segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Coração de Manué Seco
Sirvo hoje aqui em nossa mesa alguns versos do poeta Catullo da Paixão Cearense, recitados por Rolando Boldrin. Vi essa emocionante interpretação de Boldrin há alguns dias, no seu programa Sr. Brasil e não poderia deixar de compartilhá-la aqui no blog. Vale a pena conferir!
sábado, 12 de outubro de 2013
Quando eu for criança
Em homenagem ao dia das crianças, um poema do livro Pá Virada:
Quando eu for criança
Quando eu for criança,
vou reinventar brincadeiras,
vou dormir nos quintais,
e ter um quarto à minha maneira.
Quando eu for criança,
não vou querer dormir cedo,
vou ter medo da luz,
vou fazer mais cirandas,
e só rezar pro menino Jesus.
Vou acreditar nas histórias,
vou ler mais poesias,
passear e cantar na chuva,
deixar os problemas em banho-maria.
Quando eu for criança,
vou derrubar dominó,
dominar tigres e leões
com uma sonhada só.
Vou dar mais “boa noite”,
mais, muito mais abraços
e, sem ter medo de tombos,
vou desamarrar os cadarços.
Quando eu for criança,
vou querer mais aniversários,
mais natais, páscoas e festas.
Vou embaralhar o calendário.
Escovar dente com chocolate,
vou borrar maquiagens,
vou imaginar meu herói
e pintar sua imagem.
Vou usar mais chapéu,
vou mudar mais assuntos.
Quando eu for criança,
não vou querer ser adulto.
Quando eu for criança
Quando eu for criança,
vou reinventar brincadeiras,
vou dormir nos quintais,
e ter um quarto à minha maneira.
Quando eu for criança,
não vou querer dormir cedo,
vou ter medo da luz,
vou fazer mais cirandas,
e só rezar pro menino Jesus.
Vou acreditar nas histórias,
vou ler mais poesias,
passear e cantar na chuva,
deixar os problemas em banho-maria.
Quando eu for criança,
vou derrubar dominó,
dominar tigres e leões
com uma sonhada só.
Vou dar mais “boa noite”,
mais, muito mais abraços
e, sem ter medo de tombos,
vou desamarrar os cadarços.
Quando eu for criança,
vou querer mais aniversários,
mais natais, páscoas e festas.
Vou embaralhar o calendário.
Escovar dente com chocolate,
vou borrar maquiagens,
vou imaginar meu herói
e pintar sua imagem.
Vou usar mais chapéu,
vou mudar mais assuntos.
Quando eu for criança,
não vou querer ser adulto.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Noite
Noite. Esse o tema e o nome de um fabuloso livro escrito por A. Alvarez. Há tempos que eu queria ler esse livro e finalmente estou tendo a oportunidade de saboreá-lo com a devida calma e apreço. Embora um tema como esse pareça demasiadamente amplo e inesgotável, A. Alvarez escreve de maneira incrível sobre esse período ignoto do dia que existe fora e dentro de nós, buscando compreender melhor seus significados e suas linguagens. Para analisar melhor a noite, o autor passeia pela história, poesia, pinturas, sonhos, psicanálise, dentre outras tantas ramificações por onde ela possa se emaranhar.
Para mim o tema sempre foi motivo de fascínio. Com todas suas estrelas, sua escuridão, sua densa infinitude, a noite é uma das vestes mais transparentes e naturais da poesia. Todos os medos e paixões suscitados pela noite não poderiam deixar de ser inspirações constantes para qualquer um que se aventure pelo mundo literário.
Os grandes romances comprovam através de seus personagens como a noite exerce uma influência avassaladora nos nossos pensamentos e comportamentos. Se tomarmos como exemplo o clássico romance de Charlotte Bronte, podemos ver como junto ao anoitecer todo drama, toda angústia de Jane Eyre (e a nossa) é exacerbada de uma maneira quase insuportável. Os bons autores sabem usar bem o período noturno para acentuarem ainda mais as paixões, medos e dramas em seus romances.
Victor Hugo, em Os trabalhadores do mar, faz uma das mais belas reflexões sobre a noite que cobria e abraçava o solitário Gilliatt:
"Inexprimível teto de tênebras; alta obscuridade sem mergulhador possível; luz mesclada à obscuridade, mas uma luz vencida e sombria; claridade reduzida a pó; é semente? É cinza? Milhões de fachos, claridade nula; vasta ignição que não diz o seu segredo, uma difusão de fogo em poeira que parece um bando de faíscas paradas, a desordem do turbilhão e a imobilidade do sepulcro, o problema oferecendo uma abertura de precipício, o enigma desvendando e escondendo a sua face, o infinito mascarado com a escuridão, eis a noite. Pesa no homem esta superposição."
Poderíamos seguir aqui com uma lista quase infinita de exemplos de autores (Allan Poe, Robert Frost, Shakespeare...) que vez ou outra ousaram encarar alma à alma esse “inexprimível teto de tênebras”. Mas ao invés disso, deixo a sugestão, para quem se interessar mais pelo assunto, da leitura desse prazeroso e interessantíssimo livro de A. Álvarez: Noite.
Poderíamos seguir aqui com uma lista quase infinita de exemplos de autores (Allan Poe, Robert Frost, Shakespeare...) que vez ou outra ousaram encarar alma à alma esse “inexprimível teto de tênebras”. Mas ao invés disso, deixo a sugestão, para quem se interessar mais pelo assunto, da leitura desse prazeroso e interessantíssimo livro de A. Álvarez: Noite.
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