Mágoa (Virgínia Victorino)
Eu que cheguei a ter essa alegria
de junto ao meu possuir teu coração,
eu que julgara eterna a duração
do voluptuoso amor que nos unia,
sou,- apagada a última ilusão,
morto o deslumbramento em que vivia,
- um cego que ao lembrar a luz do dia
sente mais negra ainda a escuridão.
Tu me deste a ventura mais perfeita,
perdi-a, e dei-te a chama insatisfeita
dessa imensa paixão com que te quis...
Hoje, o que sinto, inútil, revoltada,
não é mágoa de ser tão desgraçada,
é pena de ter sido tão feliz.
Gostaria de pedir ajuda aos leitores para
descobrir de quem é este poema abaixo também retirado do caderno da vó Elce.
Dei uma pesquisada na internet e uma das possibilidades é de que seja de
Antônio Tomáz, mas não posso afirmar. Pois bem, eis o poema:
A filha do bandido
Vai em
busca do pai esta criança
Pálida e
triste, anêmica e franzina
Que
lembra, tão despida de esperança,
A rosa
emurchecida da campina
Vai só, a
estrada é solitária e escura
Há um
atalho onde o terror habita,
De
repente ela pára, treme e grita,
Que mãos
estranhas o pulso lhe segura.
A bolsa
ou a vida, alguém lhe brada
Erguendo
o punhal assassino,
Ela,
tremendo de susto, quase morta, espavorida
responde,
reconhecendo a fala
A bolsa,
sou pobre, não a tenho
Mas a
vida, tu me deste, meu pai, podes tirá-la.
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