Em uma cidadezinha francesa, um pouco ao norte de Paris, um senhor muito rico colecionara pinturas de grandes artistas durante quase toda sua vida. Pressentindo que o dia de sua morte se aproximava, resolveu leiloá-las.
Na coleção daquele rico senhor, era possível encontrar os principais quadros de Rembrandt, Van Gogh, Picasso, Ensor, Kandinsky, Goya... Para a cerimônia, vieram pessoas do mundo inteiro, eufóricas pela possibilidade de arrematar uma daquelas obras. O lance inicial era de mil palavras (afinal uma imagem vale mais que mil palavras). Iniciou-se o leilão.
Logo na primeira peça, uma disputa acirrada. Políticos, padres, jornalistas, oradores, todos faziam ofertas astronômicas. Eram muitas as palavras. O dono dos quadros hesitava em dar a martelada. Até que no meio daquela gritaria de senhores distintos e bem vestidos, entrou um poeta maltrapilho que, sob o olhar inquisidor dos presentes, declarou: Compro todos!
Nesse mesmo instante, dispararam as gargalhadas e os comentários irônicos. O rico homem do martelo, ainda tentando conter o riso, bateu o objeto na mesa e pediu silêncio. Perguntou ele ao poeta:
- E o que o senhor tem a oferecer?
- Meu poema!
- E quantas palavras valem seu poema?
O poeta então caminhou até o rico senhor e murmurou-lhe algo ao ouvido. O senhor martelou a mesa e em seguida, bradou:
- Vendidos todos ao poeta!
Não era possível! As pessoas ali presentes não podiam acreditar. Perguntaram ao moribundo leiloeiro:
- Quantas palavras valem o poema dele?
- Muitas! Tantas, que comprou inclusive meu silêncio...
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