Hoje, dia 23 de abril,
comemora-se o dia mundial do Livro. Aproveito a data para “reabrir” o Sobra ou
Sobremesa que estava “fechado” desde 2015. Reabro o blog com algumas sugestões
de leitura, obras que tive a oportunidade de ler nos últimos tempos e das quais
gostei muito. Gostaria também de informar que, apesar do longo período sem novas
postagens, tentarei trazer algumas novidades no decorrer das próximas semanas. Boa
leitura a todos!
*Utilizo-me aqui das sinopses encontradas nos próprios
livros.
A lebre com olhos de âmbar - Edmund Waal
"Nenhuma das miniaturas japonesas
entalhadas em madeira e marfim era maior que uma caixa de fósforos. Edmund Waal
ficou fascinado ao encontrar essa coleção em Tóquio, no apartamento de seu
tio-avô, Ignace. Mais tarde, quando Edmund herdou os netsuquês, eles revelaram
uma história muito mais ampla que ele imaginara...
Os Ephrussis, originários de
Odessa, eram os maiores exportadores de trigo do mundo; em 1870, Charles
Ephrussi fazia parte da nova geração de financistas estabelecida em Paris. Sua personalidade
inspirou Marcel Proust, que foi durante um curto período secretário de Charles,
a criar a Swann, personagem de Em busca
do tempo perdido. Colecionar objetos de arte era a paixão de Charles, e os
netsuquês – comprados quando os objetos japoneses estavam em alta nos salões
parisienses – foram enviados como presente de casamento ao seu primo, um
banqueiro em Viena.
Anos depois, três crianças,
inclusive o jovem Ignace, brincavam com as miniaturas, enquanto a História
reverberava ao redor deles. A anexação da Áustria e a Segunda Guerra Mundial
levaram os Ephrussis e seu fausto ao esquecimento. (...)
Com essas memórias impressionantes,
Edmund Waal viaja pelo mundo e coloca-se diante das magníficas construções que
seus antepassados habitaram. Ele traça as relações de uma família memorável no
cenário de um século tumultuado. Com uma prosa elegante e precisa, como os
próprios netsuquês, o autor conta a história de uma coleção ímpar que, por um
capricho do destino, encontrou o rumo de casa depois de passar pelo Japão."
A alma e a dança e outros diálogos - Paul Valéry
"Não te parece,
Erixímaco, e a ti, caro Fedro, que essa criatura que vibra ali, e que se agita
adoravelmente para nossos olhos, essa ardente Athiktê que se divide e se reúne,
que se alteia e se abaixa, que se abre e se fecha tão depressa, e que parece
pertencer a outras constelações que não são as nossas - não parecem viver, como
se fosse em casa, num elemento comparável ao fogo - numa essência muito sutil
de movimento e música, onde ela respira uma energia inesgotável, enquanto
participa, com todo seu ser, da violência pura e imediata de uma extrema
felicidade?"
Puro - Andrew Miller
"Paris, 1785.
Jean-Baptiste Baratte, um jovem
engenheiro de origem modesta, recebe de um dos ministros do rei Luiz XVI uma
missão desafiadora: livrar-se da igreja e do cemitério de Les Innocents. O
cemitério vem acumulando corpos há séculos, chegando ao ponto da população
vizinha sentir o gosto dos cadáveres na comida e na água. Respiram a morte, têm
seu cheiro, seu hálito.
No começo, Baratte vê nessa
empreitada uma chance de limpar o fardo da história, a tarefa perfeita para um
homem moderno, do futuro, da razão. Mas logo ele percebe que a igreja e o
cemitério são prenúncios de uma queda maior que está por vir. Os rumores de uma
grande mudança que se aproxima ganham volume, e o povo se divide quanto ao
trabalho de Baratte: ao mesmo tempo que a cidade já não suporta mais um
cemitério que não para de receber corpos e não tem para onde crescer, é difícil
aceitar a mudança e tirar de cena um dos marcos do passado monárquico.
O engenheiro imagina que a missão
seja ingrata, das mais desagradáveis, mas não faz ideia dos dramas e das
calamidades que se avizinham e se concretizam conforme os ossos começam a
emergir de seus séculos de descanso. E, com a agitação contra a corte de Luiz
XVI se tornando cada vez mais insuportável, Baratte percebe que o futuro que
planejara para si pode não ser mais o que ele quer de fato."


