(Para André e Inácio)
Eu acreditava que as nuvens
Eram feitas de algodão
Carneiros de alvas penugens
Que traziam no bojo o trovão.
Eu acreditava que a lua
Era toda feita de queijo
E que os ratinhos na rua
Olhavam o céu com desejo.
Eu acreditava que um dia
Deitaria naquele algodão
E à noite eu comeria
Um pedaço da lua com pão.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Às margens plácidas...
Às margens plácidas do Ipiranga, gritou Dom Pedro: Independência ou morte! E fez-se o feriado. Mas quando ele gritou isso, ainda tinha muito trabalho pela frente, ainda não era feriado. Não pôde aproveitar nada. Prova disso é que Dom Pedro não ficou ali pescando. Eu ficaria! Mas acho que eu proclamaria a independência às margens do São Francisco ou do rio das Velhas.
Difícil encontrar uma melhor forma de passar um feriado do que pescando às margens calmas e belas de um rio como o Velho Chico. Ali, junto àquelas águas, a todo aquele verde, a todo aquele silêncio, ali sim sentimos a liberdade! A independência é proclamada a todo instante pelos pássaros, pelos seus cantos de vida! Dom “garça”, dom “inhambu”, dom “saracura”, dom “papagaio”, dom “tucano”...
Penso que Dom Pedro perdeu uma ótima oportunidade. Que Portugal levasse nosso ouro (parece-me até mais honesto do que ocorre hoje, com tudo indo para os cofres de alguns poucos que dizem “governarem” nosso país)! O importante era defender nossos dourados, nossos surubins, nossos mandis, etc... Mas também vai saber se Dom Pedro gostava, se ele tinha paciência para passar o dia pescando! Porque pescar exige paciência. Uma boa pescaria é feita de distraídas conversas, alguma bebida, lindas paisagens em volta e, na hora certa, o peixe! Duas situações impedem uma boa pescaria: a primeira é quando o pescador é impaciente. A segunda, quando o impaciente é o peixe.
Difícil encontrar uma melhor forma de passar um feriado do que pescando às margens calmas e belas de um rio como o Velho Chico. Ali, junto àquelas águas, a todo aquele verde, a todo aquele silêncio, ali sim sentimos a liberdade! A independência é proclamada a todo instante pelos pássaros, pelos seus cantos de vida! Dom “garça”, dom “inhambu”, dom “saracura”, dom “papagaio”, dom “tucano”...
Penso que Dom Pedro perdeu uma ótima oportunidade. Que Portugal levasse nosso ouro (parece-me até mais honesto do que ocorre hoje, com tudo indo para os cofres de alguns poucos que dizem “governarem” nosso país)! O importante era defender nossos dourados, nossos surubins, nossos mandis, etc... Mas também vai saber se Dom Pedro gostava, se ele tinha paciência para passar o dia pescando! Porque pescar exige paciência. Uma boa pescaria é feita de distraídas conversas, alguma bebida, lindas paisagens em volta e, na hora certa, o peixe! Duas situações impedem uma boa pescaria: a primeira é quando o pescador é impaciente. A segunda, quando o impaciente é o peixe.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Um dia um homem se feriu
Um dia um homem se feriu,
havia sofrido um corte.
E viu que o corte sangrava.
E viu que o corte fechava.
Um dia outro homem se feriu,
havia sofrido um corte.
E viu que o corte sangrava.
E viu que o corte fechava.
Um dia outro homem se feriu,
não sofreu nenhum corte.
E viu que ali não sangrava.
E viu que ali não fechava.
O primeiro homem morreu.
O segundo sobreviveu.
O terceiro sofreu, chorou, sonhou, cantou, viveu, enlouqueceu e morreu...
E como morreu bem com a sua ferida de amor!
havia sofrido um corte.
E viu que o corte sangrava.
E viu que o corte fechava.
Um dia outro homem se feriu,
havia sofrido um corte.
E viu que o corte sangrava.
E viu que o corte fechava.
Um dia outro homem se feriu,
não sofreu nenhum corte.
E viu que ali não sangrava.
E viu que ali não fechava.
O primeiro homem morreu.
O segundo sobreviveu.
O terceiro sofreu, chorou, sonhou, cantou, viveu, enlouqueceu e morreu...
E como morreu bem com a sua ferida de amor!
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