sábado, 8 de junho de 2013

Caderno da vó Elce - III

Mais poesia do jardim de letras da vó...

Mágoa (Virgínia Victorino)

Eu que cheguei a ter essa alegria
de junto ao meu possuir teu coração,
eu que julgara eterna a duração
do voluptuoso amor que nos unia,

sou,- apagada a última ilusão,
morto o deslumbramento em que vivia,
-  um cego que ao lembrar a luz do dia
sente mais negra ainda a escuridão.

Tu me deste a ventura mais perfeita,
perdi-a, e dei-te a chama insatisfeita
dessa imensa paixão com que te quis...

Hoje, o que sinto, inútil, revoltada,
não é mágoa de ser tão desgraçada,
é pena de ter sido tão feliz.



Gostaria de pedir ajuda aos leitores para descobrir de quem é este poema abaixo também retirado do caderno da vó Elce. Dei uma pesquisada na internet e uma das possibilidades é de que seja de Antônio Tomáz, mas não posso afirmar. Pois bem, eis o poema:

A filha do bandido

Vai em busca do pai esta criança
Pálida e triste, anêmica e franzina
Que lembra, tão despida de esperança,
A rosa emurchecida da campina
 
Vai só, a estrada é solitária e escura
Há um atalho onde o terror habita,
De repente ela pára, treme e grita,
Que mãos estranhas o pulso lhe segura.
 
A bolsa ou a vida, alguém lhe brada
Erguendo o punhal assassino,
Ela, tremendo de susto, quase morta, espavorida
 
responde, reconhecendo a fala
A bolsa, sou pobre, não a tenho
Mas a vida, tu me deste, meu pai, podes tirá-la.

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