Quem visita Belo Horizonte não pode deixar de ir à Praça do Papa e apreciar a vista de lá. É sem dúvida uma das vistas mais bonitas que se pode ter da cidade (principalmente à noite, quando está toda iluminada). Pode-se dizer que a vista de lá é uma compensação aos moradores da capital por perderem as estrelas. Pois é fato que, não só na capital mineira como em outras grandes cidades, é bem difícil ver estrelas. As luzes da cidade atrapalham e o que se vê são apenas poucos pontinhos brilhantes no céu.
Quando eu morava em Ervália, numa casa na roça, era bem diferente. Lá era fácil ver estrelas. Constelações inteiras. Estrelas cadentes. Um céu verdadeiramente iluminado. Costumava pegar meu violão, uma cerveja e ir para varanda sentar-me acompanhado das estrelas. A lua também era companheira em certas ocasiões.
Tenho certeza de que o que acabei de relatar acima não é de forma alguma um gosto exclusivamente meu. Estou convicto de que muitos dos que leram ou estão a ler esse texto também compartilham desse gosto pelas estrelas, pela lua, pelos astros. Espero que estejam gostando também da leitura. Tem gente que gosta de misturar esses dois gostos, astros e leitura. Essa gente gosta de ler os astros. Gosta de ler seu destino neles. Mas, caros astrólogos, porque achar um destino nos astros? Os astros estão lá para nos falar do infinito e não do destino. Por que tentar achar um só caminho no infinito do universo? Desculpem-me os leitores (de astros), mas creio que as estrelas, a lua, os planetas não foram feitos para serem lidos. Talvez escutados, como Kepler há muito tentou fazer. Kepler, um dos maiores observadores de noites estreladas que já existiu, sonhava um dia escutar a canção tocada pelos astros. Mas não era uma canção que falasse de destino, era a canção sobre o infinito, o universo, os sonhos.
Quando me sentava na varanda para ver estrelas eu não ficava procurando um destino, um caminho escrito, pelo contrário, eu gostava de me ver perdido naquela imensidão. Confesso que talvez tivesse sido melhor, em todas as vezes que fui à varanda, ter deixado de lado o violão e ter feito como Kepler, tentado ouvir a canção dos astros ao invés de fazer serenata para eles. Apesar de meu imenso gosto pela leitura, não misturo as coisas. Não leio estrelas. E pretendo continuar assim. Não quero um alfabeto para os meus sonhos. O único destino escrito nos astros é o do infinito.
Pois bem, aos que visitarem Belo Horizonte, repito: vão à Praça do Papa ao anoitecer! Observem a cidade de lá! Mas não procurem por ruas, avenidas, rodovias... Apenas observem e se percam! Ah, sugiro o mesmo para os que forem observar estrelas.
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