sábado, 27 de julho de 2013

Viagem de trem

(Texto retirado do livro: Argumentos para amar as nuvens).
 
Quando fiz minha primeira viagem de trem, realizei um antigo sonho. Como sonhava um dia viajar nesses vagões repletos de histórias! Lembro-me do “Dunguinha do Trem”, o simpático zelador do vagão em que eu estava. Ele falava tudo rimado. Orientava sobre a segurança, o meio-ambiente, o trajeto... Viajei anestesiado, em êxtase com a paisagem, o cenário. Às vezes fechava os olhos e punha-me a ouvir a cantiga acelerada daquela orquestra de metal. Outras vezes ouvia os casos dos passageiros ao meu redor. Mas logo voltava a olhar lá para fora. Cada túnel era um mergulho. 

Pela janela fui observando também outro trilho, paralelo ao que meu trem percorria. Imagino que ali percorria um trem invisível. Provavelmente, para os passageiros desse outro trem, cada túnel era um vir à tona.

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