a coroa
Do primeiro João da Bahia.
Os daqui estavam na boa,
Eram só Josés e Marias.
Ainda não tinham Jesus
E sabe lá se tiveram!
Só conheceram a cruz
E os pecados dos que vieram.
O encontro foi cordial,
Abraço pra lá, laço pra cá.
“Bem-vindo, seu Portugal,
Faça o favor, queira entrar!”
Após muito ter navegado,
Cabral aceitou o convite:
“Meus marujos estão bem cansados,
E já que o senhor insiste!”
Foi todo mundo pra rede,
Dormir e comer mamão,
Mas os homens também tinham sede.
Tinham fome, sede e tesão.
E assim ficaram por dias,
Aos cuidados do anfitrião.
Como eram belas as Índias!
Pobre Vasco sem direção!
Mas deu-se um dia qualquer,
Que Cabral acordou arretado.
E erguendo sua colher,
Gritou p’rum sujeito pelado:
“Vai chamar logo o povo!
Vamos acabar com a preguiça!
Se Colombo brinca com ovo,
Nós rezamos uma missa!”
O padre veio apressado,
Com sua cruz e sua viola:
“Deixemos a missa de lado,
Um boa moda consola!”
A idéia de fato servira.
Todos ao redor da fogueira
Cantando e dançando catira,
Como um Fado à brasileira.
Outra vez se mordeu a maçã,
Como Adão fez no início.
Aos poucos esqueceram Tupã:
“Três vivas para Dionísio!”
Mas o belo luar de prata
Foi se tornando de ouro
E a moda que consolava,
Passou a arrancar o couro.
Tupã se escondeu na floresta,
Vendo sua família aos pedaços,
Esperando pelo fim da festa
Com alguns de seus filhos no braço.
Mas a festa se arrastou por anos,
Com muito mais convidados:
Holandeses, alemães, africanos...
Foliões de todos os lados.
Aí começou a mistura.
“Ninguém é de ninguém!”
Exceto os de pele escura.
Esses eram sempre de alguém.
Até Dom Pedro que mal chegara,
Também entrou no clima.
Subiu num pau-de-arara
E então bradou lá de cima:
“Portugal marcou meu horário,
Ameaçou me pôr de castigo.
Mas desta festa eu não saio,
Digam ao velho que fico!”
E vendo o povo empolgado,
Continuou o seu discurso
Num tom ainda mais alto,
Com um sotaque bem luso:
“Já me enjoei desse vinho!
Quero algo mais forte!
Ouça bem Portugal:
Caipirinha ou Morte!”
Então veio dona Isabel,
Numa ginga bem brasileira,
E assinou um papel
Para o povo dançar capoeira.
Formou-se uma grande roda
Para todo mundo dançar,
Mas uns queriam a moda:
“A viola não pode parar!”
Foi quando um sujeito alterado
Gritou, já com as pernas bambas:
“Aqui está tudo errado,
O negócio é fazer samba!”
E já com a cuíca na mão,
Mandou improvisar o batuque.
Era para ser no latão,
Mas saiu tapa, murro e chute.
E o Brasil foi se construindo
De viola, berimbau e cuíca.
E a festa sempre seguindo...
Se pára, não tem um que fica!
(Fim)
(... mas a festa continua)
Chegou por aqui Cabral,
Por volta de mil e quinhentos,
Em três caravelas de pau,
Pau-Brasil era outros quinhentos.
Trazia consigo a coroa
Do primeiro João da Bahia.
Os daqui estavam na boa,
Eram só Josés e Marias.
Ainda não tinham Jesus
E sabe lá se tiveram!
Só conheceram a cruz
E os pecados dos que vieram.
O encontro foi cordial,
Abraço pra lá, laço pra cá.
“Bem-vindo, seu Portugal,
Faça o favor, queira entrar!”
Após muito ter navegado,
Cabral aceitou o convite:
“Meus marujos estão bem cansados,
E já que o senhor insiste!”
Foi todo mundo pra rede,
Dormir e comer mamão,
Mas os homens também tinham sede.
Tinham fome, sede e tesão.
E assim ficaram por dias,
Aos cuidados do anfitrião.
Como eram belas as Índias!
Pobre Vasco sem direção!
Mas deu-se um dia qualquer,
Que Cabral acordou arretado.
E erguendo sua colher,
Gritou p’rum sujeito pelado:
“Vai chamar logo o povo!
Vamos acabar com a preguiça!
Se Colombo brinca com ovo,
Nós rezamos uma missa!”
O padre veio apressado,
Com sua cruz e sua viola:
“Deixemos a missa de lado,
Um boa moda consola!”
A idéia de fato servira.
Todos ao redor da fogueira
Cantando e dançando catira,
Como um Fado à brasileira.
Outra vez se mordeu a maçã,
Como Adão fez no início.
Aos poucos esqueceram Tupã:
“Três vivas para Dionísio!”
Mas o belo luar de prata
Foi se tornando de ouro
E a moda que consolava,
Passou a arrancar o couro.
Tupã se escondeu na floresta,
Vendo sua família aos pedaços,
Esperando pelo fim da festa
Com alguns de seus filhos no braço.
Mas a festa se arrastou por anos,
Com muito mais convidados:
Holandeses, alemães, africanos...
Foliões de todos os lados.
Aí começou a mistura.
“Ninguém é de ninguém!”
Exceto os de pele escura.
Esses eram sempre de alguém.
Até Dom Pedro que mal chegara,
Também entrou no clima.
Subiu num pau-de-arara
E então bradou lá de cima:
“Portugal marcou meu horário,
Ameaçou me pôr de castigo.
Mas desta festa eu não saio,
Digam ao velho que fico!”
E vendo o povo empolgado,
Continuou o seu discurso
Num tom ainda mais alto,
Com um sotaque bem luso:
“Já me enjoei desse vinho!
Quero algo mais forte!
Ouça bem Portugal:
Caipirinha ou Morte!”
Então veio dona Isabel,
Numa ginga bem brasileira,
E assinou um papel
Para o povo dançar capoeira.
Formou-se uma grande roda
Para todo mundo dançar,
Mas uns queriam a moda:
“A viola não pode parar!”
Foi quando um sujeito alterado
Gritou, já com as pernas bambas:
“Aqui está tudo errado,
O negócio é fazer samba!”
E já com a cuíca na mão,
Mandou improvisar o batuque.
Era para ser no latão,
Mas saiu tapa, murro e chute.
E o Brasil foi se construindo
De viola, berimbau e cuíca.
E a festa sempre seguindo...
Se pára, não tem um que fica!
(Fim)
(... mas a festa continua)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
O encontro de Abraão com Zeus (Parte 2 de 2)
Conforme o prometido, ponho à mesa a segunda parte desse inusitado encontro.
Grande abraço!
(...)
- Há controvérsias. Nossos mitos dizem outra coisa. Aliás, esse é outro ponto. Nossos mitos já estão bem feitos, bem estruturados. Já temos descrita e explicada toda a história da humanidade, a história de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Caiu outro raio ao lado da casa).
- Por acaso é o senhor que está jogando esses raios aí fora? É o senhor que está fazendo isso? Porque se for, poderia fazer a gentileza de parar? Está me assustando e atrapalhando a pensar.
- Desculpe, mas é inevitável quando empolgo.
- Tudo bem. Continuando... Está certo que ainda não estruturei bem as coisas, está faltando esquematizar tudo. Mas já estou pensando nisso. Inclusive já preparei uns slides mostrando a genealogia desde Adão até os dias atuais. E no mais, isso vai sendo feito aos poucos, Deus ajudará a divulgar a Sua própria palavra.
- Sei...
- Mas afinal, o que o senhor quer mesmo?
- Quero... digo, queremos que você pare de pregar sobre um só Deus!
- Não posso, iria contra minha fé, contra a vontade de Deus.
- Então, pelo menos, fale de nós, deuses gregos. Fale de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Outro raio).
- Mas que mania de raio!
- Desculpe. Mas enfim, deixe o povo escolher seu próprio deus, seja democrático.
- Esse negócio de democracia é com seus filósofos lá! Aqui não tem muito disso não, estamos mais para plutocracia ou uma teocracia mesmo.
- Você terá direito a ninfas, a cavalgar com Apolo e a passear no Olimpo.
- Isso já é suborno. É pecado.
- Você não está me dando outra alternativa além da punição.
- É isso que o senhor quer que eu pregue? Um deus punitivo, ameaçador... Meu Deus é amor, é perdão...
- Tudo bem, Abraão. Vou deixar que pregue sobre o deus que quiser. Mas não me responsabilizo pelas conseqüências... eu avise...
Zeus desapareceu... (em seguida, outro raio: Cabuuum!).
Na manhã seguinte, Abraão acordou animado para sua pregação:
- Hoje falarei de Deus. Um único Deus! Meu Deus!
E assim o fez!
Um só Deus foi pregado. O problema é que os homens fizeram desse Deus várias crenças, dessas crenças várias religiões, dessas religiões várias guerras...
Abraão, ao ver isso, sentiu-se triste. Lembrou daquela noite, das palavras de Zeus e pensou consigo: “E se eu tivesse pregado apenas sobre monólogos russos?”
Grande abraço!
(...)
- Há controvérsias. Nossos mitos dizem outra coisa. Aliás, esse é outro ponto. Nossos mitos já estão bem feitos, bem estruturados. Já temos descrita e explicada toda a história da humanidade, a história de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Caiu outro raio ao lado da casa).
- Por acaso é o senhor que está jogando esses raios aí fora? É o senhor que está fazendo isso? Porque se for, poderia fazer a gentileza de parar? Está me assustando e atrapalhando a pensar.
- Desculpe, mas é inevitável quando empolgo.
- Tudo bem. Continuando... Está certo que ainda não estruturei bem as coisas, está faltando esquematizar tudo. Mas já estou pensando nisso. Inclusive já preparei uns slides mostrando a genealogia desde Adão até os dias atuais. E no mais, isso vai sendo feito aos poucos, Deus ajudará a divulgar a Sua própria palavra.
- Sei...
- Mas afinal, o que o senhor quer mesmo?
- Quero... digo, queremos que você pare de pregar sobre um só Deus!
- Não posso, iria contra minha fé, contra a vontade de Deus.
- Então, pelo menos, fale de nós, deuses gregos. Fale de Zeus, o Senhor do Olimpo! (Cabuuum! Outro raio).
- Mas que mania de raio!
- Desculpe. Mas enfim, deixe o povo escolher seu próprio deus, seja democrático.
- Esse negócio de democracia é com seus filósofos lá! Aqui não tem muito disso não, estamos mais para plutocracia ou uma teocracia mesmo.
- Você terá direito a ninfas, a cavalgar com Apolo e a passear no Olimpo.
- Isso já é suborno. É pecado.
- Você não está me dando outra alternativa além da punição.
- É isso que o senhor quer que eu pregue? Um deus punitivo, ameaçador... Meu Deus é amor, é perdão...
- Tudo bem, Abraão. Vou deixar que pregue sobre o deus que quiser. Mas não me responsabilizo pelas conseqüências... eu avise...
Zeus desapareceu... (em seguida, outro raio: Cabuuum!).
Na manhã seguinte, Abraão acordou animado para sua pregação:
- Hoje falarei de Deus. Um único Deus! Meu Deus!
E assim o fez!
Um só Deus foi pregado. O problema é que os homens fizeram desse Deus várias crenças, dessas crenças várias religiões, dessas religiões várias guerras...
Abraão, ao ver isso, sentiu-se triste. Lembrou daquela noite, das palavras de Zeus e pensou consigo: “E se eu tivesse pregado apenas sobre monólogos russos?”
domingo, 3 de abril de 2011
Versinhos Refratados
No mundo onde tudo é cristalino:
As pessoas, as pedras, os jardins...
A luz só reflete o que não existe.
E como é lindo! Como é lindo
ver, meu amor, brilharem assim,
esses seus dois olhinhos tristes.
As pessoas, as pedras, os jardins...
A luz só reflete o que não existe.
E como é lindo! Como é lindo
ver, meu amor, brilharem assim,
esses seus dois olhinhos tristes.
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