segunda-feira, 27 de maio de 2013

Trechos do novo livro

Aulas de música

Aos poucos estou aprendendo a distinguir os pássaros através dos seus cantos. É uma questão de observação e escuta. Imagino que o primeiro ser humano que cantou também observou e aprendeu com os pássaros.
Está aí uma boa sugestão para as escolas de música, as primeiras aulas deveriam ser de observação e escuta dos pássaros. Haveria tantas melodias, tantos ritmos! E quem sabe, nas aulas seguintes, o voo fosse a lição?!


Ainda sobre música

Tudo no mundo parece ter sua própria voz, seu próprio som. Acontece que às vezes as vozes se atropelam e a música perde o ritmo. Nessas horas, penso que é preciso uma forte tempestade, dessas que emudecem a alma. E assim, depois que a tempestade passa, o mundo começa a recuperar o fôlego, a voz. Cada coisa retoma seu devido lugar na sinfonia. É como se a água varresse os ruídos, deixando a melodia clara e limpa. A tempestade é a deixa para os que cantam...


Versinho leve

É preciso sentir-se leve,
diluir a vida no ar.
Que a alma só carregue
o que o vento puder carregar!

domingo, 26 de maio de 2013

Novo livro!

Pessoal, no dia 1 de junho este blog completará 3 anos. Antecipando as comemorações, tenho a alegria de servir aqui em nossa mesa o meu novo livro: Argumentos para amar as nuvens. Sirvam-se à vontade. Para fazer o download do livro é só clicar aqui ou no próprio nome do livro, no canto direito superior do blog.



domingo, 12 de maio de 2013

Às mães

Para homenagear todas as mamães, sirvo aqui um belo poema de Ivo Barroso chamado "Mãe":

Mãe

Mãe – quer dizer: a que sabe; a que, vendo
O bem, se alegra e, vendo o mal, perdoa.
Mãe – é a que sente, a que sofre e, sofrendo,
Tem para tudo uma palavra boa.

Mãe – é a que chora em silêncio, temendo
Que alguém lhe veja o pranto e se condoa.
Mãe – é a que embarga o seu soluço e, erguendo
O rosto, diz: “Estou chorando à-toa…”

Mãe – é a que vê no coração da gente;
A que adivinha tudo em nós, e esquece
– Qual anjo que, fiel, nos acompanhe…

E eu que já fui em outros tempos crente
E que hoje me esqueci de toda prece,
Quando quero rezar, murmuro: MÃE!

sábado, 11 de maio de 2013

Outras cozinhas (Cozinha estadunidense)



A flecha e o canto (Longfellow)

Lancei ao ar uma flecha,
Não sei onde foi cair;
Partiu veloz, que a vista
Não pôde o vôo seguir.

Ao ar desferi um canto,
Não sei onde foi cair;
Que vista aguda há que possa
Do canto o vôo seguir?

Tempos depois, num carvalho
A flecha perfeita achei;
E guardado em peito amigo
Inteiro o canto encontrei.


O coração tem bordas estreitas (Emily Dickinson)

O coração tem bordas estreitas
E, feito o mar, se mensura
Por um poderoso baixo contínuo
E monotonia azul

Até que um furacão o seccione
E, enquanto descobre
Seu insuficiente espaço,
Aprende convulsões

Que a calmaria é tão só muralha
De intocada gaze:
A pressão de um instante a destrói,
Um questionamento a esgarça.


Fogo e gelo (Robert Frost)

Uns dizem que o mundo em fogo termina,
Outros, que em gelo se apaga.
E eu já provei de desejo, que é sina
Por isso repito que em fogo termina.
Mas se mais uma vez nosso mundo se estraga,
Só sei que na vida provei tanto ódio voraz
Que posso dizer que, se em gelo se apaga,
Tanto fez como tanto faz,
Posto que tudo se acaba.


Traduções: A flecha e o canto - Lucindo Filho; O coração tem bordas estreitas - Ivo Bender; Fogo e gelo - Dirlen Loyolla