como abater uma nuvem a tiros (Leminski)
sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais,
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais
Coisas mansas (Manoel de Barros)
Coisas mansas, de sela, andavam por
ali bebendo água ...
Ventava
sobre azaleias
e municípios.
Ventinho de pêlo!
Monto nele e vou
experimentando a manhã nos galos ...
Ó este frescor! como um afluente
de tua boca ...
Improviso (Affonso Ávila)
A palavra justa
a mim não pertence,
busco-a nessa luta
em que não se vence,
trabalho diário,
pelo amor de sempre.
A palavra triste
a mim não pertence,
perco-a numa lide
cujo amor me vence,
trabalho diário
pelo amor de sempre.
A palavra louca
a mim não pertence,
bebo-a noutra boca
e ela me convence,
trabalho diário
pelo amor de sempre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário