quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Feijão com Arroz

Caros amigos, além das "dificuldades" que não me permitiram atualizar o blog nos últimos dias, confesso também que hesitei algumas vezes, pois queria que o primeiro prato de 2011 fosse especial, saboroso, de encher a alma d'água.
Inicialmente pensei em servir um trecho amargo e belo da cozinha de Victor Hugo, no seu clássico "Os trabalhadores do mar". Hesitei. Queria um prato mais requintado de poesia, talvez mais exótico. Logo me veio à cabeça começar o ano com um poema de Fernando Pessoa, numa cozinha bem portuguesa. Hesitei. O prato devia ser nacional, tipicamente brasileiro. Vixe! O que não faltou foram idéias, ou melhor, cozinhas. Quintana, Drummond, Cecília, Vinícius, Coralina... Mas por fim, hesitei com tantas opções . Queria servir um feijão com arroz, simples, saboroso e que mata a fome. O que seria o feijão com arroz, na poesia? Pensei... deixei as idéias em banho-maria. O feijão com arroz na poesia talvez seja um prato raro, que se vê pouco por aí. Quase um sonho. É aquela poesia que brota por si só, leve e completa, simples e saborosa, feita em qualquer cozinha, comida por muitos, apreciada por poucos. Escrevê-la é quase uma gafe… Hesitei.
Não tenho esse feijão com arroz para por à nossa mesa. Perdão! Resta-me servir a fome... de palavras, de versos, de poesias. É assim que vou começar o ano, servindo muita, muita fome a todos!
Tenho que confessar outra coisa: isto acaba de ser escrito em terras uruguaias e talvez seja apenas um desabafo de um mineiro longe de sua cozinha natal. Tenho comido muito bem (chivitos, pastas, helados), mas quanta vontade de ler, digo, comer um bom feijão com arroz!