terça-feira, 12 de julho de 2016

Um dicionário que vale a pena...

Em 2010, publicando meus primeiros versos, escrevi um poema um tanto quanto revoltado com os dicionários. Na ocasião, comparei o dicionário a uma prisão, a um livro que assassinava as palavras. De lá pra cá, creio não ter mudado minhas considerações a respeito. Mas nesse período tive a oportunidade de conhecer um dicionário um pouco diferente, que ao invés de aprisionar e matar as palavras, dava-lhes vida e liberdade...

Acredito piamente que o ninho da poesia é a infância. Sendo assim, um dicionário que nascesse das bocas das crianças talvez permitisse que as palavras continuassem vivas, livres para serem lidas em versos, em canções ou em pensamentos silenciosos - que continuassem sendo palavras! E talvez almejando tal façanha, foi que Javier Naranjo idealizou e organizou o Casa das estrelas - O universo contado pelas crianças. Um trabalho incrível e encantador - um dicionário poético, onde cada verbete foi colhido atenciosamente junto a várias crianças de variadas idades e vivências. Desde que conheci o livro, este tem sido meu único e inseparável dicionário. Um dicionário que vale a pena... para não dizer vital.
“Em lábios de crianças, loucos, sábios apaixonados ou solitários, brotam imagens, jogos de palavras, expressões surgidas do nada… Feitas de matéria inflamáveis, as palavras se incendeiam assim que as roçam a imaginação ou a fantasia”– Octavio Paz

Abaixo, transcrevo alguns dos verbetes:

Água: transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Amor: o que cada coração reúne para dar a alguém. (Lina María Murillo, 10 anos)

Casal: é onde os pássaros se metem. (Diejo Alejandro Tabares, 8 anos)

Deus: é o amor com cabelos grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Espírito: é uma nuvem que cai do céu, e que chega e brinca com um carrinho. (David Hidalgo Ramírez, 6 anos)

Igreja: onde as pessoas vão perdoar Deus. (Natália Bueno, 7 anos).

Mistério: quando minha mamãe sai e não me diz pra onde (Glória María Hidalgo, 10 anos)

Palavra: onde as pombas se escondem (León Afonso Pava, 11 anos)

Pessoa: é uma coisa sentimental. (Lina Marcela Sanchéz, 7 anos)

Violência: se fizerem violência no país, eu vou embora. (Yeny Andrea Rodríguez, 8 anos)



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