segunda-feira, 6 de abril de 2015

Caderno da vó Elce - V

Semana Santa em Ervália e, inevitavelmente a bagagem de volta vem carregada daquelas lembranças boas, de um saudosismo infantil, de casa de avós e procissões. Com esse espírito (de boas lembranças), resolvi retomar aqui no blog, o Caderno da vó Elce, que são na verdade poemas retirados de um antigo caderno da minha avó. Grande parte dos poemas não possuem o nome de seus respectivos autores, portanto de alguns, como do poema que sirvo hoje, não consegui descobrir quem foi seu verdadeiro autor. Caso alguém saiba, agradeço imensamente desde já pela informação.


No tribunal cor de rosa

Está aberta a Sessão. Entraste em julgamento,
A Saudade é a defesa, a testemunha o Céu.
O Ciúme o promotor, o crime o Esquecimento,
O juiz é o Coração, e o ofendido, “Eu”!

Levanta-se o Ciúme; acusa: “És Criminosa”!...
E termina pedindo tua punição.
Chega a vez da Saudade, pálida e chorosa
Diz ao juiz que te amo e pede teu perdão.

O juiz que é um apaixonado, tímido, nervoso,
Medita uma sentença ao doce som mavioso
Duma cítara antiga de celestiais arpejos...

E pegando da pena, uma sentença lança
Condenando-te a me dares, divinal criança,
Setecentos abraços e um milhão de beijos.

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