No tribunal cor de rosa
Está aberta a Sessão. Entraste em
julgamento,
A Saudade é a defesa, a
testemunha o Céu.
O Ciúme o promotor, o crime o
Esquecimento,
O juiz é o Coração, e o ofendido,
“Eu”!
Levanta-se o Ciúme; acusa: “És
Criminosa”!...
E termina pedindo tua punição.
Chega a vez da Saudade, pálida e
chorosa
Diz ao juiz que te amo e pede teu
perdão.
O juiz que é um apaixonado,
tímido, nervoso,
Medita uma sentença ao doce som
mavioso
Duma cítara antiga de celestiais arpejos...
E pegando da pena, uma sentença
lança
Condenando-te a me dares, divinal
criança,
Setecentos abraços e um milhão de
beijos.