quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Luiz Carlos López (Cartagena - Colômbia)


Aproveitando o assunto da última postagem, o Outras Cozinhas desta vez faz uma visita à Cartagena - Colômbia, terra onde nasceram e/ou residiram muitos poetas e escritores, dentre eles Gabriel García Marquez (residiu na cidade). Nessa visita, tive a oportunidade de conversar com alguns colombianos, moradores da cidade, e pedir sugestões de alguns poetas do país, alguns que representassem devidamente a poesia colombiana. Com muita atenção a meu pedido, fui presenteado com uma lista de nomes de poetas locais, já consagrados e admirados na literatura nacional.

Entretanto, qual foi minha surpresa, após exaustiva pesquisa na internet, perceber o quanto era difícil (para não dizer impossível) encontrar qualquer livro ou único poema traduzido para o português da lista que tinha em mãos. Percebi o quão separados ainda nos encontramos da literatura da America Latina, dos Poetas de Canto Castelhano, tão bem traduzidos por Thiago de Mello em sua obra magnífica citada anteriormente.

Mas, numa pequena tentativa de satisfazer minha vontade e me aproximar um pouco daquela poesia até então absurdamente distante, visitei alguns sebos locais e tive a felicidade de encontrar uma belo exemplar de "Poesía Completa, de Luis Carlos López", um brilhante poeta que estava na minha preciosa lista. Compartilho aqui três poemas que selecionei. Infelizmente, como citei anteriormente, não encontrei qualquer tradução desses poemas.

...

Dice por las noches:"Mira, Dorotea,
no tengo un centavo". Melenudo y tal,
se acoge a su cuarto de casa de aldea
y escribe unos versos, un editoral...

No llora. Y si acaso la cosa es muy fea,
se limpia uno que otro saco lacrimal.
Y, después, ? qué importa? Vamos,se pasea
feliz con su terno canario y turpial.

Por el pueblo - y debe mil pesos al mes -
su vida no es vida de oscuro armadillo,
tan hecha de trampas, tan entretenida...

Y si le preguntan: "Pero hombre, ?eso qué es?",
exclama entre el humo de su cigarrillo:
"!La vida, la vida, la vida, la vida!"


Agua e Ron

Agua pura y cristalina,
madre de ranas y sapos
y lavadoras de trapos,
¿quereís que la beba yo?

No, eso no. Ron puro, ron pelmuro
que da salud a los reyes.
El agua para los bueyes
que tienen el cuello duro.


Tarde de Verano

“El rico es un bandido”
San Juan Crisóstomo"

La sombra, que hace un remanso
sobre la plaza rural, convida para el descanso
sedante, dominical…

Canijo, cuello de ganso,
cruza leyendo un misal,
dueño absoluto del manso
pueblo intonso, pueblo asnal.

Ciñendo rica sotana
de paño, le importa un higo
la miseria del redil.

Y yo, desde mi ventana,
limpiando un fusil, me digo:
¿Qué hago con este fusil?


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