domingo, 25 de agosto de 2013

Outras cozinhas (Cozinha brasileira)


como abater uma nuvem a tiros (Leminski)

             sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,

            a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
            nas paredes das danceterias
e dos hospitais, 
            os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais


Coisas mansas (Manoel de Barros)

Coisas mansas, de sela, andavam por
      ali bebendo água ...
Ventava
sobre azaleias
e municípios.

Ventinho de pêlo!
Monto nele e vou
experimentando a manhã nos galos ...

Ó este frescor! como um afluente
       de tua boca ...


 

Improviso (Affonso Ávila)

A palavra justa
a mim não pertence,
busco-a nessa luta
em que não se vence,
trabalho diário,
pelo amor de sempre.

A palavra triste
a mim não pertence,
perco-a numa lide
cujo amor me vence,
trabalho diário
pelo amor de sempre.

A palavra louca
a mim não pertence,
bebo-a noutra boca
e ela me convence,
trabalho diário
pelo amor de sempre.

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