terça-feira, 24 de julho de 2012

O ritmo das flores

Duas semanas em Ervália, longe do ritmo acelerado de Belo Horizonte, fez-me lembrar de como a vida pede lentidão, vagareza. Na realidade, acho que as coisas até andam bem aceleradas em Ervália, meu coração é que tem essa sede de calmaria toda vez que chega por aqui. E resolvi saciá-lo.

Antes que me interpretem mal, não estou por aí andando feito uma tartaruga. Não é isso. São meus olhos que estão mais lentos, minha alma que abriu mão da pressa. Talvez só em outro ritmo seja possível apreciar os detalhes, os pequenos e grandes “espetáculos sem espectadores” dos quais nos fala Gustavo Corção. “O ritmo da flor está fora do nosso ritmo”, escreveu esse grande espectador. Aliás, foi preciso um ritmo mais lento, mais brando, para que eu pudesse apreciar devidamente e degustar cada palavrinha do seu belíssimo livro “lições de abismo” e, em especial, a parte em que o autor nos conta sobre a sutil e lenta dança das suas rosas.

Mas mesmo com toda calma, com toda lentidão, sinto que ainda estou fora do ritmo. Meu coração ainda sente sede. A dança das flores ainda é mais lenta do que meus olhos... Tudo bem! Não vou me desesperar por isso, meu coração sobreviverá. Por enquanto contento-me em observar e aprender os passos de dança que Ana Clara, com toda pressa dos seus 4 aninhos, ensinou-me para sua festa junina. Por enquanto, matarei essa sede com risadas e quentão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário