domingo, 26 de setembro de 2010

Novo Descobrimento

É preciso redescobrir o Brasil. Sei que não é culpa dos portugueses e suas caravelas se o país está como está, mas é preciso um novo descobrimento. E talvez consigam preservar por mais tempo aqueles seres encantados, descritos em carta por Pero Vaz de Caminha. Quem sabe, os novos descobridores não queiram preservar um pouco mais nossas faunas e floras e até se dediquem realmente a aprender Guarani? Talvez um novo descobrimento mude o rumo da história, fazendo do Brasil uma colônia mais rica, ou pelo menos, mais justa e honesta. Mas quem seriam esses novos e românticos colonizadores? A verdade é que não faço idéia. Portugueses? Espanhóis? Ingleses? Não sei... talvez os italianos. Talvez se eles chegassem por aqui navegando suas gôndolas de Veneza...

domingo, 19 de setembro de 2010

Baixe o Pá Virada!

Pessoal, é com enorme prazer que coloco à mesa o livro Pá Virada completo para download. Baixem, leiam, divulguem... enfim, bom apetite!
Clique aqui para baixar!

Peço a todos que baixarem o livro, para deixarem um comentário (sugestão, crítica, elogio).

Um grande abraço!!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Animismo

Ao contrário dos inúmeros episódios atuais, em que pessoas se descontrolam e esbravejam palavrões contra seres inanimados, como uma mesa maquiavélica ou uma cruel gaveta que insiste em prender dedos alheios, Orígenes Lessa era um exemplo de paciência com essas incompreendidas criaturas. Era tão paciente que chegou a escrever uma biografia, em três volumes, de um cabo de vassoura. Quem mais, hoje em dia, teria esta santa paciência de ouvir e transcrever com precisão as memórias fascinantes de um cabo de vassoura?!
De qualquer forma, isso tudo prova que o animismo moderno está mais vivo do que nunca. E não só na imaginação fértil das crianças novinhas, mas também das crianças de até cem anos de idade. E confesso que acho interessante essa história de objetos como vassouras, mesas, gavetas terem almas, o que me preocupa mesmo são esses muitos livros e discos desalmados que andam por aí.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mais uma livraria!

Mais um ponto de venda do livro Pá Virada!

Livraria Ouvidor Savassi
Rua Fernandes Tourinho, 253
Funcionários
Belo Horizonte, Minas Gerais 30112-000
Tel: 31 3221-7473

Grande abraço!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Entrevista concedida a uma alma penada

AP: Boa noite,Denis! Nervoso com a entrevista?
DM: Boa noite! Nervoso não. Talvez um pouco ansioso. É a minha primeira entrevista.

AP: Bem... o que você acha que te espera após a morte?
DM: Nada. Ninguém. Acho que os habitantes do outro mundo, dessa outra vida, não esperam nada daqui. Eles levam suas pós-vidas normalmente, muito ocupados para ficar esperando alguém deste mundo. Acredito que a gente morre e chega lá sem nenhum alarde, sem nenhuma festa de recepção. Simplesmente, entramos na rotina de lá.

AP: E na sua pós-vida, você pretende continuar fazendo o que faz aqui? Vai ser poeta lá também?
DM: Algumas coisas pretendo continuar fazendo, outras não. Continuar fazendo exatamente o mesmo é burrice, alguma coisa a gente tem que aprender nesta vida e mudar certos hábitos... para melhor. Mas poeta, com certeza! Quero continuar escrevendo poesias, mantendo a alma em forma. Acredito que, uma vez abraçado com a poesia, o homem segue assim para sempre. Um casamento eterno. Talvez, mude só os temas abordados.

AP: E quais seriam seus novos temas?
DM: Provavelmente passaria a falar dos mortos daqui e dos vivos de lá. Do céu de lá, das estrelas de lá, das cidadezinhas de lá... mas creio também que alguns temas são eternos, nunca mudam, como o amor, por exemplo.

AP: Você acha que as pessoas de lá amam tanto quanto as pessoas daqui?
DM: Certamente. Tanto quanto! Com exceção que não morrem de amor, como os daqui.(Risadas de ambos)

AP: Estendendo um pouco o assunto, você acha que o amor que você contruir aqui, esse amor pela mulher que te conquistar nesta vida, vai continuar após a morte?
DM: Claro! É uma besteira essa coisa que se diz em casamentos: "até que a morte os separem". A morte não separa ninguém. Pessoas que se amam de verdade continuam unidas o quanto quiserem, seja nesta ou noutra vida.

AP: Bom, Denis. O dia está amanhecendo e está na hora de eu ir. Queria muito te agradecer pela entrevista e, para finalizar, gostaria de fazer uma última pergunta: Esta entrevista será publicada nos principais jornais do outro mundo (Sem Tempo, Hoje e Sempre, O Estadão de Espírito...), mas você acha que se fosse publicada em algum jornal deste mundo, alguém acreditaria?
DM: Acho que não...provavelmente não. As pessoas daqui, atualmente, não acreditam muito na existência de poetas.

AP: Mais uma vez, obrigado, Denis. Bom dia para você!
DM: Eu que agradeço. Bom dia! E até a próxima!

Con intelletto d'amore

Ponho à mesa, o terceiro poema do livro Pá Virada. Sirvam-se à vontade!

Ao olhares para flor sei que enxergas
seu ovário, sua antera e seu estame.
As pétalas, tu decepas sobre a mesa
por mais que teu peito ainda ame.

Quando estudares o que sustenta tal beleza,
não te contentes com um frágil receptáculo
e sabe que as cores que ali habitam
também fazem parte de teu cálculo.

E em tuas mãos leva sempre outra flor
e ela acompanhar-te-á aonde fores.
Em tua razão florescerão outras razões
e aprenderás con intelletto d’amore.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sinestesia (André Mendonça)

Pessoal, é com enorme prazer que ponho à mesa um belíssimo poema de um grande amigo meu, um irmão de estrada, André Mendonça. Poucos poetas conseguem por tanta precisão e sutileza em seus poemas, de forma que em cada verso, em cada estrofe, não sentimos hora nenhuma o peso das palavras, mas sim uma carga de imagens e sentimentos. Tão leve e tão pesado quanto a alma. Eis o poema:

Cheiro de café com Jazz
Acordes dissonantes
Combinam entre si de forma harmônica

Cheiro de mato com orvalho
Sol nascendo e uma criança correndo
Café pronto e uma broa de fubá com manteiga

Cheiro da mulher amada
Toque suave do seu cabelo
Sussurros ao pé do ouvido
Ouvindo Chico

O Sabor do vinho com o violão
O encontro com um amigo, meu irmão
Lembranças poéticas e devaneios embriagados
Vida consumida aos poucos