Pessoal, compartilho aqui com vocês mais uma vez os links para download dos meus livros. Os livros estão hospedados no 4shared. Há algum tempo o site começou a pedir que se faça um login para download, mas quem não tem conta no 4shared pode fazer o login com a conta do gmail ou facebook mesmo. Grande abraço e boa leitura!
Pá Virada
Monólogo de uma vida: a trágica rapsódia de uma platéia sem assento.
O poeta e o pano
Aproveito também para divulgar mais uma vez a campanha perca um livro. Para quem não conhece, acesse o site e dê uma olhada, vale muito a pena participar e levar essa idéia adiante.
Site:www.livr.us/
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Outras cozinhas (Alphonsus, Laurindo e Cecília)
Ismália (Alphonsus de Guimaraens)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Conta e tempo (Laurindo Rabelo)
Deus pede estrita a conta de meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas como dar, em tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis sobrando tempo, fazer conta;
Quero hoje fazer conta e falta tempo.
Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis êsse tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Mas oh! Se os que contam com seu tempo
Fizessem dêsse tempo alguma conta,
Não choravam como eu, o não ter tempo.
Murmúrio (Cecílcia Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Conta e tempo (Laurindo Rabelo)
Deus pede estrita a conta de meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas como dar, em tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis sobrando tempo, fazer conta;
Quero hoje fazer conta e falta tempo.
Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis êsse tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Mas oh! Se os que contam com seu tempo
Fizessem dêsse tempo alguma conta,
Não choravam como eu, o não ter tempo.
Murmúrio (Cecílcia Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
terça-feira, 10 de abril de 2012
Tosse e poesia
Estive limpando e lendo alguns livros antigos de poesia que encontrei na casa de meu avô. Mas foi preciso parar, pois em pouco tempo eu já estava tossindo incessantemente. O cheiro, a poeira que vinha dos livros era quase insuportável e poderia me causar uma doença respiratória mais grave.
E nessa mistura de tosse e poesia, acabei lembrando-me de nossos inúmeros poetas que foram mortos pela tuberculose. Muitos deles, antes mesmo de completarem trinta anos. A lista é imensa: Álvarez de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871), Cruz e Souza (1864-1898), Augusto dos Anjos (1884-1914), e tantos outros.
Havia, em épocas passadas, quem acreditasse que a poesia era uma das causas da tuberculose, ou pelo menos, um de seus sintomas. Mas hoje os tempos são outros. Tuberculose e poesia tomaram caminhos diferentes. A tuberculose já tem tratamento e não mata mais em níveis tão alarmantes. Os nossos poetas estão vivendo mais. Quanto à poesia, ainda não tem tratamento, continua incurável e contagiosa. Eis aqui uma belíssima forma de contágio:
Ilusões da vida (Francisco Otaviano)
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.
E nessa mistura de tosse e poesia, acabei lembrando-me de nossos inúmeros poetas que foram mortos pela tuberculose. Muitos deles, antes mesmo de completarem trinta anos. A lista é imensa: Álvarez de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871), Cruz e Souza (1864-1898), Augusto dos Anjos (1884-1914), e tantos outros.
Havia, em épocas passadas, quem acreditasse que a poesia era uma das causas da tuberculose, ou pelo menos, um de seus sintomas. Mas hoje os tempos são outros. Tuberculose e poesia tomaram caminhos diferentes. A tuberculose já tem tratamento e não mata mais em níveis tão alarmantes. Os nossos poetas estão vivendo mais. Quanto à poesia, ainda não tem tratamento, continua incurável e contagiosa. Eis aqui uma belíssima forma de contágio:
Ilusões da vida (Francisco Otaviano)
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.
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