O farol
O mar
O navio
A areia
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
A onda
As rochas
As conchas
O escuro
O escuro
O escuro
O farol
Os coqueiros
O veleiro
O navio
O escuro
O escuro
As estrelas...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
O Sentido Das Palavras
Esta noite, sonhei que estava lá pela sétima série e havia esquecido de fazer as tarefas de matemática. Acordei assustado. Minha professora de matemática da referida série era um tanto quanto, digamos, rígida. Mas esta matéria nunca foi mesmo meu forte, acho que não gostava (não gosto) da precisão dos números, da exatidão das coisas. Sempre gostei mais de português, literatura, história...
Recordo-me de uma aula de português, no princípio de meus tempos escolares, em que a professora explicava-nos a diferença entre sentido denotativo e conotativo. “O sentido DEnotativo é o sentido das palavras no DIcionário”. Eu preferia guardar de outra forma: O sentido COnotativo era o sentido que as palavras tinham no CAStelo do rei Luis XV ou XVI (... tanto faz).
Recordo-me de uma aula de português, no princípio de meus tempos escolares, em que a professora explicava-nos a diferença entre sentido denotativo e conotativo. “O sentido DEnotativo é o sentido das palavras no DIcionário”. Eu preferia guardar de outra forma: O sentido COnotativo era o sentido que as palavras tinham no CAStelo do rei Luis XV ou XVI (... tanto faz).
segunda-feira, 19 de julho de 2010
G. A. Burger
Nunca houve qualquer exagero nos escritos de G. A. Burger. Narrações meramente descritivas.
Tive a honra de conhecer tal figura fabulosa, não a pessoa propriamente dita, mas a propriamente escrita, na casa do meu avô. E o que mais necessitaria para assegurar-me a veracidade dos fatos narrados, se não conhecê-los ali, na casa de meu avô?
Como testemunha, colocaria minhas mãos no fogo que brota do centro da Terra se me dissessem que o Barão de Munchausen foi um fazendeiro da região.
Tive a honra de conhecer tal figura fabulosa, não a pessoa propriamente dita, mas a propriamente escrita, na casa do meu avô. E o que mais necessitaria para assegurar-me a veracidade dos fatos narrados, se não conhecê-los ali, na casa de meu avô?
Como testemunha, colocaria minhas mãos no fogo que brota do centro da Terra se me dissessem que o Barão de Munchausen foi um fazendeiro da região.
terça-feira, 13 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Biografia de um poeta
Quando eu morrer não quero biografias
Minha vida não é história interessante
Como qualquer outra, tristezas e alegrias
Ainda sim, nada muito importante
Deixo aqui, uma pequena sugestão
Para aqueles que quiserem falar de mim
É coisa simples, sem muita explicação
Mas verídica, do princípio ao fim
Pegue algumas fotografias
Faça um curta, com cinco ou seis cenas
Com quatro mostrando apenas o céu
E na sexta, alguém diria:
"Sua vida não valeu a pena
Sua vida valeu a pena e o papel".
Minha vida não é história interessante
Como qualquer outra, tristezas e alegrias
Ainda sim, nada muito importante
Deixo aqui, uma pequena sugestão
Para aqueles que quiserem falar de mim
É coisa simples, sem muita explicação
Mas verídica, do princípio ao fim
Pegue algumas fotografias
Faça um curta, com cinco ou seis cenas
Com quatro mostrando apenas o céu
E na sexta, alguém diria:
"Sua vida não valeu a pena
Sua vida valeu a pena e o papel".
sábado, 26 de junho de 2010
Prosa Caipira
Coroné, sabe acaso onde anda esse tal de Josia?
Não sei, mas espero que lá praquelas banda...
Lá onde urubu faz ciranda!
Que isso Coroné?!
O sinhô é homi de fé,
temente a Deus, não diga uma bestêra dessa!
Além do mais, Josia é cabra valente,
um herói pra essa gente...
Peão que amansa touro bravo!
É um bom rapaz!
Não conheço, mas quero ver amansar o satanás!!
Vixe nossa senhora! Mas que foi que o mardito te fez?
Antes me roubasse mil rês,
do que roubar minha fia.
E pra um pai, não tem maior agonia,
do que ver sua própria cria
ir embora cum abestado!
Ô patrão, deixa isso de lado,
é amor que os dois sentia!
Amor pra jovem não tem serventia,
Deus só dá amor na velhice!
Isso foi é semvergonhice!
Imagina o que essa gente faladeira vai dizê!!
Eu nem quero sabê,
mas duvido que alguém nesse lugá
tem coragem pra falar mal do cê!
Falar de mim ou da minha fia é tudo iguá...
Quem abri a boca eu vô matá!
Meu santo Cristinho! O patrão ta cum raiva mesmo!
To cum raiva! To cum pena de minha fia! Uma hora dessa
deve de tá deitada no mato, passando frio, fome!
Ela que sempre foi muié de nome,
muié luxosa!
Coroné, desculpa eu estendê a prosa...
mas se me permite perguntá, o que é felicidade?
Ora homi, por que a curiosidade? Mas se quer mesmo sabê,
vô explicá pro cê! Felicidade tá em vê milhões de boi na fazenda,
tá no dinheiro das venda, no diploma de dotô.
Tá no meus gado, nos meus campo de café,
tá nos beijos das muié, no meu casarão...
Hum...entendi...então tá bão...
Num se avexe homi, se trabalhar bastante, um dia ocê chega lá!
Ih, nem dá pra imaginá...Mas se me permite...
Se felicidade é o que o patrão diz,
posso dizê que já sou bem feliz...
Eu que cuido desse gadaiada pro coroné,
sou eu também que sempre colhe o café,
sinto o cheiro da flor,
e de vez em quando até o sabor de uma semente!
Nisso ce tá certo, mas sou eu que tenho o casarão.
Com certeza bom patrão! E que assim Deus queira!
Mas continuando essa prosera, disso não faço questão!
Qualquer lugar pra mim tá bão, seja a rede ou seja o chão,
só exigo ver as estrelas...o luar..
e além do mais, quando o sinhô viaja,
quem é que vai pra sua casa vigiá?
É... ocê é um cabra esperto...mas me diga, quem tem quase 50 muié?
Ô, por certo que é meu coroné!!
Homi entendido do assunto!
Onde vai o coroné, vai rabo de saia junto.
Mas pra terminá meu sinhô,também sei o que é amor.
Não é de 50, é só uma...a mais jeitosa das morena!
Aquela que faz qualquer vida valer a pena!
Uma muié mais formosa que as rosa,
mais doce que o mel!
Daquela que o coração lambe os beiço
e nem pensa em ir pro céu...
Quer ficar pra sempre junto dela,
abraçado, espiando da janela o dia amanhacê!
Eita cabra safado!! Mas isso tudo num há de ser!
Prenda assim nessas banda, só existe minha fia!
O patrão deve de tá certo! Afinal é doutor sabido, homi esperto!
Entretanto, em mais de 10 anos que trabaio pro sinhô,
vancê nunca soube meu nome..
Só me chama de cabra, peão, homi!
Ah, isso num me interessa agora cabra, eu quero é achar minha fia!
Como quiser coroné, eu já vou indo embora,
vou encontrar minha sinhora!
Inté outra hora!... Mas cabra, diga então qual é o nome de vossa senhoria?
(o coronel riu com ironia)
Muito prazer Coroné, meu nome é Josia!
Não sei, mas espero que lá praquelas banda...
Lá onde urubu faz ciranda!
Que isso Coroné?!
O sinhô é homi de fé,
temente a Deus, não diga uma bestêra dessa!
Além do mais, Josia é cabra valente,
um herói pra essa gente...
Peão que amansa touro bravo!
É um bom rapaz!
Não conheço, mas quero ver amansar o satanás!!
Vixe nossa senhora! Mas que foi que o mardito te fez?
Antes me roubasse mil rês,
do que roubar minha fia.
E pra um pai, não tem maior agonia,
do que ver sua própria cria
ir embora cum abestado!
Ô patrão, deixa isso de lado,
é amor que os dois sentia!
Amor pra jovem não tem serventia,
Deus só dá amor na velhice!
Isso foi é semvergonhice!
Imagina o que essa gente faladeira vai dizê!!
Eu nem quero sabê,
mas duvido que alguém nesse lugá
tem coragem pra falar mal do cê!
Falar de mim ou da minha fia é tudo iguá...
Quem abri a boca eu vô matá!
Meu santo Cristinho! O patrão ta cum raiva mesmo!
To cum raiva! To cum pena de minha fia! Uma hora dessa
deve de tá deitada no mato, passando frio, fome!
Ela que sempre foi muié de nome,
muié luxosa!
Coroné, desculpa eu estendê a prosa...
mas se me permite perguntá, o que é felicidade?
Ora homi, por que a curiosidade? Mas se quer mesmo sabê,
vô explicá pro cê! Felicidade tá em vê milhões de boi na fazenda,
tá no dinheiro das venda, no diploma de dotô.
Tá no meus gado, nos meus campo de café,
tá nos beijos das muié, no meu casarão...
Hum...entendi...então tá bão...
Num se avexe homi, se trabalhar bastante, um dia ocê chega lá!
Ih, nem dá pra imaginá...Mas se me permite...
Se felicidade é o que o patrão diz,
posso dizê que já sou bem feliz...
Eu que cuido desse gadaiada pro coroné,
sou eu também que sempre colhe o café,
sinto o cheiro da flor,
e de vez em quando até o sabor de uma semente!
Nisso ce tá certo, mas sou eu que tenho o casarão.
Com certeza bom patrão! E que assim Deus queira!
Mas continuando essa prosera, disso não faço questão!
Qualquer lugar pra mim tá bão, seja a rede ou seja o chão,
só exigo ver as estrelas...o luar..
e além do mais, quando o sinhô viaja,
quem é que vai pra sua casa vigiá?
É... ocê é um cabra esperto...mas me diga, quem tem quase 50 muié?
Ô, por certo que é meu coroné!!
Homi entendido do assunto!
Onde vai o coroné, vai rabo de saia junto.
Mas pra terminá meu sinhô,também sei o que é amor.
Não é de 50, é só uma...a mais jeitosa das morena!
Aquela que faz qualquer vida valer a pena!
Uma muié mais formosa que as rosa,
mais doce que o mel!
Daquela que o coração lambe os beiço
e nem pensa em ir pro céu...
Quer ficar pra sempre junto dela,
abraçado, espiando da janela o dia amanhacê!
Eita cabra safado!! Mas isso tudo num há de ser!
Prenda assim nessas banda, só existe minha fia!
O patrão deve de tá certo! Afinal é doutor sabido, homi esperto!
Entretanto, em mais de 10 anos que trabaio pro sinhô,
vancê nunca soube meu nome..
Só me chama de cabra, peão, homi!
Ah, isso num me interessa agora cabra, eu quero é achar minha fia!
Como quiser coroné, eu já vou indo embora,
vou encontrar minha sinhora!
Inté outra hora!... Mas cabra, diga então qual é o nome de vossa senhoria?
(o coronel riu com ironia)
Muito prazer Coroné, meu nome é Josia!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Triste de Amor

Conforme enquete feita na semana passada, ponho à mesa o poema escolhido. Esse é mais um poema do meu Livro Pá Virada. Só pra lembrar, o livro pode ser comprado na Livraria Leitura do Shopping Savassi, na Mapel Papelaria na rua Tomé de Souza (pertinho também do Shopping Savassi)ou diretamente comigo. Em Juiz de Fora, com a Andressa Biachi ou em Itabira com a Josiane Boucherville.
Grande abraço!
A tristeza me consumiu.
Levou meus amigos, meus passeios, minhas risadas.
Deixou-me poucas letras
que juntas, não coçam a vista.
E eu, nesse tom depressivo,
nesses versos niilistas,
exalto a burrice milenar do homem,
que não sabe fazer negócio.
Pois no princípio, quando Deus
era quase um sócio,
houve a tal barganha da costela.
E dele, se fez ela: Eva!
Mas o homem sempre foi burro,
nunca lê o contrato.
Estava lá, no rodapé, em letras miúdas
para que lesse o tal Adão:
“Para Eva, tu darás de entrada uma costela
e, no futuro, tu darás também teu coração”.
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