Caros amigos, além das "dificuldades" que não me permitiram atualizar o blog nos últimos dias, confesso também que hesitei algumas vezes, pois queria que o primeiro prato de 2011 fosse especial, saboroso, de encher a alma d'água.
Inicialmente pensei em servir um trecho amargo e belo da cozinha de Victor Hugo, no seu clássico "Os trabalhadores do mar". Hesitei. Queria um prato mais requintado de poesia, talvez mais exótico. Logo me veio à cabeça começar o ano com um poema de Fernando Pessoa, numa cozinha bem portuguesa. Hesitei. O prato devia ser nacional, tipicamente brasileiro. Vixe! O que não faltou foram idéias, ou melhor, cozinhas. Quintana, Drummond, Cecília, Vinícius, Coralina... Mas por fim, hesitei com tantas opções . Queria servir um feijão com arroz, simples, saboroso e que mata a fome. O que seria o feijão com arroz, na poesia? Pensei... deixei as idéias em banho-maria. O feijão com arroz na poesia talvez seja um prato raro, que se vê pouco por aí. Quase um sonho. É aquela poesia que brota por si só, leve e completa, simples e saborosa, feita em qualquer cozinha, comida por muitos, apreciada por poucos. Escrevê-la é quase uma gafe… Hesitei.
Não tenho esse feijão com arroz para por à nossa mesa. Perdão! Resta-me servir a fome... de palavras, de versos, de poesias. É assim que vou começar o ano, servindo muita, muita fome a todos!
Tenho que confessar outra coisa: isto acaba de ser escrito em terras uruguaias e talvez seja apenas um desabafo de um mineiro longe de sua cozinha natal. Tenho comido muito bem (chivitos, pastas, helados), mas quanta vontade de ler, digo, comer um bom feijão com arroz!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
Ano Novo
Pessoal, devido às comemorações de fim de ano, estou com uma certa dificuldade para atualizar o blog. Gostaria de informar que o blog estará em recesso até a segunda quinzena de Janeiro. Também gostaria de aproveitar a oportunidade para desejar a todos um FELIZ ANO NOVO! Repintemos cuidadosamente o céu de azul no dia primeiro, e comecemos 2011 com muita paz e poesia!
Para finalizar gostaria de divulgar aqui o blog de minha querida amiga Priscila Campos: Amuleto da Colombina.
Um grande abraço a todos!
Para finalizar gostaria de divulgar aqui o blog de minha querida amiga Priscila Campos: Amuleto da Colombina.
Um grande abraço a todos!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
The new book is on the table!!!
Pessoal, é com imenso prazer que coloco à mesa meu segundo livro: "Monólogo de uma vida - A trágica rapsódia de uma platéia sem assento". Fartem-se à vontade! Baixem, leiam, divulguem! E o mais importante, divirtam-se!
Aproveito essa oportunidade para já desejar a todos boas festas! Feliz Natal para todos e um Ano Novo cheio de amor, paz e poesia! Grande abraço!!!
Para baixar, clique aqui!
Aproveito essa oportunidade para já desejar a todos boas festas! Feliz Natal para todos e um Ano Novo cheio de amor, paz e poesia! Grande abraço!!!
Para baixar, clique aqui!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Ervália
Gostaria de recomendar a todos o blog de Ivo Barroso: Gaveta do Ivo. Ivo do Nascimento Barroso é um poeta já consagrado no mundo literário, que além de suas várias obras publicadas, publicou também mais de 30 traduções de grandes autores.
Dias atrás, tive a honra de descobrir que Ivo é natural de Ervália - MG. Minha querida Ervália! Em razão disso, gostaria de homenagear aqui essa pequena grande cidade de Minas com um poema daquele que tenho como o maior poeta de todos, meu avô Vicente Caetano de Mattos.
Ervália terra querida,
Meu viveiro de esperança,
És meu ninho de saudade,
Dos meus tempos de criança.
Vale florido na Serra
De Rodolfo o Monsenhor,
Que dos lares fez canteiros
E das almas fez a flor
Quanto te ama e venera
Este pobre filho teu,
Beijando contudo o exílio,
Nunca porém te esqueceu.
Ervália lendário berço,
Terra que me viu nascer,
Qual será minha ventura
Se em ti puder morrer.
(Vicente Caetano de Mattos)
E para finalizar, uma pequena errata do Pá Virada:
- No sexto verso do poema Sono, onde se lê "E eu não pude dormir", leia-se "E eu não pude mais dormir".
- E para aqueles que possuem o Pá Virada na sua versão original, impressa, no penúltimo verso de "Soneto", onde se lê "Quando essa cabeça de milho de falha", leia-se "Quando essa cabeça de milho me falha".
Grande abraço!!!
Dias atrás, tive a honra de descobrir que Ivo é natural de Ervália - MG. Minha querida Ervália! Em razão disso, gostaria de homenagear aqui essa pequena grande cidade de Minas com um poema daquele que tenho como o maior poeta de todos, meu avô Vicente Caetano de Mattos.
Ervália terra querida,
Meu viveiro de esperança,
És meu ninho de saudade,
Dos meus tempos de criança.
Vale florido na Serra
De Rodolfo o Monsenhor,
Que dos lares fez canteiros
E das almas fez a flor
Quanto te ama e venera
Este pobre filho teu,
Beijando contudo o exílio,
Nunca porém te esqueceu.
Ervália lendário berço,
Terra que me viu nascer,
Qual será minha ventura
Se em ti puder morrer.
(Vicente Caetano de Mattos)
E para finalizar, uma pequena errata do Pá Virada:
- No sexto verso do poema Sono, onde se lê "E eu não pude dormir", leia-se "E eu não pude mais dormir".
- E para aqueles que possuem o Pá Virada na sua versão original, impressa, no penúltimo verso de "Soneto", onde se lê "Quando essa cabeça de milho de falha", leia-se "Quando essa cabeça de milho me falha".
Grande abraço!!!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sobre a Paixão
Pessoal, hoje, em nosso papo de mesa, gostaria de falar um pouco dessa inesgotável fonte de poesia, desse tema infindável para os poetas: A Paixão.
Antes porém, e com o intuito de já criar uma atmosfera romântica, peço licença para por à mesa um trecho do livro que tenho como o meu favorito, uma obra literária perfeita que dispensa qualquer comentário: DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes. Transcrevo aqui, a carta que o engenhoso fidalgo, Dom Quixote, escreve à sua amada Dulcineia, incubindo seu fiel escudeiro, Sancho, de entregá-la:
CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINEIA DEL TOBOSO
"Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Tolboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e se não, faze o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida tereis satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte
O Cavaleiro da Triste Figura."
Considero essa carta um dos mais belos trechos da literatura mundial. Quanto amor, quanta paixão, quanto sofrimento não estão contidos ali?! E, acima de tudo, quanta beleza!
Mas falando especificamente do tema paixão, quanto de nós já não fomos acometidos desse belo mal, desse amado inimigo? Para fins conceituais, há de sempre distinguir o Amor e a Paixão. Esta última é, antes de tudo, definida (pelos apaixonados da razão) como uma patologia, um mal cego que nos leva a enxergar somente o colorido que brota de Dulcineia e a cometer atos descabidos a qualquer ser que se julgue racional. Um estado, geralmente, passageiro, precedente ao amor verdadeiro, ao amor pleno e banhado em razão pura.
De fato, sou impelido a concordar com essa difinição. Entretanto, posso afirmar que existe uma paixão saudável. Não esta paixão febril e cega que precede ao amor verdadeiro, mas uma paixão procedente deste amor e que segue como ele de mãos dadas como um belo casal. Uma paixão construída juntamente com o amor, banhada nas mesmas águas. Moinho e Gigante no mesmo ser!
Talvez essa paixão precendente, à primeira vista, seja essencial para quebrar nossa instintiva morbidez e iniciar um verdadeiro encontro de duas metades. Mas afirmo-lhes que não há nada, caros amigos, nada como se apaixonar à trencentésima nonagésima sexta vista!
Gostaria de informar também que um novo blog foi adicionado à lista de parceiros, o Carta a Muriel, da minha querida amiga Nina. Textos muitos bem escritos, ricos em poesia! Sou suspeito para falar, então, confira!
Grande abraço!!!!
Antes porém, e com o intuito de já criar uma atmosfera romântica, peço licença para por à mesa um trecho do livro que tenho como o meu favorito, uma obra literária perfeita que dispensa qualquer comentário: DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes. Transcrevo aqui, a carta que o engenhoso fidalgo, Dom Quixote, escreve à sua amada Dulcineia, incubindo seu fiel escudeiro, Sancho, de entregá-la:
CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINEIA DEL TOBOSO
"Soberana e alta senhora!
O ferido do gume da ausência, e o chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia del Tolboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, e se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, além de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e se não, faze o que mais te aprouver, pois com acabar a minha vida tereis satisfeito à tua crueldade e ao meu desejo.
Teu até à morte
O Cavaleiro da Triste Figura."
Considero essa carta um dos mais belos trechos da literatura mundial. Quanto amor, quanta paixão, quanto sofrimento não estão contidos ali?! E, acima de tudo, quanta beleza!
Mas falando especificamente do tema paixão, quanto de nós já não fomos acometidos desse belo mal, desse amado inimigo? Para fins conceituais, há de sempre distinguir o Amor e a Paixão. Esta última é, antes de tudo, definida (pelos apaixonados da razão) como uma patologia, um mal cego que nos leva a enxergar somente o colorido que brota de Dulcineia e a cometer atos descabidos a qualquer ser que se julgue racional. Um estado, geralmente, passageiro, precedente ao amor verdadeiro, ao amor pleno e banhado em razão pura.
De fato, sou impelido a concordar com essa difinição. Entretanto, posso afirmar que existe uma paixão saudável. Não esta paixão febril e cega que precede ao amor verdadeiro, mas uma paixão procedente deste amor e que segue como ele de mãos dadas como um belo casal. Uma paixão construída juntamente com o amor, banhada nas mesmas águas. Moinho e Gigante no mesmo ser!
Talvez essa paixão precendente, à primeira vista, seja essencial para quebrar nossa instintiva morbidez e iniciar um verdadeiro encontro de duas metades. Mas afirmo-lhes que não há nada, caros amigos, nada como se apaixonar à trencentésima nonagésima sexta vista!
Gostaria de informar também que um novo blog foi adicionado à lista de parceiros, o Carta a Muriel, da minha querida amiga Nina. Textos muitos bem escritos, ricos em poesia! Sou suspeito para falar, então, confira!
Grande abraço!!!!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Instruções
Ontem simplesmente não encontrei palavras, não me deparei com poemas: faltou-me inspiração!
Mas creio que isso não acontece exclusivamente comigo, pois às vezes é preciso uma técnica apurada e armadilhas eficazes para se capturar boas palavras. Muitos dos grandes escritores revelaram-se também excelentes apanhadores de palavras e tiveram a preocupação de descrever minuciosamente suas metodologias. Com intuito de não repetir a catastrófica e tediosa situação de ontem, preocupei-me também em descrever e testar exaustivamente meu método: Eis aqui, os passos:
1. Tenha em mãos um caixote de papelão, um rolo de barbante, um pequeno galho de 30 a 40 cm em forma de "Y" e várias folhas em branco.
2. Coloque as folhas no chão enfileiradas, de modo a formar uma trilha que leve até embaixo do caixote. Esse último deve estar suspenso em um dos lados pelo galho. Amarre o barbante no galho e se esconda, tendo sempre em mãos a outra extremidade do barbante. É aconselhável que o volume de papel sob o caixote seja grande.
3. Espere com paciência até que a primeira palavra atraída pela trilha apareça. Quando a palavra estiver totalmente sob o caixote, puxe o barbante rapidamente. Pronto! Está capturada! Lembre-se sempre que o silêncio no interior do caixote é um bom sinal de que a captura foi bem sucedida.
Obs: É fundamental, após a captura da palavra, escrevê-la o mais rápido possível em algum caderno, pois palavras aprisionadas tornam-se frágeis e vale lembrar que as melhores palavras são aquelas escritas ainda vivas.
Mas creio que isso não acontece exclusivamente comigo, pois às vezes é preciso uma técnica apurada e armadilhas eficazes para se capturar boas palavras. Muitos dos grandes escritores revelaram-se também excelentes apanhadores de palavras e tiveram a preocupação de descrever minuciosamente suas metodologias. Com intuito de não repetir a catastrófica e tediosa situação de ontem, preocupei-me também em descrever e testar exaustivamente meu método: Eis aqui, os passos:
1. Tenha em mãos um caixote de papelão, um rolo de barbante, um pequeno galho de 30 a 40 cm em forma de "Y" e várias folhas em branco.
2. Coloque as folhas no chão enfileiradas, de modo a formar uma trilha que leve até embaixo do caixote. Esse último deve estar suspenso em um dos lados pelo galho. Amarre o barbante no galho e se esconda, tendo sempre em mãos a outra extremidade do barbante. É aconselhável que o volume de papel sob o caixote seja grande.
3. Espere com paciência até que a primeira palavra atraída pela trilha apareça. Quando a palavra estiver totalmente sob o caixote, puxe o barbante rapidamente. Pronto! Está capturada! Lembre-se sempre que o silêncio no interior do caixote é um bom sinal de que a captura foi bem sucedida.
Obs: É fundamental, após a captura da palavra, escrevê-la o mais rápido possível em algum caderno, pois palavras aprisionadas tornam-se frágeis e vale lembrar que as melhores palavras são aquelas escritas ainda vivas.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Questão de Gramática
O verbo Haver, quando utilizado no sentido de Existir, é considerado impessoal, permanecendo invariável na 3ª pessoa do singular. Mas a questão é: haveria ou não "haveriam" fantasmas?
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