Rubaiyat – plural de rubai.
Quadras poéticas consagradas pelo poeta persa Omar Khayyam (1048-1131). E Rubaiyat
foi o nome dado por Edward Fitzgerald a uma seleção de poemas de Omar,
quando o inglês os traduziu pela primeira vez. Em sua tradução, Fitzgerald
conseguiu manter a estrutura original dos versos (1º, 2º e 4º versos com a
mesma rima e o 3º branco, ou seja, sem rima). Desde então outras traduções
foram feitas, em diversas línguas (como a portuguesa) – algumas conseguindo
manter a estrutura e aproximar do sentido original, outras nem tanto. Fato é
que, traduções a parte, os rubaiyat de Omar ratificam a força de condensação que
as línguas e poesias Orientais possuem e que as Ocidentais ainda têm muito o
que aprender.
Nesta semana, graças aos bons e
velhos sebos, um belo exemplar em português do Rubaiyat de Omar Khayyam chegou
às minhas mãos. Já o devorei como uma pessoa que estivesse há dias sem comer e
de repente fosse colocado um banquete imenso à sua frente. Mas pretendo ler novamente, outras tantas
vezes. Não é possível saborear devidamente os rubaiyat de Omar com tanta
pressa. A poesia ali condensada precisa ser degustada aos pouquinhos, com
calma. Um rubai, um haikai, um gazal , podem conter um mundo de sentidos, de “especiarias”,
os quais um leitor apressado jamais será capaz de apreciar.
Tratando-se especificamente da
obra de Omar, há várias discussões e interpretações sobre os sentidos de seus
versos, sobre o significado de algumas expressões, sobre a essência de sua obra.
Longe de entrar nessas discussões, gostaria de compartilhar aqui alguns
rubaiayt que me foram mais saborosos. Ressalto que a tradução que tenho em mãos
é de Jamil Almansur Haddad e, de maneira geral, não foi mantida a estrutura
original dos versos mencionada anteriormente.
A Tulipa não vês que, na hora
matinal,
Absorve da atmosfera o Vinho celestial?
Faze com crença o mesmo até que o
Céu um dia
Te inverta para o Chão, feito ânfora vazia.
Eu minha Alma enviei para o
espaço sem fim
para um Traço apreender do Mistério do Além.
Minha Alma devagar foi retornando a mim
E disse: “Eu sou o Céu e o Inferno também.”
Dispõe o Eterno Escriba. E
havendo escrito,
A folha vira: e não há ciência ou
devoção
Que cancele uma Linha; e não há
pranto aflito
Que risque uma Palavra! Ah, todo
choro é vão!
As esperanças vãs do Coração de
um Homem
Ora são cinza, ora Esplendor,
porém, em breve,
Como por sobre o pó dos Desertos
a Neve,
Brilham somente uma hora ou duas
e após somem.
Tanto ao homem que o seu HOJE
prepara,
Como ao que no AMANHÃ incerto
pensa,
Da Torre negra um Muezim gritara:
“Tolos! Nem cá nem lá há
recompensa!”
Tuas cogitações, murmura a Multidão,
O Ano reduzirão a melhor curso?
Não.
Um aviso somente o calendário
deu:
“– O ontem já se extinguiu e o Amanhã
não nasceu."
O mistério indaguei do Ser e do
Não ser
E fui investigar não sei quanta
grandeza.
De quanta cousa enfim eu procurei
saber
Só no vinho encontrei alguma
profundeza.
