Poucos livros me carregaram tanto para o cenário, para o tempo da história que contavam, quanto o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Quando o lia, eu estava ali, um espectador angustiado nas mesmas ruas em que o Alferes passava. Provavelmente o fato de eu já ter visitado alguns daqueles lugares em que se deu a história contribuiu para que eu entrasse mais no clima.
Esse foi com certeza um daqueles livros em que quase não utilizamos os olhos para lê-los, mas sim a alma. Os olhos muitas vezes aprisionam a alma. Muitas vezes, a alma quer seguir sozinha. E saibam, bravos leitores, é chegado o tempo de uma nova Inconfidência: Oh almas! Oh almas leitoras! Liberdade, ainda que tarde!
“(...) Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
"Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio..."
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
"Tenha meus dedos cortados
antes que tal verso escrevam..."
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja). (...)"
Nenhum comentário:
Postar um comentário