Certa vez, fui para o meu quarto e me enclausurei lá dentro a fim de passar toda a tarde lendo e escrevendo. Não queria barulhos, distrações, incômodos. O sol também não era bem-vindo, bastava-me a luz elétrica do meu pequeno abajur.
Tranquei a porta e fechei todas as janelas, nem mesmo uma pequena greta me passou despercebido. Certifiquei-me que não havia nenhuma mosca ao redor que pudesse, consequentemente, zumbir mais alto do que minha silenciosa leitura. Possivelmente eu era o único ser vivo naquele quarto. Estava como um animal enjaulado ou um desses prisioneiros confinados em uma inescapável masmorra. A diferença é que eu estava assim por vontade própria e, de certa forma, o mundo lá fora é que me parecia uma irremediável e caótica cela.
Pois bem, passado algumas horas, lia eu atentamente um antigo exemplar de “Entre quatro paredes” de Jean P. Sartre, que tive a felicidade de encontrar baratinho num sebo ao lado de minha casa, quando meu celular tocou. Ah, o maldito celular! Como pude esquecer de desligá-lo?! Naquele momento então, tive a nítida impressão de que eu havia cavado acidentalmente, na minha estreita e retangular liberdade, um buraco para minha prisão.
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